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4 tesouros para descobrir no Tejo-Ocreza

Coração no centro de Portugal

É o grupo mais pequeno, só com quatro aldeiras, mas com maior distribuição territorial. Localizam-se no território com menos influência atlântica e com maior predomínimo mediterrânico

Água Formosa

Bem no centro de Portugal, onde a tradição renasce e se reinventa

A 10 quilómetros do Centro Geodésico de Portugal, a aldeia esconde-se, entre a ribeira da Corga e a ribeira da Galega, numa encosta. Aqui ainda se encontram vestígios das tradições antigas, como os vários fornos a lenha espalhados pela aldeia; mas também evidências de tradições ligadas à utilização da força da água.

Nesta aldeia somos cativados pela sincera simpatia dos habitantes, pelo caminho calcetado que conduz à fonte de água puríssima, um antídoto para o calor que também mata a sede de descanso. Experimente ainda atravessar a ponte pedonal sobre a ribeira para apreciar uma outra perspetiva da aldeia. Com a requalificação da aldeia surgiram novos habitantes, e uma unidade de alojamento surgiu num dos últimos anos. Há novas hortas à volta de toda a aldeia e árvores de fruto.

A aldeia revive. O património existente corresponde a um conjunto de construções tradicionais que parecem fazer parte da paisagem desde tempos remotos.

A ver
Eira dos Réis
Na periferia da aldeia e onde, pelos finais do verão, ainda se seca o milho, os feijões e a palha.
Forno a lenha
No centro da aldeia, ainda em funcionamento... e não só para cozer pão.
Azenha
De cerca de uma dúzia de azenhas que existia ao longo da ribeira, apenas subsistem três e destas apenas uma ainda está em funcionamento.

Natureza
Nas águas da ribeira podemos ver cágados e mesmo lontras. Nas margens, bem próximo da água, podemos observar o feto-real (Osmunda regalis), um dos maiores fetos que ocorrem em Portugal, com grandes e lindas frondes. Cada uma pode atingir mais de um metro de comprimento.
A origem do nome
Apesar das suas dimensões reduzidas, os habitantes de Água Formosa dividem a aldeia em dez áreas distintas, cada uma com um nome bem curioso: Badalinho, Tulhas, Horta de Milho, Horta da Nogueira, Lajes, Hortinha, Sobreiros, Horta da Levada, Labrusca e Rua da Eira.

Sarzedas

A única aldeia do xisto que teve um título nobiliárquico atribuído

Sarzedas distingue-se pelos traços de cor que lhe marcam as fachadas das casas rebocadas a caminho da fonte da vila. Antiga vila e sede de concelho, o seu pelourinho, o largo, as igrejas e as capelas sobressaem numa malha urbana com casas de belo traçado e volumes grandiosos. No Alto de São Jacinto, junto à igreja Matriz, o campanário com a sua torre sineira ergue-se solitário sobre a aldeia. Está-se bem aqui, a pensar na história deste lugar cujo povoamento se deve a D. Gil Sanches.

O material de construção predominante é o xisto. A grande maioria das fachadas está rebocada e pintada, nalguns casos utilizando cores garridas em decorações características da Beira Baixa.

O título de Conde de Sarzedas foi criado em 1630, por Filipe III, e utilizado por vários titulares. Os Condes de Sarzedas tiveram a sua moradia no Palácio da Palhavã, em Lisboa, edifício hoje ocupado pela Embaixada de Espanha.

A ver

Património

Pelourinho, igreja matriz, torre sineira, Capela da Misericórdia, fonte da vila

Capela de São Pedro
Datada de 1603. Templo de linhas muito simples. No interior conserva uma imagem do padroeiro.
Capela de Santo António
Pequeno templo de planta retangular, orientado a poente. Portal de ombreiras retas e padieira ligeiramente curvado. Pequena janela à direita e óculo por cima do portal.

História
Para Sarzedas a História documentada começa em 1210, quando D. Sancho I (reinado: 1185-1211), com o cognome O Povoador, solicita ao concelho da Covilhã, um herdamento (uma herança) dentro do seu termo para o monarca entregar ao seu filho bastardo, D. Gil Sanches, e ao clérigo fidalgo,
D. Paio Pais, seu arcediago.

Natureza
Sarzedas foi implantada na paisagem da charneca, como que ainda ameaçada pelas alturas da serra do Muradal.

Onde fica
A aldeia de Sarzedas insere-se no concelho de Castelo Branco (18 km), região da Beira Interior Sul. Está situada à beira daquela que foi, desde o séc. XVIII e até grande parte do séc. XX, a principal estrada de Castelo Branco para Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes/Lisboa e Coimbra.

