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13 caminhos para descobrir a região do Zêzere

Coração no centro de Portugal

Treze caminhos para descobrir a região, escolhidos pelo jornalista e autor do livro 200 Melhores Percursos de Trekking em Portugal

Jos\303\203\302\251 Caria

Jose Carlos Carvalho

DISTRITO DE CASTELO BRANCO

Oleiros
GeoRota do Orvalho


Inserido no território Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, este itinerário percorre os diversos geomonumentos classificados pela UNESCO existentes na freguesia de Orvalho. Por entre as águas cristalinas das ribeiras e das nascentes da montanha, o visitante tem assim oportunidade de conhecer locais como o cabeço cónico da Senhora da Confiança, as cascatas de Fraga da Água d’Alta ou a quartzítica serra do Moradal.
Ponto de partida: Orvalho
Ponto de chegada: Miradouro
do Mosqueiro
Distância: 9 km
Dificuldade: Baixa


Caminho do Xisto de Álvaro – Mui Nobre Villa

Com início no Miradouro junto à Igreja Matriz de Álvaro de São Tiago, este “caminho do xisto” percorre as encostas sobranceiras à aldeia, em direção ao vale da ribeira de Alvelos, conhecido pelas suas oliveiras centenárias. Daí, já se avista a ponte romana, ainda hoje usada pelos habitantes para se deslocaram às terras de cultivo situadas na outra margem, onde um conjunto de azenhas, em ruínas, junto à ribeira, lembra o quão importante foi em tempos este curso de água para estas populações. O caminho prossegue agora a subir, rodeado por pinheiros, sobreiros e carvalhos, com destino à aldeia de Longra, onde podem ser observadas as ruínas da Capela de São Pedro e a Capela de Santo António. É a partir desta localidade que tem início a descida de regresso a Álvaro, por um caminho por vezes sinuoso mas amplamente compensado pela deslumbrante vista, sempre com o Zêzere como pano de fundo.
Ponto de partida e de chegada: Álvaro
Distância: 7 km
Dificuldade: Média


Sertã
Trilho do Zêzere

Este percurso acompanha uma velha estrada romana, que até 1954 foi a única via terrestre, nesta região, a fazer a ligação das margens do rio Zêzere.
Rodeado de frondosos sobreiros, o caminho dá a conhecer locais como as escarpas de granito situadas junto à ribeira dos Porteleiros, a famosa ponte filipina do século XVII, atualmente um dos principais cartões de visita de Pedrógão Pequeno, ou ainda o túnel que conduz ao Moinho das Freiras, um dos locais mais belos desta margem esquerda do Zêzere.
Ponto de partida e de chegada: Pedrógão Pequeno
Distância: 7 km
Dificuldade: Baixa





Filipe Paiva

Vila de Rei
Caminho do Xisto de Água Formosa – À Descoberta das Ribeiras

Este percurso circular tem partida e chegada em Água Formosa, uma aldeia situada na margem da ribeira da Galega, a apenas 10 km do Centro Geodésico de Portugal. O caminho percorre este curso de água ao longo de socalcos, açudes, levadas e diversas azenhas, hoje uma memória do engenho das gentes da região, que ao longo dos séculos adaptaram e moldaram esta natureza agreste de modo a garantir a sua subsistência. A caminhada começa junto à fonte que dá nome à aldeia, através dos trilhos percorridos pelos antigos moleiros, que por aqui conduziam os seus animais de carga ao longo da ribeira, até à impressionante cascata da Queda da Água Alta e daí, sempre junto à levada, até ao antigo lagar de varas das Águas Altas, hoje em ruínas.
Ponto de partida e de chegada:
Água Formosa
Distância: 7 km
Dificuldade: Baixa

DISTRITO DE LEIRIA


Figueiró dos Vinhos
Caminho do Xisto do Casal de São Simão – Descida às Fragas
Encavalitado numa encosta sobre um imenso vale, o casario em xisto da aldeia de São Simão confunde-se com as fragas das serranias circundantes. Com partida do centro da localidade, este percurso passa por alguns dos locais de maior beleza em seu redor. Logo à saída, encontra-se a maior mancha de sobreiros do concelho, numa imagem em tudo contrastante com a paisagem de pinheiros e eucaliptos que, nas últimas décadas, substituiu o bosque autóctone da região. O caminho continua pelo Vale da Abundância, assim chamado por ser a antiga área de cultivo da aldeia, e onde hoje apenas persistem algumas árvores de fruto. A paisagem volta a mudar ao atravessar o “bosque reliquial”, uma surpreendente mancha de floresta Laurissilva, verdadeiro monumento vivo do que foi esta região há milhares de anos. Continua-se agora ao som da água corrente, ao longo da margem da ribeira de Alge, com as antigas levadas e azenhas a remeterem para um outro tempo, de relações estreitas entre Homem e Natureza. Um pouco mais à frente, surge finalmente o ponto alto deste roteiro, as imponentes Fragas de São Simão, onde uma grandiosa escarpa, rasgada pela força da água, forma uma aprazível praia fluvial, irresistível quando o tempo está quente. No caminho de regresso, passa-se ainda por Além da Ribeira, uma aldeia com meia dúzia de casas desabitadas, mas com alguns moinhos de água ainda em funcionamento. O trilho continua depois, submerso no bosque, ao longo da ribeira do Fato, antes de novamente seguir em direção ao Casal de São Simão.
Ponto de partida e de chegada: Casal de São Simão
Distância: 5 km
Dificuldade: Média

