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OS FAVORITOS DE VENEZA 3.0

Imagens de Fundo

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O elenco e realizador de Philomena.

A festa veneziana de celebração do cinema termina no sábado, mas a competição completa-se já amanhã. A menos que haja um 'milagre da criação' com 'Les Terrases', do cineasta argelino Merzak Allouache, já há favoritos nesta Veneza 70. Um dos fenómenos mais interessantes desta Mostra é a completa preponderância da difusão na internet, no facebook, twitter ou através dos blogues como o Imagens de Fundo, associados aos meios impresso em papel. E aqui também se joga o futuro do jornalismo e forma como a crítica de cinema irá fazer a partir daqui, a cobertura de um festival.

José Vieira Mendes

A verdade é que não houve tantos filmes-escândalo, embora muitas das obras apresentadas nas várias secções, estivessem fortemente marcadas pelo erotismo e violência: da artificialidade de 'The Canyons', de Paul Schrader (EUA), ao sadismo incestuoso de 'Miss Violence', do grego Alexandro Avranas. Aliás este último, um dos filmes mais apreciados e na linha dos favoritos a esta competição. Em relação a outra à temática recorrente nas obras apresentadas: as reconstruções familiares, subrepuseram-se às roturas: da fábula metropolitana 'Stray Dogs', de Tsai Ming-liang (Taiwan) ao imenso 'Joe', protagonizado por Nicholas Cage, no filme de David Gordon Green (EUA). E logo nestes filmes podemos incluir alguns dos favoritos aos prémios de Veneza 70. De qualquer modo a tarefa de Bernardo Bertolluci, não está de forma nenhuma facilitada, para encontrar consensos num júri muito feminino, constituído pela realizadora e escritora britânica Andrea Arnold, as atrizes Virginie Ledoyen (França), Martina Gedeck (Alemanha) e Carrie Fisher (EUA), o diretor de fotografia franco-suíço Renato Berta, realizador, actor e argumentista chinês Jiang Wen, o realizador chileno Pablo Larraín e por último o músico japonês Ryuichi Sakamoto. Quanto ao Leão de Ouro, todo o favoritismo vai para um dos melhores, mas também mais convencionais filmes a concurso: 'Philomena', de Stefen Frears (Reino Unido), com Judi Dench, insuperável na sua interpretação de uma velha enfermeira irlandesa, à procura de uma criança que a igreja lhe retirou para adopção, quando era jovem. Dench, apesar do seu prestígio e sem rival à altura, deve levar para casa a Taça Volpi pela Melhor Interpretação Feminina. Assim como a Nicholas Cage, dificilmente deve fugir-lhe o Prémio de Interpretação Masculina, pelo seu 'Joe', um ex-presidiário, que faz a sua redenção. Para além dos filmes e dos intérpretes já referidos é dificil fazer prognósticos, quanto aos respectivos prémios. Certo é que com mais possibilidades de sairem daqui premiados e sem dúvida as melhores obras são: o drama palerminiano 'Via Castellana Bandiera', de Emma Dante (Itália), o forte retrato da violência doméstica de 'Die Frau des Polizisten', de Philip Groning (Alemanha), o thriller eco-terrorista, 'Night Moves', de Kelly Reichardt (EUA), 'The Wind Rises', o anunciado último filme da carreira do realizador Hayao Miyazaki (Japão) e o extraordinário drama sobre a obsessão e o desejo intitulado 'Tom à la Ferme', dirigido e interpretado por um géniozinho chamado Xavier Dolan (Canadá). Aliás o filme que está nas preferências da crítica menos conservadora. Curiosamente as preferências do público, vai para 'Child of God', a história de um necrófilo, dirigido pela imparável nova estrela de Hollywood, chamada James Franco. Apesar de tudo ainda falta muito a Franco, para provar que o seu brilho, corresponde ao talento que na prática vai mostrando. Por último, vamos assistindo, nestra Mostra 70, a uma verdadeira revolução na forma de cobrir um festival, com os bloguistas, twiters ou utilizadores dos facebook, muito activos na publicação de críticas, comentários, ou simples sound bites do festival. Isto numa velocidade de reação surpreendente e a ultrapassar os meios convencionais. Em grande parte deve-se não só à tecnologia em si, mas à melhoria das condições de trabalho proporcionadas aos jornalistas (ou será melhor chamar-lhes, produtores de conteúdos????) na press room. Embora por vezes ainda se sinta em determinadas horas, um servidor da internet demasiado lento e o Wi Fi bloqueado. No entanto, houve na verdade, nesta Mostra 70, mais lugares nas mesas, ligações à internet e melhores condições para trabalhar e fazer uma melho cobertura do festival.

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