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TRÊS DIAS DE CINEMA PERTO DO MAR

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Uma sessão no interior do Cine Sol.

O filme 'Two Years at Sea', do britânico Ben Rivers foi o vencedor do primeiro festival independente madeirense, realizado no passado fim de semana no velho edifício do Cine Sol, com vista para o Oceano Atlântico e na bela praia da Ponta do Sol, a cerca de 30 Km do Funchal.  

José Vieira Mendes

Na madrugada de domingo terminou o MMiFF-Madeira Micro International Film Festival, um evento de cinema independente, que decorreu entre 6 e 8 de Dezembro com a exibição de sete filmes europeus, em duas sessões diárias (daí a alusão ao micro-festival). O júri, constituído pelo realizador português Manuel Mozos, designer gráfico madeirense Pedro Clode, programador independente Benfeghoud Yazid (Alemanha), distribuidor internacional online Efe Cakarel (Reino Unido) e o crítico e jornalista José Vieira Mendes (Portugal), analizou a concurso, um conjunto de seis filmes que se enquadravam, pode-se dizer no género fantástico e terror, de algum modo inspiradores da paisagem em redor. O sétimo filme diferente dos restantes, foi apresentado extra-competição, numa estreia mundial concertada nessa mesma noite, em vários pontos do globo (inclusive no Teatro do Bairro em Lisboa, nas comemorações do 10º aniversário do Indie Lisboa): 'The Valtari Mystery Film Experiment', uma obra colectiva concebida por vários realizadores que interpretaram em curtas metragens, os temas do novo álbum da famosa banda islandesa Sigur Rós. O júri premiou 'Two Years at Sea' de Ben Rivers (Prémio FIPRESCI, no Festival de Veneza 2011), confirmando a beleza onírica deste filme-instalação do cineasta Ben Rivers, considerado como um dos novos talentos do actual cinema britânico. Usando aparentemente técnicas cinematográficas antiquadas e analógicas, incluindo a 'película velha' e formato 16mm, a preto e branco, Rivers fez uma curiosa alusão à tradição poética expressionista da década de 1930 e 1940. A sua longa-metragem conta a silenciosa história (sem diálogos) de Jake, um homem que poderia ser convencionalmente considerado um excêntrico ou um marginal, que vai deabulando durante as quarto estações do ano (como um dia na Ponta do Sol), pelas belas paisagens dos confins da Escócia. Relato de um sonho radical de um homem 'Two Years at Sea' é antes demais um filme lento e nostálgico, mas de uma beleza extraordinária e que nos dá uma percepção diferente do tempo que passa, num ambiente o oposto ao da vida urbana. Um ambiente que se pode ainda encontrar na paisagem do monte madeirense. Mas é sobretudo um filme sobre a relação e ligação profunda de um homem com a natureza e com o lugar que escolheu para viver. 'Two Years at Sea' é uma pequena pérola de cinema, que nunca chegará às salas comerciais, mas que merece ser visto.

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O OUTRO LADO DO MUNDO

A menção honrosa dos jurados, não podia haver dois vencedores, foi para 'Mondomanila', do filipino Khavn De La Cruz, um estranho combinado de ficção e 'shockumentary', passado nas favelas de Manila. A vida nas favelas das grandes cidades do Terceiro Mundo já foi filmada de muitas maneiras diferentes ('Cidade de Deus').  Mas talvez nunca com a excentricidade deste 'semi-musical' de Khavn De La Cruz, um realizador que desde 2003 procura mostrar a vida das pessoas e das crianças, dos bairros pobres da capital filipina. O projecto levou quase dez anos a realizar. Em 'Mondomanila' desfilam os mais diversos personagens, como um anti-herói chamado Tony D, um jovem adolescente, filho de uma prostituta que quer ser cantora. Depois os seus amigos que formam uma espécie de gang: Lovely, um anão viciado em jogo, activista favelado, que passa a vida a gritar e Ogo X, o rapper deformado; além de Sgt. Pepers (numa alusão aos 'The Beatles'), um polícia pai de um filho gay-prostituto; e Banners Steve, um velho que representa o turismo sexual e um dos muitos pederastas europeus, que encontram em Manila o seu paraíso de prazer. O filme mostra igualmente uma vida marcada por cores fortes e ao mesmo tempo fascinante, mas sobretudo um mundo violento e bizarro. Para isso Khavn mistura vários géneros de filme: videoclipes exuberantes, filme noir tarantinesco, documentário hiper-realista e um final bollywoodiano, tudo ligado por uma história de certo modo original e uma música empolgante da sua autoria. Entre os seis filmes a concurso diz que sabe e quem participou na decisão o júri escolheu de longe os melhores e as duas propostas mais opostas.

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UM OÁSIS CULTURAL

A escolha dos filmes nem sempre foi a mais acertada, fruto da natural inexperiência programática, com excepção para os vencedores e para dois filmes: a animação norte-americana 'Consuming Spirits' e a homenagem aos clássicos de terror de série B, intitulado 'The Whispers in Darknes'. No entanto, um destaque para a generosa, simples e despretensiosa organização do Madeira Micro International Film Festival, saída de uma colaboração entre a Digital Berlim e a Estalagem Ponta do Sol, que financiou umas pequenas obras no Cine Sol. Trata-se de uma excelente parceria que tem procurado, em paralelo com Madeira Dig-Festival for digital music & art, impôr um nicho de cultura alternativa, na Madeira. Criaram neste oásis cultural, num local tão improvável, um pequeno festival de cinema, recuperando uma espécie de Cinema Paradiso: o velho e decadente, Cine Sol, construído por Antonio Marques Teixeira (1876-1935), preservado pela familia, que mantêm a sua traça original com vista para a pequena baía e praia de calhaus da Ponta do Sol. Antes e depois da exibição dos filmes, houve ainda música e bar a funcionar no terraço do Cine Sol, em ambiente lounge e de tertúlia cinéfila, entre os profissionais presentes, o público local e muitos turistas estrangeiros que encheram o improvisado auditório do Cine Sol.

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www.mmiff.com

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