Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Pelos trilhos do Zêzere

Coração no centro de Portugal

A pé, de BTT ou de canoa, a Grande Rota une os pontos de uma região à espera de ser descoberta

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Uma vez por mês, João Pedro Pimenta organiza uma caminhada pelos trilhos de Portugal. Em julho, o dirigente do Clube de Lazer, Aventura e Competição do Entroncamento escolheu como palco a Grande Rota do Zêzere, um percurso que acompanha a descida do maior afluente do Tejo desde a serra da Estrela, onde nasce a mais de 1900 metros de altitude, até à foz em Constância. São 370 quilómetros – ou nove maratonas, mais coisa menos coisa – que podem ser percorridos a caminhar, de bicicleta ou canoa (neste caso só a partir de Silvares).

Habituado a longas jornadas a pé, João Pedro Pimenta nunca tinha tentado uma distância tão avassaladora. Ele e os outros seis aventureiros que o seguiram demoraram 11 dias a cumprir a missão, sob um sol que não deu tréguas. “Bebemos dois a três litros de água por dia”, adiantou-nos, na véspera do último esforço até à vila ribatejana onde o Zêzere encontra o Tejo. A média diária rondou os 35/40 quilómetros, para onze horas de caminhada.

Inaugurada em 2015, numa iniciativa da Agência para o Desenvolvimento das Aldeias do Xisto (ADXTUR) a partir de uma ideia da Associação de Amigos da Serra da Estrela, a GR33, como também é conhecida, deu um impulso à economia local. É mais popular nos meses do outono e da primavera, precisamente por causa das temperaturas amenas, mais indicadas para um desafio que tem tanto de belo como de duro, garantem os que por lá passam.

“É mais fácil a pé do que de bicicleta”, nota Paulo Coelho, do Clube de Montanhismo da Guarda. Também já experimentou de canoa, embora sem ter cumprido a rota de uma ponta à outra em qualquer das variantes. Em BTT, no entanto, fez quase todo o percurso e depressa concluiu que a exigência é maior do que a caminhar porque “há zonas muito mais complicadas de fazer a pedalar, sobretudo se estiver muito calor”. Com base nas suas várias incursões ao local durante os últimos dois anos, reforça que 40 quilómetros de caminhada por dia não implicam o desgaste de mais de 100 quilómetros de bicicleta no sobe e desce de alguns troços. A juntar a isso, há outros obstáculos a ter em conta, como as silvas que invadem o caminho. “São o pior para as bicicletas, devia existir um cuidado maior das autarquias na limpeza da rota”, observa, antes de nos revelar “um episódio caricato”, quando o pelotão em que rolava com mais sete amigos atravessou o rio: “Um senhor da
junta de freguesia transportou-nos numa barca para a outra margem, a nós e às bicicletas.” Seria o Eduardo, em Janeiro de Cima? “Isso mesmo.” Também o conhecemos no nosso périplo pelo Zêzere – e de repente os 370 quilómetros parecem um pouco menos.

Nuno Botelho

Uma etapa de cada vez
A Grande Rota do Zêzere abrange
13 concelhos do Interior e, pela sua enorme extensão, está dividida em nove unidades, que por sua vez se repartem por várias etapas. Muitas pessoas preferem uma abordagem mais moderada e aproveitam os fins de semana para cumprirem uma etapa de cada vez. As nove unidades, que se diferenciam pelas características da região que atravessam, apresentam nomes sugestivos: O Selvagem Início, do Covão d’Ametade a Valhelhas (30,1 km); Irrigando a Cova da Beira, de Valhelhas a Barco (55,7 km); Terra Mineira, de Barco a Dornelas (21,9 km); Meandros, de Dornelas a Cambas (23,1 km); Sob o Signo do Cabril, de Cambas a Pedrógão Pequeno (62 km); Só Tu e o Rio, de Pedrógão Pequeno à Bouçã (22,9 km); O Regresso da Serenidade, da Bouçã a Vale Serrão (28,4 km); Braços do Rio, de Vale Serrão a Penedo Furado (71,4 km); e, por fim, A Caminho do Tejo, de Penedo Furado a Constância (54,7 km).

