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'REPAREM BEM' NESTA 'TATUAGEM'

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Maria de Medeiros, uma vencedora em Gramado 2013.

Confirmando todo o favoritismo, o filme pernambucano 'Tatuagem', e uma extraordinária primeira obra de Hilton Lacerda, sobre a resistência artística de uma libertária companhia de teatro nos tempos da ditadura militar, na década de 70 no Brasil foi o grande vencedor da competição de longas metragens brasileiras. A atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros, como previsto não saiu de mãos a abanar. Ganhou um Kikito na categoria de longas estrangeiras e o Prémio D. Quixote, (atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes) com o seu documentário 'Reparem Bem', um poderoso olhar em discurso directo sobre três gerações de mulheres, que lutaram contra as ditaduras e autoritarismo. (em Gramado)

José Vieira Mendes

'Tatuagem', o filme dirigido por Hilton Lacerda, teve uma justa e ampla vitória ao arrecadar quarto prémios: o Kikito de Melhor Filme, Prémio da Crítica, Prémio de Melhor Actor para Irandhir Santos e o troféu de Melhor Banda Sonora para o DJ Dolores, que criou os ambientes musicais. O filme de Lacerda é na verdade uma das mais arriscadas propostas desta competição brasileira e um dos filmes que teve a sua 'premiere', nesta competição gramadense. 'Tatuagem' é ambientado em 1978 e atravessa a onda de contestação artística ao regime militar vigente, realizada por um companhia teatral, numa espécie de cabaré gay do Recife. É nesse ambiente comunitário de anarquia e deboche, mas também de muita criatividade e resistência política, que Clécio (Irandhir Santos), o líder carismático deste grupo teatral, tem um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia), até que se apaixona pelo jovem soldado Fininha (Jesuita Barbosa). Segundo Hilton Lacerda, (argumentista de 'Amarelo Manga' ou 'A Febre do Rato, que se estreia como realizador), no discurso de agradecimeto, disse que o tema central de 'Tatuagem' é acima de tudo um filme de afetos, amor e amizade: 'Estou muito feliz. Queria agradecer a esta equipe incrível que trabalhou no filme. O cinema faz-se com amizade e muito amor. Só sei fazer cinema assim. O nosso filme é uma homenagem à liberdade e à amizade. Queria dedica-lo à possibilidade de abrirmos outros olhares. Surpreendentemente o Prémio de Melhor Realização foi para a dupla de jovens realizadores paulistas Andradina Azevedo e Dida Andrade, por 'A Bruta Flor do Querer'. Trata-se de uma primeira obra e um filme geracional, (os realizadores tem à volta dos 30 anos) sobre o cinema e as suas possibilidades. 'A Bruta Flor do Querer', ganhou também um Kikito pela direcção de fotografia de Gallo Rivas. Praticamente sem concorrência Leandra Leal, ganhou um já esperado, Kikito de Melhor Atriz, pela sua interpretação em 'Éden', de Bruno Safadi. O Palácio dos Festivais viveu um momento de emoção ao relembrar no seu último filme, um dos maiores atores brasileiros: Walmor Chagas. Mesmo assim ganhou o Prémio de Melhor Ator Secundário, pela sua interpretação ao lado de Vladimir Brichta e Clarisse Abujamra (Melhor Atriz Secundária) em 'A Coleção Invisível', de Bernard Attal. Filme que ganhou ainda o importante Prémio do Público. Nos prémios técnicos, a animação gaúcha 'Até que a Sbórnia nos Separe' venceu a Melhor Direção de Arte, pelos primorosos desenhos de Eloar Guazzelli e Pilar Prado. O veterano cineasta e dramaturgo Domingos de Oliveira saiu de Gramado com (mais) um Kikito, de Melhor Argumento.

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MARIA DE MEDEIROS: A MELHOR ESTRANGEIRA

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Nas competição de longas metragens estrangeiras o tocante documentário 'Repare Bem', da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros, foi escolhido como Melhor Filme. No entanto, o filme que não têm qualquer co-produção portuguesa, trata antes uma história bem brasileira: um relato testemunhal da ex-presa política Denise Crispim, companheira do guerrilheiro Eduardo Leite 'Bacuri', morto pela ditadura militar em 1970. Denise conta história da sua atribulada vida, a da sua mãe e o seu relacionamento com a filha, que actualmente vive na Holanda. A actriz em cena em São Paulo com a sua peça não pode comparecer para receber os prémios. O júri de Gramado consagrou ainda e com justiça o lindíssimo filme colombiano 'Cazando Luciérnagas', dirigido por Roberto Flores Prieto: ganhou quatro dos sete Kikitos em disputa: Melhor Fotografia, Melhor Argumento, Melhor Actriz (para a adolescente Valeria Abril) e Melhor Realizador. O Prémio de Melhor Ator, foi para o uruguaio Cesar Trancoso por 'A Oeste do Fim do Mundo', do realizador gaucho Paulo Nascimento, filme que ganhou ainda o Prémio do Público. No entanto, foi uma curta-metragem, o filme que saiu de Gramado com mais Kikitos Trata-se de 'Acalanto' de Artúro Saboia, um filme baseado no conto 'A Carta', do escritor moçambicano Mia Couto e rodado em São Luis do Maranhão (faz lembrar à noite Lisboa Antiga), levou para casa cinco prémios: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Banda Sonora, Melhor Direcção de Arte e Melhor Atriz para a veterana Léa Garcia. O filme que conta igualmente com a excelente interpretação do ator Luiz Carlos Vasconcelos é a história de uma senhora analfabeta (Léa Garcia) que procura amenizar a saudade do seu filho, ao solicitar a um conhecido notário (Luiz Carlos Vasconcelos) para que leia diversas vezes a mesma velha e única carta enviada há dez anos pelo rapaz. Através dessas leituras, uma amizade e cumplicidade vai-se criando entre os dois.

