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Childs Pose, de Calin Peter Netzer

O realizador Richard Linklater regressou com 'Before Midnight', o terceiro filme da série protagonizada pelo famoso par romântico Ethan Hawke e Julie Delpy. O cinema romeno continua em grande forma 'Child's Pose', de Calin Peter Netzer, num thriller psicológico sobre uma mãe dominadora e seu filho, acusado do atropelamento de uma criança. Rodado na Africa do Sul, o filme 'Layla Fourie', de Pia Marais conta também a história de uma mãe solteira africana, envolvida num acidente de viação.

José Vieira Mendes

Os filmes romenos são sempre aguardados com grande expectativa nos festivais de cinema, como aconteceu aqui na Berlinale com este 'Child's Pose', de Calin Peter Netzer. Trata-se de um emocionante thriller, carregado de ironia sobre a relação de Cornelia (Luminita Gheorghiu), uma mãe dominadora e o seu filho Barbu (Bogdan Dumitrache), um 'trintão menino-de-bem', que mata uma criança num acidente de viação. Filme tocante não só pelo drama e perda das duas famílias de classes sociais muito distintas, este 'Child's Pose', é ainda um ensaio sobre as obsessões da paternidade, que muitas vezes podem afectar de uma forma negativa a personalidade e a vida dos filhos. Registado sempre com uma câmara que segue incessantemente os protagonistas, 'Child's Pose', é um filme de grande intensidade dramática, com momentos de grande tensão, vividos por magníficas interpretações, especialmente da diva Luminita Gheorghiu. Por último é um filme que não foge à regra do cinema romeno da actualidade: um retrato contemporâneo da sociedade romena, incidindo mais na vida de uma familia da classe alta romena, que vive numa certa opulência e como funciona a corrupção e o tráfico de influências do mais baixo, ao mais alto nível das instituições (polícia, hospitais, tribunais), nesta jovem democracia de um país do leste europeu.

O nome da personagem principal dá título ao filme 'Layla Fourie', de Pia Marais uma realizadora sueca residente na Alemanha, que rodou na Africa do Sul.  É precisamente este ambiente de Joanesburgo, a capital, que fornece ao filme a tensão necessária ao desenvolvimento desta história de 'Layla Fourie': um thriller que mostra a paranóia, medo e desconfiança que se vive ainda numa sociedade maracada pelos conflitos raciais e pobreza. Layla (Rayna Campbel) é uma mãe solteira que vive em Joanesburgo, com o seu filho pequeno e sobrevive de empregos eventuais. Depois de uma formação como um operadora de polígrafo (para se conseguir emprego na Africa do Sul tem que se passar por este teste) Layla é destacada, para fazer selecção de pessoal, numa empresa de casinos fora da cidade. A caminho do seu novo local de trabalho, acompanhada pelo filho (um miúdo muito rebelde) Layla tem um acidente numa escura e isolada estrada que vai mudar a sua vida e a seu filho. Esta terceira longa-metragem Pia Marais é um clássico thriller clássico talvez mesmo até não muito original. Marais tem pelo menos o mérito de saber usar bem este género cinematográfico para manter atento o espectador do prinicipio ao fim e ao mesmo tempo dá-nos um retrato de um país que carrega muitas cicatrizes do apartheid.

Parece que foi ontem mas já lá vão 17 anos desde aquela viagem de interrail, e do encontro em Viena, em 'Antes de Amanhecer' (1995), de Richard Linklater, que juntou o jovem candidato a escritor americano Jesse (Ethan Hawke) e a 'engagé' francesa Celine (Julie Delpy). O par separou-se, mas prometeram encontrar-se anos mais tarde. Foi um sucesso ao ponto de tornar-se quase um filme de geração.  As conversas sobre o amor e a vida continuaram em 'Antes de Anoitecer' (2004). Desta vez, a dupla passou um dia em Paris discutindo seus relacionamentos infelizes e a redescobrir seus sentimentos um pelo outro. Em 'Antes da Meia-Noite' vamos encontrar já finalmente Jesse e Celine juntos de férias na Grécia com os filhos. O mundo das emoções continua a ser o seu tema preferido de conversa, mas desta vez mesmo de férias a relação naturalmente desgastada pelos filhos e pelas anteriores relações é posto à prova. As rotinas deixam sempre as suas marcas e paixão já lá vai. E assistimos como umas férias na Grécia em família ou uma noite romântica no hotel de charme se calhar não são suficientes para aguentar um casamento ou salvar o amor de Jesse e Celine. Mais uma vez, os atores colaboraram com Richard Linklater no argumento e diálogos. E novamente o final é aberto para continuar a série por aí fora. Mais uma vez aquele estilo directo de representação, que nos deslumbrou. No entanto, se o primeiro filme teve graça, o segundo foi uma delícia, em 'Before Midnight', a fórmula parece já estafadae repete-se até à exaustão. O cenário idílico das praias do Peleponeso, um grupo de actores secundários, não chegam para aguentar uns diálogos que são um chorrilho de irritantes banalidades. E na verdade bastante mais velhos, Julie Delpy e Ethan Hawke já não têm aquela química que tinham nos filmes anteriores.