Ao logo do circuito, além de marcas a assinalarem a direção a seguir (as coordenadas GPS também estão disponíveis na página da internet aldeiasdoxisto.pt), existem pontos de apoio, como painéis de informação e áreas de descanso. O projeto das chamadas estações intermodais, 13 estruturas de madeira criadas para proporcionarem uma alternância entre as três modalidades – deixar uma bicicleta e prosseguir de canoa até à estação seguinte, por exemplo, e trocar novamente –, ainda não foi posto em prática. Segundo a ADXTUR, está em estudo a melhor forma de evitar o roubo dos equipamentos a disponibilizar. O que já existe no terreno são alojamentos com espaços próprios para se guardarem as bicicletas (alguns com uma pequena oficina), que recebem o rótulo de “bikotel”. É o caso da Casa dos Hospitaleiros, em Álvaro, onde Amélia Dias já recebeu hóspedes que preferem guardar a bicicleta “junto à mesa de cabeceira”.

No código de conduta da rota, adverte-se para seguir sempre o trilho sinalizado, não fazer ruídos desnecessários, observar a fauna sem perturbar, não danificar a flora, não fazer lume
e ser afável com as pessoas.

Ar puro
Como pontos mais emblemáticos, há muito por onde pegar. Paulo Coelho elege o Covão d’Ametade, onde o Zêzere se começa a formar antes de descer pelo Vale Glaciar de Manteigas, a chegada ao Tejo em Constância e, pelo meio, a passagem nas Minas da Panasqueira. “Apesar de artificial, é completamente diferente de tudo aquilo que se pode ver em Portugal”, justifica. Em contraste, a João Pedro Pimenta essa foi uma das zonas que lhe causou “mais impressão”, a par dos “30 quilómetros de queimado” que agora se avistam mais abaixo no rio, em Pedrógão Grande.
“De resto, é tudo muito bonito.”

A Grande Rota do Zêzere põe a nu um vasto território a que se impõe chamar-se património natural, com o verde da vegetação e o azul da corrente a dominarem numa paisagem propícia a encher o peito de ar. É outra vantagem: de cada vez que se inspira, o corpo ganha dose extra de oxigénio para mais um passo, outra pedalada ou novo impulso da pagaia na água, a canoa a deslizar mais uns metros rio abaixo. Sempre ao ritmo de cada um. Não há pressa de chegar. Não é uma corrida contra o tempo.

As 9 etapas dos 370 km

Guia para preparar o desafio da Grande Rota do Zêzere

1 -­ O SELVAGEM INÍCIO 30,1 km

Municípios percorridos: Manteigas, Guarda, Covilhã

Covão d'Ametade – Manteigas
Distância: 10,2 km
Duração Média: 2h40m
Dificuldade: Fácil

Manteigas – Vale da Amoreira
Distância: 11,8 km
Duração Média: 3h00
Dificuldade: Difícil

Vale da Amoreira – Área de Descanso de Valhelhas
Distância: 8,1 km
Duração Média: 2h00m
Dificuldade: Fácil


2 - IRRIGANDO A COVA DA BEIRA 55,7 km

Municípios percorridos: Guarda, Covilhã

Área de Descanso de Valhelhas – Vale Formoso
Distância: 7,9 km
Duração Média: 1h50m
Dificuldade: Fácil

Vale Formoso – Borralheira
Distância: 11,6 km
Duração Média: 2h35 (pedestre) 1h00 (BTT)
Dificuldade: Fácil

Borralheira – Área de Descanso da Ponte Alvares
Distância: 10,4 km
Duração Média: 2h25 (pedestre) 55m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso da Ponte Alvares – Parque de Campismo do Tortosendo
Distância: 5,4 km
Duração Média: 1h15m (pedestre) 30m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Parque de Campismo do Tortosendo – Peso
Distância: 11,4 km
Duração Média: 2h40m (pedestre) 1h00 (BTT)
Dificuldade: Fácil