Figueira

Aqui o forno comunitário ainda tem o quente aroma do pão acabado de cozer

Figueira é uma aldeia em xisto, praticamente plana e de fácil circulação. O seu núcleo central esconde no seu emaranhado de ruelas o forno comunitário. Na sua envolvente, terrenos agrícolas povoados de oliveiras dão origem ao “ouro verde” que já foi a riqueza da aldeia.

O acesso à aldeia coloca-nos numa bifurcação cujos caminhos envolvem o casco antigo do povoado, que forma um labirinto onde a todo o momento a presença de múltiplos pormenores da arquitetura tradicional nos transporta para outros tempos. Hortas, quintais, arrumos agrícolas, currais e capoeiras convivem em todo o espaço urbano.

O material de construção predominante é o xisto, embora algumas fachadas dos edifícios estejam rebocadas e pintadas. Existe um padrão construtivo na utilização do xisto que distingue esta das outras Aldeias do Xisto: muitas ombreiras das portas são irregulares e em alguns muros constatamos um pouco comum assentamento vertical do xisto. Os quintais são delimitados por lajes de xisto espetadas na vertical.

Sente-se aqui um modo de vida comunitário outrora partilhado. Exemplo é o forno comunitário, a eira, e as “portas” da aldeia que se fechavam de modo a proteger os animais dos lobos que, pela noite, rondavam em busca de alimento. Os largos existentes mantêm-se em terra onde pasta e/ou circula o gado, o mesmo que ainda anda pelas ruas da aldeia.

A ver
Loja das Aldeias do Xisto
Variada gama de produtos e pão cozido em forno de lenha. É aqui o restaurante
Casa Ti'Augusta.
Casa da família Balau
É o edifício mais notável da aldeia (séc. XIX).
Forno comunitário
É o ex-líbris da aldeia. Continua a cozer pão.
Moinhos
Existem vários ao longo das margens da ribeira, possíveis de visitar.

História
O núcleo central da aldeia poderá remontar ao séc. XVII. Consta que por aqui existiram famílias que detinham o saber da utilização da pedra em construções. A aldeia terá sido uma escola onde esse saber ficou guardado.
Natureza
Aqui nasce a ribeira da Figueira, que aflui à ribeira das Moitas, a qual, muitas mais curvas e contracurvas depois, encontra o rio Ocreza e este o Tejo.
A origem do nome
Na aldeia e pela sua envolvente, as figueiras são muito frequentes. Não será despropositado ligarmos o nome da aldeia a esta árvore fruteira, quer pela sua abundância já no passado quer por algum exemplar mais notável que tenha existido em qualquer ponto central da aldeia.

Martim Branco

Parece parada no tempo, é verdade, mas mantém a genuidade... de outros tempos

A aldeia ficou ali, ao lado da ribeira, a ver as pessoas a partir. E assim permaneceu durante muito tempo, até que, há alguns anos, despertou dessa dormência. Os fornos comunitários são os elementos mais interessantes em Martim Branco. Basta provar o pão para perceber porquê...

Num terreno de variados relevos, ora altos ora baixos, ora estreitos ora largos, ora arredondados ora bicudos, é neste tipo de paisagem que vive Martim Branco. Esteios de xisto erguem-se nos quintais. Antes dividiam propriedades, agora unificam a identidade da aldeia. Algumas casas testemunham o raro casamento do xisto com o granito, união de materiais que garante a qualidade e a perenidade dos imóveis. As portas ostentam belas e vistosas ferragens.

Martim Branco é uma aldeia de pequena dimensão, situada entre penedias de xisto e de quartzo, que não possui qualquer património construído do tipo religioso ou cultural. A aldeia desenvolve-se a partir de duas vias – a Rua Principal e a Rua da Bica –, apresentando uma configuração longitudinal.

História
D. Sancho I solicitou para o seu filho D. Gil Sanches a concessão de Sarzedas, na forma de herança.
A régia pretensão foi atendida e, em 1212, D. Gil Sanches e Paio Pais concedem foral e costumes, com vista a restaurá-la e a povoá-la. Foi a partir dessa data que a ocupação da freguesia de Almaceda, onde se inclui a povoação de Martim Branco, se tornou uma realidade.

Natureza
Ao longo da ribeira de Almaceda abundam essências florestais comuns em quase toda a Beira Baixa: o pinheiro, o sobreiro, a azinheira e a oliveira. A fauna é variada: raposas, coelhos, lebres, perdizes, tordos, tentilhões, pintassilgos, codornizes, cucos e cotovias.

Onde ficar
Distando um total de 24 km de Castelo Branco, Martim Branco está apenas a escassos 2 km da EN112, a estrada que de Castelo Branco passa entre a serra do Muradal e da Gardunha, rompendo a serra do Açor a caminho da serra da Lousã.