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‘Planta Madre’ de Gianfranco Quattrini

Dois 'travel movies', marcaram esta jornada final da competição onubense: 'Planta Madre' de Gianfranco Quattrini, uma alucinada remissão do passado e uma brilhante homenagem a um ídolo musical do rock argentino; depois com o filme venezuelano, 'La Distância Más Larga' de Claudia Pinto, sobre uma família redimida entre a beleza da montanha e a selva da grande metrópole. 

José Vieira Mendes

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Começemos pelo melhor com 'Planta Madre', do realizador peruano-argentino, Gianfranco Quattrini, uma homenagem a um velho rockeiro, que supostamente liderou uma mítica banda na cena musical underground em Buenos Aires, nos anos 60: Diamod Santoro. A banda, passava por uma fase de indefinição, provocada pelo excesso de consumo de drogas, e acaba com a morte de Nicky, o irmão mais novo e cumplice desde deste projecto musical. O trágico acontecimento leva Santoro ao desespero e a um exílio de solidão e ostracismo nos EUA, sem nuna mais pegar na guitarra. Pierina, a última namorada de Nicky envia-lhe no entanto, um caderno de apontamentos do irmão. Eis que ao desfolhá-lo Diamond decide fazer a viagem que Nicky não chegou a realizar a Iquitos, no Perú. Santoro viaja para o interior, para se encontrar com o curandeiro Ayahuasquero Solón, participar num alucinatório ritual e libertar-se da sua suposta culpa, pela morte do irmão. 'Planta Madre' é um filme sobre a nostalgia do rock. A onda hippie dos anos 60 na América Latina, foi marcada pela fusão cultural do mundo anglo-saxónico, com a cultura indígena: o rock argentino e a cumbia peruana. A viagem de Santoro à amazónia (nirvana) peruana, para curar a sua culpa é intercalada com os flash backs sobre os dois irmãos e sobre a evolução da banda até ao final, numa história que faz lembrar a dos The Doors e de Jim Morrisson ou de Kurt Cobain dos Nirvana. A música está pouco presente, em 'Planta Madre' mas o filme acaba também por ser uma fascinante evocação da realidade caótica, do tráfico e da violência vividas na tripla fronteira entre Perú, Brasil e Colombia, que parece a Índia ou um país do sudoeste asiático. Duas perspectivas dramáticas serviram Claudia Pinto, a realizadora de 'La Distância Más Larga' para criar este 'road movie' de género, sobre a fuga de um miúdo ao pai e a viagem da sua avó para a savana venezuelana, para morrer em paz, com uma doença terminal e reencontrar-se com seu passado. O filme, começa de uma forma violenta, com o assassínio inusitado de uma mãe de familia, na grande metrópole de Caracas. No entanto, vai-se desenvolvendo aos poucos um clima de ternura e amor, para resolver os problemas desta família dividida, por várias razões. 'La Distância Más Larga' é uma história de redenção familiar tratada com muita sensibilidade e inspiração. Mas é também um retrato dos contrastes socias da Venezuela. De um lado a violência e o caos urbano de uma cidade superpovoada. Por outro a visão de um país que possui ainda, um paraíso longínquo, uma natureza quase imaculada, grandes extensões, montanhas telúricas, águas plácidas e cachoeiras, que podem  limpam o corpo e a alma, nas conjunturas mais dificeis da vida. É por isso que esta viagem redentora, termina quando duas vidas se aproximam e outra chega ao fim. Uma interpretação demasiado sentida e exagerada da actriz espanhola, Carme Elías, mas excelentes registos dos actores mais jovens, que reforçam a naturalidade e simplicidade da história.

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