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UM DUELO DE ATRIZES

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Las Analfabetas, com Paulina Garcia e Valentina Muhr.

Por fim, e para terminar os filmes desta competição ibero americana 2013, uma referência especial para 'Las Analfabetas', do chileno Moisés Sepulveda, uma história singular e realista, sobre a analfabetismo no Chile, passada quase sempre no mesmo décor como no teatro, um duelo de duas grandes actrizes, uma delas Paulina Garcia ('Gloria') e a outra Valentina Muhr. 

José Vieira Mendes

Apesar da evolução económica e cultural das últimas décadas, o Chile é um país com um nível bastante elevado de anafabetismo e iliteracia. E foi isto mesmo que revelou a grande actriz Paulina Garcia, quando da passagem de 'Las Analfabetas', esta primeira obra de Moisés Sepulveda, o Chile pela Semana da Crítica, no último Festival de Veneza. Esta longa-metragem resulta como é logo evidente no dispositivo cénico, da adaptação de uma peça teatral do jovem dramaturgo chileno Pablo Paredes, que assina o guião e parceria com o realizador. Curiosamente esta versão cinematográfica foi interpretada pelas mesmas protagonistas da montagem teatral: Paulina Garcia e Valentina Muhr.  Ximena (Paulina Garcia), é uma mulher madura (como na premiada 'Gloria', de Sebastian Lelio' que vive sozinha e tenta esconder o mais que pode o seu analfabetismo. Josephine (Valentina Muhr), é uma jovem professora primária desempregada que se propôe ensinar Ximena a ler. Aos poucos vai-se desenvolvendo uma relação ora de afectos e compreenção, ora de enfrentamento e discussão, entre as duas mulheres de cultura e geração diferentes. Com as mesmas protagonistas do palco (e apesar da sua extraordinária quimica interpretativa), esta primeira obra de Moisés Sepulveda não consegue fugir ao registo e estrutura do drama teatral, com uma planificação demasiado rígida e estática, uma fotografia escura e poucos exteriores. Embora Paulina Garcia na rua, interprete uma das melhores cenas do filme. Afinal de contas para alguns realizadores, como Manoel de Oliveira, o cinema é 'teatro filmado'. 'Las Analfabetas', é acima de tudo um filme de mulheres, que vale pelo trabalho das duas grandes actrizes (a jovem Valentina Muhr é uma revelação), numa história intíma, simples e realista, que serve para o realizador (e o dramaturgo) denunciar internacionalmente (e essa é uma capacidade do cinema, que o teatro, tem em menor escla), o analfabetismo, como um sinal de subdesenvolvimento, num país que depois da ditadura de Pinochet, pretende ser um modelo das democracias da América Latina.

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