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OS POTENCIAIS VENCEDORES

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Paulina Garcia, em Gloria.

Num festival dominado por grandes interpretações femininas, a actriz chilena Paulina Garcia em 'Gloria', a romena Luminita Gheorghiu em 'Child's Pose' e a francesa Juliette Binoche em 'Camille Claudel 1915' são as mais elogiadas. São os seus filmes, respectivamente de Sebastián Lelio, Calin Peter Netzer, e Bruno Dumont, aqueles que estão entre os mais bem posicionados, nas tabelas da crítica e os mais fortes candidatos a disputarem o Urso de Ouro e os Prémios mais importantes. Ao final da tarde (às 18h de Lisboa), saberemos o veredicto do júri presidido pelo cineasta chinês Wong Kar Way, numa cerimónia que pode ser acompanhada em directo através da internet no sítio da Berlinale

José Vieira Mendes

De facto foram as poderosas interpretações femininas que dominaram completamente a competição desta Berlinale 2013, terminada ontem com 'Nobody's Daughter Haewon', do coreano Hong Sangsoo. O festival fortemente dirigido à cidade e ao entusiástico público de cinéfilos berlinenses só termina amanhã. Mas quanto a previsões, os realizadores a concurso parecem ter descoberto o valor de um estrito grupo de actrizes mais veteranas, explorarando a sua faceta feminina e psíquica, valorizando a graciosidade da sua idade, experiência de vida e carreira. E neste contexto incluir-se-ia ainda a alemã Nina Hoss, em 'Gold', de Thomas Arslan. Isto tudo um pouco ao contrário do universo do 'star system' hollywoodiano, que valoriza a beleza e o glamour. Mas neste aspecto como na valorização de aspectos mais politicos a Berlinale é única, no contexto dos festivais. Há na verdade um grande consenso da crítica de que foram as intrigantes e complexas interpretações femininas que ajudara a erguer o perfil e a cotação de alguns filmes, numa Competição que prometia bastante, pelos nomes em jogo, mas que na verdade continua em curva descendente, quanto à qualidade dos filmes. O filme chileno 'Gloria', de Sebastián Lelio com a deliciosa Pauline Garcia, é para já o mais cotado para ganhar o Urso de Ouro e a actriz o Prémio de Interpretação. Na mesma linha, outros candidatos possíveis são: 'Child's Pose', de Calin Peter Netzer, interpretado pela atriz romena Luminita Gheorghiu no papel de uma mãe dominadora, e a forte e perturbadora interpretação de Juliette Binoche, muito bem capturada (quase sempre em close-up) pelo francês Bruno Dumont em 'Camille Claudel 1915', num biopic sobre a infeliz escultora. Em 'Gold', de Thomas Arslan, uma espécie de western e o único filme em competição da Alemanha, assistimos à inflexível determinação interpretativa de Nina Hoss, no papel de uma empregada doméstica alemã que se lança na aventura da corrida do ouro no Canadá. Contudo, em prol do talento da juventude, destacou-se a actriz belga Pauline Etienne, no papel da freira rebelde do elegante remake de 'La Religieuse' de Diderot, dirigido por Guillaume Nicloux.

Da frente norte-americana vindos directamente de Sundance ou numa espécie de antes-estreias europeias na competição berlinense estavam: 'Príncipe Avalanche', um encantador filme sobre a amizade e um retorno às raízes indies de David Gordon Green; 'Before Midnight', de Richard Linklater, o terceiro filme da série com Ethan Hawke e Julie Delpy, um bocadinho mais do mesmo, mas bastante popular e relaxante para a crítica internacional. Houve talvez menos entusiasmo com 'Promised Land' de Gus van Sant, um drama social e delicado que gira em torno das questões ambientais. O alucinado passeio de Shia LaBeouf em Bucareste, com 'The Necessary Death of Charlie Countryman', de Fredrik Bond foi completamente destroçado, embora se possa transformar numa espécie de filme de culto. O thriller psicológico, 'Side Effects', do consagrado Steven Soderbergh foi recebido com alguma indiferença e desapontamento. De volta à Europa, houve um razoável apoio a 'Paradies: Hoffnung' do austríaco Ulrich Seidl, um filme que fecha a triologia, que beneficiou mais do que tudo, da ternura e humanidade da sua protagonista, interpretada pela jovem Melanie Lenz. O iraniano Jafar Panahi desafiando a proibição do seu governo, conseguiu fazer chegar à Berlinale, 'Closed Curtain' um ensaio autobiográfico fechado e metafórico, que quase como sempre pôe a crítica em sentido, mas com perspectivas demasiado políticas e limitadas. O precioso e educado filme canadiano sobre um amor lésbico 'Vic+Flo On Vu Un Ours', de Denis Côté' contou com alguns admiradores. E em matéria também para os disputados Prémios Teddy, sempre com forte presença na Berlinale, abriu a Competição um filme polaco, intitulado  'In the Name Of...'. Trata-se de um grande avanço na carreira da jovem e talentosa realizadora Malgoska Szumowska, até pela delicadeza como trata um tema tão polémico: a história de um sacerdote católico, que ensina e protege jovens internos num reformatória de provìncia, mas que luta desesperdamente contra o seu desejo homossexual. O filme russo 'A Long and Happy Live', dirigido por Boris Khlebnikov, baseado  no clássico 'High Noon' com Gary Cooper alta, uma sobria história de camponeses russos, numa época de austeridade, pode também ser um potencial  candidato a Prémio do Júri. Da mesma forma, 'An Episode in The Life of an Iron Picker' um gritante docudrama, sobre a descriminação dos ciganos, que marca uma novidade nos filmes de baixo orçamento do realizador bósnio Danis Tanovic, pode conseguir um dos prémios mais específicos e experimentais, quanto mais não seja pela sua denúncia. No entanto, quase como sempre o júri não segue a crítica, portanto mais logo vamos saber na realidade quem são os grandes vencedores da Berlinale 2013.

www.berlinale.de

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