Jose Carlos Carvalho

Castanheira de Pera
Ribeira das Quelhas

Com princípio e fim na aldeia do Coentral, também conhecida pelos poços de neve que abasteciam Lisboa de gelo, este percurso cruza as margens das ribeiras das Quelhas e de Pera, numa caminhada sempre embalada pelo som das suas límpidas águas correntes. Junto ao cabril comunitário, onde se abrigam os rebanhos da aldeia, proliferam os carvalhos, azevinhos e castanheiros tão típicos destas paisagens serranas. Sempre a subir até aos imponentes penedos de xisto e granito conhecidos como as Fragas do Quelhas, o visitante é surpreendido por um conjunto de belas cascatas, junto às quais se formam pequenos lagos, irresistíveis a um refrescante mergulho quando o tempo o permite. A descida faz--se pela Estrada Branca, até quase ao caminho de alcatrão, seguindo então por uma reentrância, ao longo da velha levada que conduz ao Vale Silveira, um souto de castanheiros de rara e luxuriante beleza.

É agora tempo de regressar de novo ao Coentral, mas não sem antes visitar as belas cascatas da ribeira de Pera, ou não fosse este um percurso onde as surpresas se sucedem a cada passo.
Ponto de partida e de chegada: Coentral
Distância: 5 km
Dificuldade: Média

DISTRITO DE COIMBRA


Penela
Caminho do Xisto de Ferraria de São João
– Trilho do Rebanho

Do Centro de BTT de Ferraria de São João, este trilho, ainda hoje usado pelos pastores, começa por descer até ao centro da aldeia. Aqui podem ser apreciados os tradicionais currais, alguns deles ainda a uso, que são a imagem de marca da Ferraria e onde, ao contrário do que é costume na região, os abrigos para os animais encontram-se afastados da zona habitacional. Mesmo ao lado, fica um sobreiral que a associação de moradores local transformou num espaço público e no qual os visitantes podem até adotar um sobreiro, numa iniciativa original para ajudar a financiar a manutenção destas árvores, muitas delas centenárias. O adotante, para além de poder “usufruir da sombra” da árvore tem ainda direito de opção sobre 50 por cento do valor da venda da cortiça. Após passar o casario, o trilho atravessa as hortas da aldeia, plantadas ao longo da ribeira das Ferrarias que aqui nasce e cujas margens acompanha a partir daí.
Ponto de partida e chegada: Centro de BTT de Ferraria de São João
Distância: 5 km
Dificuldade: Média

Miranda do Corvo

Caminho do Xisto do Gondramaz – Nos Passos do Moleiro

Percorrer este trilho é quase como viajar no tempo, recordando o trajeto outrora feito diariamente pelos moleiros que por ele acediam aos vários moinhos de água existentes junto da ribeira de Espinho. Com início no centro da típica aldeia do xisto do Gondramaz, o caminho começa por descer a encosta, permitindo também ao visitante o acesso à derivação que conduz ao Penedo dos Corvos, de onde se pode apreciar uma vista panorâmica sobre o vale. O percurso principal continua entretanto pelo antigo souto de castanheiros, com passagem pela aldeia de Galhardo, até finalmente atingir a ribeira, que acompanha a partir daqui, cruzando-a várias vezes, até quase ao final do passeio, junto ao Parque de Merendas da Chapinha.
Ponto de partida: Gondramaz
Ponto de chegada: Parque de Merendas de Chapinha
Distância: 5,5 km
Dificuldade: Alta


Jos\303\203\302\251 Caria

Lousã
Caminho do Xisto da Lousã – Rota das Aldeias

O castelo da Lousã é o ponto de partida para uma jornada pela serra e pelas aldeiasdo Talasnal e Casal Novo.