Peso – Barco
Distância: 8,2 km
Duração Média: 2h00m (pedestre) 40m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Barco – Área de Descanso do Barco
Distância: 1,1 km
Duração Média: 15m (pedestre) 5m (BTT)
Dificuldade: Muito Fácil


3 - TERRA MINEIRA 21,9 km

Municípios percorridos: Covilhã, Fundão

Área de Descanso do Barco – Cabeço do Pião
Distância: 13,9 km
Duração Média: 3h25m (pedestre) 1h15m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Difícil

Cabeço do Pião – Barroca
Distância: 3,2 km
Duração Média: 45m (pedestre) 15m (BTT)
Dificuldade: Muito Fácil
Aldeias: Barroca

Barroca – Dornelas do Zêzere
Distância: 4,8 km
Duração Média: 1h15m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Barroca


4 - MEANDROS 23,1 km

Municípios percorridos: Pampilhosa da Serra, Fundão, Oleiros

Dornelas do Zêzere – Janeiro de Cima
Distância: 10,5 km
Duração Média: 2h50 (pedestre) 1h00 (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Janeiro de Cima

Janeiro de Cima – Área de Descanso do Açude de Janeiro de Cima
Distância: 0,7 km
Duração Média: 10m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Muito Fácil
Aldeias: Janeiro de Cima

Área de Descanso do Açude de Janeiro de Cima – Janeiro de Baixo
Distância: 3,5 km
Duração Média: 50m (pedestre) 20m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Janeiro de Cima Janeiro de Baixo

Janeiro de Baixo – Área de Descanso de Janeiro de Baixo
Distância: 1,3 km
Duração Média: 25m (pedestre) 15m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Janeiro de Baixo

Área de Descanso de Janeiro de Baixo – Admoço
Distância: 2,5 km
Duração Média: 40m (pedestre) 15m (BTT)
Dificuldade: Muito Fácil
Aldeias: Janeiro de Baixo

Admoço – Cambas
Distância: 4,6 km
Duração Média: 1h00 (pedestre) 20m (BTT)
Dificuldade: Muito Fácil



5 - SOB O SIGNO DO CABRIL 62 km

Municípios percorridos: Oleiros, Sertã

Cambas – Abitureira

Distância: 6,7 km
Duração Média: 1h50 (pedestre) 1h00
(BTT *Difícil)
Dificuldade: Fácil

Abitureira – Área de Descanso de Felgueiras
Distância: 6 km
Duração Média: 1h40m (pedestre) 30m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso de Felgueiras – Álvaro
Distância: 5,5 km
Duração Média: 1h35m (pedestre) 35m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Álvaro

Álvaro – Área de Descanso de Frazumeira
Distância: 6,6 km
Duração Média: 1h50m (pedestre) 40m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Álvaro

Área de Descanso de Frazumeira – Sobral
Distância: 6,7 km
Duração Média: 1h50m (pedestre) 1h00m (BTT * Difícil)
Dificuldade: Fácil

Sobral – Madeirã
Distância: 5 Km
Duração Média: 1h35m (pedestre) 40m (BTT * Difícil)
Dificuldade: Fácil

Madeirã – Área de Descanso da Arrochela
Distância: 13 Km
Duração Média: 3h45m (pedestre) 1h20m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Difícil

Área de Descanso da Arrochela – Sra. da Confiança
Distância: 10,1 Km
Duração Média: 2h55m (pedestre) 1h05m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Pedrógão Peq.

Sra. da Confiança – Pedrógão Pequeno
Distância: 1,5 Km
Duração Média: 25m (pedestre) 10m (BTT)
Dificuldade: Fácil
Aldeias: Pedrógão Peq.


