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RENDIDOS A MIGUEL GOMES E A STEPHEN FREARS

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Philomena, de Stephen Frears

A curta-metragem 'Redemption', do realizador português Miguel Gomes, estreou hoje fora da competição e foi muito aplaudida, apesar de ser uma obra experimental e erudita. Antes disso houve mais filmes na competição: 'Philomena', mais um excelente melodrama do irlandês Stephen Frears ('A Rainha'), com Judi Dench, no papel de uma mulher a quem o filho foi tirado e dado para adopção pela Igreja, cinquenta anos antes. Ontem à noite foi a vez de 'Night Moves', da norte-americana Kelly Reichardt ('Wendy & Lucy'), um filme sobre o eco-terrorismo, com um elenco de luxo a começar pelo jovem Jesse Eisenberg ('A Rede Social').  

José Vieira Mendes

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A curta-metragem 'Redemption' de Miguel Gomes é uma obra feita com base em imagens de arquivo, fragmentos, registos em Super 8 e a quarto vozes. Mas vai ficar para a história e para auspicioso percurso do realizador português que aparece aqui com a chancela e importante colaboração da escola Le Fresnoy (França) e Luce-Cinecittá (Itália). A produtora-estúdio, tem aliás patrocinado os fragmentos dos extraordinários 'jornais de actualidade sobre a história da Mostra', que abrem as sessões de imprensa e comemoram Veneza 70. E Luce não poupa elogios, na aposta que fez com o português, nas notas sobre o filme, distribuídas à imprensa. 'Redemptation', trata-se de uma uma ficção alegórica (ou será um documentário arquétipo???) de 26 minutos, que acompanha a história narrada por quatro personagens em 'redenção' e em épocas distintas da 'realidade europeia', dos seus países: uma criança escreve ao pai que está em Angola, para lhe dizer como é triste viver numa aldeia em Portugal, em 1975; um idoso em Milão, em 2011 recorda o seu primeiro amor; em Paris, em 2012, um homem diz à sua filha que não é um pai como os outros; uma noiva em Leipzig, em 1977, 'luta' contra uma ópera de Wagner, que não lhe sai da cabeça. Um filme que resulta enfim da passagem de Gomes como professor da Escola de  Fresnoy, (um convite que resulta imediatamente numa encomenda de um filme) e que segundo o realizador: 'Quis que fosse intimista, quase confessional, composto exclusivamente por imagens de arquivo, muitas delas em super 8 e, portanto, com uma dimensão privada, anónima, unipessoal... Ao mesmo tempo, quis que fosse o oposto do que acabei de dizer'. 'Redemption' assinala a estreia de Miguel Gomes em Veneza, logo a seguir ao Prémio Alfredo Bauer em Berlim, o grande sucesso de público e da crítica para 'Tabu', em todo o mundo.

 

A REDENÇÃO DE 'PHILOMENA'

 

'Philomena' de Stephen Frears, (www.youtube.com/watch?v=L2yXEBuOO8A) poderia ter caído facilmente no melodrama clássico e piegas, de um relato banal de sociedade, fortemente anti-clerical. Só que esta história comovente é muito bem 'iluminada', pela ironia e o humor britânico, em que não é isento de culpas o grande comediante Steve Cogan ('24 Horas Party People') e a divina Judi Dench. O filme parte da adaptação do livro 'The Lost Child of Philomena', escrito pelo jornalista de política internacional, Martin Sixsmith, ex-correspondente da BBC em Washington, despedido num processo algo controverso, durante o governo de Blair. O livro é baseado numa reportagem verídica feita por Sixsmith, e que traz para este filme uma extraordonária beleza, um final surpreendente e excitante. Frears e Cogan (este é o produtor, escreve os diálogos e interpreta Sixsmith) inspiraram-se nesta história de fé e perdão de Philomena (com a divina Judi Dench), uma ex-enfermeira aposentada, que com ajuda Sixsmith (Steve Cogan), vai aos EUA procurar o filho que lhe foi retirado para adopção, na década de 50, simplesmente por ter sido, uma mãe adolescente. Uma história simples que se transformou até agora no filme mais consensual e aplaudido desta competição. Do idealismo ambiental ao terrorismo é o ponto de partida do perturbante 'Night Moves', um filme independente norte-americana Kelly Reichradt, que junta um elenco jovem, mas dos mais talentosos desta Veneza 70: Jesse Eisenberg, Dakota Fanning, Peter Sarsgaard. Três jovens ambientalistas radicais decidem fazer um dos maiores protestos das suas vidas, fazendo explodir uma central hidroeléctria (barragem), um grande símbolo do desperdício da cultura industrial. Esta história de eco-terrorismo, no início algo lenta e impercetível, transforma-se numa brilhante história de suspense e num excelente ensaio sobre as consequências dos extremismos e de uma obsessão (e destruição) individual. É pena que não tenha sido dos filmes bem compreendidos pela imprensa internacional. Brutal, desinspirado e pretensioso é 'Child of Good', mais um filme do imparável (mas nem sempre muito talentoso), James Franco, que adora temas-choque. Depois da adaptação do romance William Falkner ('As I Lay Dying'), apresentado em Cannes e antes de partir para a obra de Charles Bukowski (esperemos que não desperdice mais uma boa oportunidade), Franco pegou neste romance de Cormac McCarthy, intitulado 'Child of God', sobre um necrófilo, que mais parece uma variante de 'A Sangue Frio', mas sem o talento de Richard Brooks.

 

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