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VENEZA 69: ENTRE SEXO E RELIGIÃO

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THE MASTER, de Paul Thomas Anderson

  As más línguas dizem que a programação desta edição, que começa amanhã e termina a 8 de Setembro,  centra-se demasiado nos temas da cientologia e do sexo. O objectivo, falam é gerar um certo burburinho mediático e alguma controvérsia à volta do evento, que apesar de ser o mais antigo festival de cinema do mundo, tem perdido uma certa importância devido à forte concorrência dos seus rivais mais próximos: Festival de Toronto e o Festival de Roma.

José Vieira Mendes

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Quase a comemorar o seu 70º Aniversário a mostra anual  realizada na nostálgica ilha do Lido, já há alguns anos que tem de competir com sobreposição de datas do Festival de Toronto, no Canadá. Cada vez mais próximo do grande mercado da indústria americana, o Festival de Toronto parece novamente este ano atrair em quantidade, alguns dos melhores filmes da reentrée, e garantir a presença das maiores estrelas da temporada no seu tapete vermelho e por último um circuito de festas e eventos paralelos incontornáveis.  Geralmente, as festas e a diversão paralela é o prato mais fraco do Lido, apesar do bom ambiente que proporciona aos festivaleiros. A Mostra de Veneza tem agora mesmo outro adversário de peso e de proximidade o Festival de Roma, que se realiza em Novembro, e que reforçou as suas credenciais ao contratar Marco Mueller, respeitado programador e director artístico, que terminou o seu contrato o ano passado com a Mostra de Veneza.

 

A SOMBRA DE MULLER

Muller foi substituído por um regressado Alberto Barbera, um homem menos excitante como programador é verdade, mas que conhece os cantos à casa e que parece estar bem ciente de que a crise, os preços elevados no acolhimento dos festivaleiros, as obras intermináveis nas velhas e decadentes infra-estruturas no Lido, (o atraso na abertura do novo Palácio dos Festivais) acabaram por jogar a favor dos seus rivais. Para criar alguma novidade, dar uma pequena sapatada na concorrência, Barbera criou mesmo assim este ano um pequeno mercado de filmes: o objectivo é tornar a Mostra de Veneza comercialmente mais atraente para os estúdios, produtores e vendedores internacionais. Mas com o fim do ano a aproximar-se, Cannes há tão pouco tempo, há grandes dúvidas sobre quantos negócios esta iniciativa possa gerar e ter algum êxito. De qualquer modo vai certamente animar um pouco mais as noites e os dias do Lido.

As tarefas principais de Barbera foram na verdade atrair uma selecção de filmes que garantam a sempre insaciável curiosidade da crítica, grande qualidade artística, uma forte presença de estrelas,  impacto mediático e tudo isto com um baixo orçamento, devido à pressão da crise que naturalmente se fez sentir igualmente no Festival. Com todos estes condicionalismos mesmo assim as perspectivas de uns 'dias de cinema' bem passados entre 29 de Agosto e 8 de Setembro parecem muito promissores.

 

FESTIVAL DE GERAÇÕES

Este ano não teremos a presença do George Clooney, um habituée de Veneza, nem pesos pesados como Angelina Jolie ou Johnny Depp. Mas antes de um grupo de estrelas em ascensão, irão compensar em parte estas ausências galácticas e ajudar a ultrapassar a imagem bastante convencional de Veneza. Um filme baseado na vida de Michael Jackson é uma das grandes atracções. Os jovens Zac Efron e Shia LaBeouf, populares actores americanos de vinte e poucos anos estão a tentar romper com a sua habitual imagem associada aos filmes musicais ou aos blockbusters, para se apresentarem em interpretações mais autorais. Selena Gomez, uma das jovens estrelas da Disney, atriz e cantora, (ao que se diz namorada do jovem top ten mundial Justin Bieber), vai estar na cidade para promover uma série de filmes que vai lançar este ano e um deles um pouco insperado para a carreira da actriz. Robert Redford e Julie Christie representam uma grande geração do cinema, e juntamente com Rachel McAdams, Ben Affleck e o sempre imprevisível Joaquin Phoenix vão passar pela na passadeira vermelha do Lido, vão estar disponíveis para entrevistas e promover seus filmes.

 

SEXO E CIENTOLOGIA

Um dos filmes mais aguardados de Veneza é sem dúvida 'The Master', de Paul Thomas Anderson, sobre uma seita religiosa, que quem já viu (e devem ter sido muito poucos), se parece claramente com a Cientologia, e o papel de Lancaster Dodd, interpretado por Philip Seymour Hoffman, não é nem mais nem menos do que L Ron Hubbard, fundador da Igreja da Cientologia. O realizador tem procurado de certa forma descolar-se de qualquer tipo de comparações.

Depois da religião, o sexo é também uma prioridade na agenda festivaleira, isto se falarmos estritamente em termos cinematográficos. O resto logo se vê! Primeiro com suspense de 'Passion' de Brian De Palma, uma história de vingança trabalhada até à exaustão, pelo realizador e protagonizada por Rachael McAdams e Noomi Rapace. A combinação de sexo e religião é o preparado cinematográfico de 'Pieta', do controverso realizador sul-coreano Kim Ki-duk; o misterioso e genial Terrence Malick, está de volta ao circuito europeu a pouco mais de um ano de 'Árvore da Vida' que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e vai apresentar 'To The Wonder', com muitas cenas de nudez e sexo, pelo menos atendendo à classificação que lhe foi atribuída.

 

DIVERSIDADE NA COMPETIÇÃO

A competição é constituída por 18 filmes com destaque para 'Bella Addormentata' de Marco Bellocchio sobre Eluana Englaro, uma mulher que ficou em estado vegetativo devido a um acidente de viação, e que esteve no centro de um caso de direito de morrer, que dividiu opiniões em Itália. A competição conta ainda com nomes conhecidos do circuito de festivais, como o japonês Takeshi Kitano, que atua e dirige 'Outrage: Beyond', continuação de 'Outrage' (2010); o francês Olivier Assayas ('Après Mai); o filipino Brillante Mendoza ('Thy Womb'). Muita curiosidade igualmente para o filme norte-americano 'Spring Breakers', em que quatro miúdas, lideradas pelas estrelas adolescentes Selena Gomez e Vanessa Hudgens, resolvem assaltar uma lanchonete para terem dinheiro para as férias de verão. James Franco também está no elenco. O filme é dirigido por Harmony Korine, famoso por escrever o argumento do polémico 'Kids' (1995). Fora da competição, serão exibidos os novos filmes de Robert Redford e Spike Lee. O primeiro apresenta 'The Company You Keep", no qual Redford também atua, ao lado de atores como Shia LaBeouf e Julie Christie. Spike Lee mostra o documentário 'Bad 25', sobre Michael Jackson. O festival abre com 'The Reluctant Fundamentalist', de Mira Nair, com Kate Hudson e Kiefer Sutherland no elenco, um filme que segue um imigrante paquistanês nos EUA, que vê a sua vida destruída pelas causas do 9/11; e fecha com um filme protagonizado por Gerard Depardieu, 'L'Homme Qui Rit', do francês Jean-Pierre Ameris. Estes últimos dois filmes estão fora da Competição Oficial. O veterano realizador português Manoel de Oliveira, cineasta mais velho em atividade no mundo, aos 103 anos, estreará o seu mais recente trabalho, 'O Gebo e a Sombra', também fora de competição. O júri vai ser presidido pelo cineasta Michael Mann e terá a participação, entre outros, da atriz britânica Samantha Morton, do realizador argentino Pablo Trapero e da atriz e modelo francesa Laetitia Casta.