6­ - SÓ TU E O RIO 22,9 km

Municípios percorridos: Sertã, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos

Pedrógão Pequeno – Ponte Filipina
Distância: 1,8 Km
Duração Média: 40m (pedestre) 20m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Muito Fácil
Aldeias: Pedrógão Pequeno

Ponte Filipina – Área de Descanso de Cabeço Mourisco
Distância: 5,2 Km
Duração Média: 1h30m (pedestre) 45m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso de Cabeço Mourisco – Atalaia Norte
Distância: 4,7 Km
Duração Média: 1h10m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Atalaia Norte – Atalaia Sul
Distância: 5,1 km
Duração Média: 1h15m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Atalaia Sul – Área de Descanso do Miradouro da Bouçã
Tipo: Pedestre Linear
Duração Média: 45m (pedestre) 15m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso do Miradouro da Bouçã – Bouçã
Distância: 3,3 km
Duração Média: 55m (pedestre) 20m (BTT)
Dificuldade: Fácil


7 - O REGRESSO DA SERENIDADE 28,4 km

Municípios percorridos: Figueiró dos Vinhos, Ferreira do Zêzere

Bouçã – Prudência
Distância: 3,8 km
Duração Média: 1h05m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Prudência – Foz de Alge
Distância: 5,3 km
Duração Média: 1h20m (pedestre) 30m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Foz de Alge – Área de Descanso de Valbom
Distância: 4,1Km
Duração Média: 1h05m (pedestre) 20m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso de Valbom – Dornes
Distância: 11,5 km
Duração Média: 3h10m (pedestre) 1h15
(BTT * Fácil)
Dificuldade: Difícil

Dornes – Área de Descanso do Vale Serrão
Distância: 3,7Km
Duração Média: 50m (pedestre) 20m (BTT)
Dificuldade: Fácil


8 - BRAÇOS DO RIO 71,4 km

Municípios percorridos: Ferreira do Zêzere, Sertã, Vila de Rei

Área de Descanso do Vale Serrão – Área de Descanso da Foz da Sertã
Distância: 11,8 km
Duração Média: 3h15m (pedestre) 1h20m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Difícil

Área de Descanso da Foz da Sertã – Moinhos da Ribeira
Distância: 4,8 km
Duração Média: 1h20m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Moinhos da Ribeira – Palhais
Distância: 5,2 km
Duração Média: 1h40m (pedestre) 35m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Palhais – Fernandaires
Distância: 7,4 km
Duração Média: 2h10m (pedestre) 50m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Fernandaires – Zaboeira
Distância: 8,4 km
Duração Média: 2h00m (pedestre) 50m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Zaboeira – Área de Descanso da Cabeça Gorda
Distância: 3,6 km
Duração Média: 1h10m (pedestre) 30m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso da Cabeça Gorda – Trutas
Distância: 5,8 km
Duração Média: 1h50m (pedestre) 40m (BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Trutas – Área de Descanso da Macieira
Distância: 11,6 km
Duração Média: 3h00m (pedestre) 1h10m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso da Macieira – Penedo Furado
Distância: 12,8Km
Duração Média: 3h30m
Dificuldade: Difícil


9 - ­A CAMINHO DO TEJO 54,7 km

Municípios percorridos: Vila de rei, abrantes, constância

Penedo Furado – Matagosa
Distância: 4Km
Duração Média: 1h10m (pedestre) 35m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Matagosa – Fontes
Distância: 8,5 km
Duração Média: 2h10m (pedestre) 50m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Fontes – Área de Descanso do Souto
Distância: 8,4 km
Duração Média: 2h20 (pedestre) 50m
(BTT * Muito Difícil)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso do Souto – Área de Descanso da Cabeça Gorda
Distância: 7,8 km
Duração Média: 2h05m (pedestre) 45m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Área de Descanso da Cabeça Gorda – Aldeia do Mato
Distância: 5,1 km
Duração Média: 1h15m (pedestre) 25m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Aldeia do Mato – Martinchel
Distância: 5,2 km
Duração Média: 1h20m (pedestre) 30m (BTT)
Dificuldade: Fácil

Martinchel – Centro de Ciência Viva
Distância: 10,7 km
Duração Média: 2h50m
Dificuldade: Fácil

Centro de Ciência Viva – Constância
Distância: 5 km
Duração Média: 1h15m
Dificuldade: Fácil