A primeira parte do caminho, em alcatrão e a descer, conduz a uma aprazível praia fluvial, encimada pela Ermida de Nossa Senhora da Piedade, cada vez mais distante, à medida que se sobe a encosta – primeiro por um trilho escavado na rocha, com uma vista deslumbrante sobre o desfiladeiro, e, depois, mais a pique, por um carreiro entre os pinheiros. Com uma altura máxima superior a 1 200 metros, a serra da Lousã é conhecida pelos seus quase intocados espaços naturais, onde é possível avistar corços, veados e javalis. Hoje, as típicas Aldeias do Xisto, apesar de recuperadas, estão praticamente desabitadas e mais não são que uma memória de outros tempos, como se constata à chegada ao Casal Novo. Entretanto, o caminho de terra batida dá agora lugar a um pequeno trilho, que serpenteia, para cima e para baixo, pela floresta – em certos locais mesmo na beira da encosta. A paisagem é deslumbrante, mas o terreno acidentado obriga a atenção redobrada. Eram estes os caminhos usados pelos antigos aldeões no seu dia a dia e, ao percorrê-los, não podemos deixar de pensar na dureza desses tempos. Do alto, avista-se já o Talasnal, que ao fim de semana recupera a vida de outrora, entre as muitas famílias da região que aqui têm casas de férias e os cada vez mais regulares visitantes, vindos em busca de uma natureza quase virgem. É agora tempo de voltar a descer, até à antiga Central Hidroelétrica da Ermida, uma peça de arqueologia industrial, que em tempos serviu para iluminar a vila da Lousã. Passadas as águas da ribeira de São João, que aqui corre em cascata, a estrada volta a alargar e, ao longe, já se vê novamente o castelo.
Ponto de partida e de Chegada: Castelo da Lousã
Distância: 6 km
Dificuldade: Alta

Filipe Paiva

Caminho do Xisto da Lousã – Rota dos Moinhos

Este caminho começa por percorrer o centro histórico da vila da Lousã, com passagem por edifícios como a igreja matriz, do século XIX, o Palácio da Viscondessa do Espinhal, atualmente transformado num hotel de charme, ou a antiga Fábrica do Papel do Prado, criada no século XVIII. Do lado esquerdo da fábrica, junto à antiga sede do Clube Cultural dos Trabalhadores, a vila fica finalmente para trás, ao entrar-se por um caminho de terra junto à levada que transportava a água da ribeira de São João até à fábrica. Ao atingir o curso de água, o caminhante pode escolher atravessá-lo e seguir por um caminho que conduz até às grutas da senhora da Piedade ou continuar ao longo da ribeira para descobrir os moinhos.
Ponto de partida e de Chegada: Lousã
Distância: 6 km
Dificuldade: Média

Jos\303\203\302\251 Caria

Góis
Caminho do Xisto das Aldeias de Góis

Este percurso circular une as quatro Aldeias do Xisto do concelho de Góis: Aigra Nova, Aigra Velha, Pena e Comareira. Saindo de Aigra Nova serra acima, seguindo pelo caminho ainda hoje usado pelos pastores da terra, depressa se chega a Aigra Velha, outrora uma das mais importantes aldeias da região, conhecida pelos seus imensos rebanhos de cabras. Nesses tempos, a aldeia funcionava como uma autêntica fortaleza, com portões que se fechavam à noite, para se proteger dos ataques dos lobos, também eles já desaparecidos desta região – hoje são os veados e os javalis que abundam na serra. Começa-se então a descer em direção à ribeira da Pena, avistando-se já ao longe os imponentes Penedos de Góis. Ao chegar à ribeira, segue-se a levada até à aldeia da Pena, situada junto ao Penedo da Abelha, famoso pelas paredes de escalada. Novamente a descer, atinge-se finalmente a Comereira, de onde já não falta muito para regressar de novo ao ponto de partida.
Ponto de partida e de Chegada: Aigra Nova
Distância: 9 km
Dificuldade: Alta


Pampilhosa da Serra Caminho do Xisto de Fajão – Subida aos Penedos

Na zona de fronteira entre as diversas beiras, a histórica aldeia de Fajão é uma terra de muitas lendas e tradições, que este caminho permite conhecer, através dos trilhos montanhosos percorridos noutras épocas pelos almocreves, até ao alto dos Penedos da Penalva. A aldeia fica num vale, perto da nascente do rio Ceira, com seu o casario em xisto espalhado pela encosta, onde sobressai a antiga cadeia e tribunal, edifício imortalizado nos famosos Contos do Fajão, um conjunto de histórias populares recolhidos pelo monsenhor Nunes Pereira, cuja casa-museu é também ela merecedora de uma visita mais demorada, para apreciar as pinturas e xilogravuras deste padre artista.
Ponto de partida e de chegada: Fajão
Distância: 4 km
Dificuldade: Baixa


Caminho do Xisto de Janeiro de Baixo

Com início na praia fluvial de Janeiro de Baixo, este caminho segue o antigo trilho que unia esta povoação à aldeia vizinha de Ademoço, de onde segue em direção à garganta quartzítica conhecida por Antro dos Penedos, um dos pontos mais espetaculares de todo o percurso que aqui parece estrangular o Zêzere. Um pequeno trilho, cortado pelo meio de um campo de medronheiros, conduz pela serra de Janeiro acima, com uma vista panorâmica sobre o rio. No final da descida, cruza-se a estrada que vem de Pampilhosa da Serra, para entrar num trilho antigo, com sulcos deixados pelos velhos carros de bois, que segue, sempre junto ao rio, de regresso até Janeiro de Baixo.
Ponto de partida e de chegada: Janeiro de Baixo
Distância: 10 km
Dificuldade: Média