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PRÉMIOS GRAMADO 2013

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Longas-metragens brasileiras

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Melhor filme: "Tatuagem", de Hilton Lacerda

Melhor realizador: Andradina Azevedo e Dida Andrade, por "A Bruta Flor do Querer"

Melhor ator: Irandhir Santos, por "Tatuagem"

Melhor atriz: Leandra Leal, por "Éden"

Melhor ator secundário: Walmor Chagas, por "A Coleção Invisível"

Melhor atriz secundária: Clarisse Abujamra, por "A Coleção Invisível"

Melhor argumento: Domingos de Oliveira, por "Primeiro Dia de Um Ano Qualquer"

Melhor fotografia: Gallo Rivas, por "A Bruta Flor do Querer"

Melhor montagem: Karen Harley, por "Os Amigos"

Melhor direção de arte: Eloar Guazzelli e Pilar Prado, por "Até que Sbórnia nos Sepere"

Melhor banda sonora: DJ Dolores, por "Tatuagem"

Melhor  desenho de som: Edson Secco, por "Éden"

Prémio do júri oficial: "Revelando Sebastião Salgado", de Betse de Paula

Prêmio do público: "Até que a Sbórnia nos Separe" e "A Coleção Invisível" 

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Longas-metragens latino-americanos

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Melhor filme: "Repare Bem", de Maria de Medeiros

Melhor realizador: Roberto Flores Prieto, por "Cazando Luciérnagas" (COL)

Melhor  ator: Cesar Troncoso, por "A Oeste do Fim do Mundo (ARG/BRA)

Melhor atriz: Valentina Abril, por "Cazando Luciérnagas" (COL)

Melhor argumento: Carlos Franco Esguerra, por "Cazando Luciérnagas" (COL)

Melhor fotografia: Eduardo Ramírez Gonzáles", por "Cazando Luciérnagas" (COL)

Melhor filme do público: "A Oeste do Fim do Mundo (ARG/BRA)", de Paulo Nascimento

Prémio especial do júri: Grupo de Teatro Catalinas Sur, por "Venimos de Muy Lejos" (ARG)

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Curtas-metragens nacionais

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Melhor filme: "Acalanto" , de Arturo Saboia

Melhor realizador: Arturo Saboia, por "Acalanto"

Melhor ator: Kauê Telloli, por "A Navalha do Avô"

Melhor atriz: Léa Garcia, por "Acalanto"

Melhor argumento: Francine Barbosa e Pedro Jorge, por "A Navalha do Avô"

Melhor fotografia: Alexandre Samori, por "Arapuca"

Melhor montagem: GilbertoScarpa e Vinícius Gotardelo, por "Merda!"

Melhor direção de arte: Rogério Tavares, por "Acalanto"

Melhor trilha musical: Luiz Oliviéri, por "Acalanto"

Melhor desenho de som: "Tiago Bello, Rita Zart e Marcos Lopes, por "Tomou Café e Esperou"

Prêmio do júri do público: "Acalanto" , de Arturo Saboia

Menção honrosa: "Carregadores do Monte", de Cassio Santos e Julio Lucena

Prémio especial do júri: "Os Filmes Estão Vivos", de Fabiano de Souza e Milton do Prado

Prémio Canal Brasil: "A Navalha do Avô", de Pedro Jorge

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Prémios do Júri da Crítica

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Melhor longa brasileira: "Tatuagem", de Hilton Lacerda

Melhor longa latino-americana: "Repare Bem , de Maria de Medeiros

Melhor curta nacional: "Os Filmes Estão Vivos", de Fabiano de Souza e Milton do Prado

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Prémio Dom Quixote

Vencedor: "Repare Bem", de Maria de Medeiros

Menção Honrosa: "Venimos de Muy Lejos" (ARG), de Ricardo Piterbarg

Menção Honrosa: "A Oeste do Fim do Mundo" (ARG/BRA), de Paulo Nascimento

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