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O SEGREDO DE ADÈLE

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La Vie dAdèle, de Abdellatif Kechiche

O tunisino Abdellatif Kechiche ('O Segredo do Coucous') regressou à Croisette, desta vez na competição pela Palma de Ouro, com 'La Vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2', e desde ontem tornou-se um dos mais fortes candidatos a levá-la para casa. 'La Vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2', é um drama lesbo-erótico, sobre o despertar sexual de uma adolescente, interpretado de uma forma notável e arrepiante pela jovem actriz Adèle Exarchopoulos.

José Vieira Mendes

O ponto de partida de 'La Vie d'Adèle' é adaptação livre da novela gráfica 'Le bleu est une couleur chaude', de Julie Maroh, que foi um grande fenómeno de vendas e da crítica em França. E da inspiração poética e erótica desta historia em quadrinhos de Julie, nasceu esta quinta longa-metragem de Abdellatif Kechiche, que passava igualmente pela vida de uma professora, mas acabou concentrada no fogoso processo de descobertas sexuais e emocionais de uma jovem liceal, candidata e que tem o objectivo de tornar-se uma docente no ensino primário. 'La Vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2', são cerca de 2h59m, com muitas cenas de sexo explicito e arrojado entre a jovem Adèle Exarchopoulos (tem 19 anos e origens gregas) e a bela actriz e modelo francesa Léa Seydoux (que vimos e 'Meia-Noite em Paris' de Woody Allen). Adèle, (interpretada por Exarchopoulos com uma entrega total), é uma vulgar jovem de 15 anos que começa a perturbar-se com a sua sexualidade, ao deixar de se interessar pelos rapazes, para se apaixonar perdidamente por Emma (Léa Seydoux), uma jovem um pouco mais velha, estudante de Belas Artes, artista plástica e lésbica. As duas raparigas experimentam todas as formas de prazer a dois, até à rotura, quando os homens parecem começar novamente a interessar a Adèla. Tudo é contado ao estilo do cinema vigoroso e íntimo, de Kechiche, de uma forma observacional, carregada de grandes planos, da rotina e da naturalidade dos diálogos, que apontam sempre para uma reviravolta possível, no percurso das personagens, criando ao mesmo tempo um forte tensão no espectador. As cenas de sexo explícito e de prazer são muito belas: coreografadas com se fossem esculturas; e filmadas com um realismo excitante e quase pornográfico. O facto de se inscrever no título 'Chapitres 1 & 2', tudo leva a crer que Abdellatif Kechiche expandir a vida de Adèle em mais capítulos. No entanto, tudo dependerá dos prémios em Cannes, que vão ajudar facilmente a que 'La Vie d'Adèle', se possa tranformar num folhetim ou em série de televisão, para além desta obra de quase três horas de projecção e que é para já o grande favorito à Palma de Ouro. Esta manhã, passou igualmente integrado na Competição, o filme 'Nebraska' do realizador norte-americano Alexandre Payne ('Os Descendentes'). O filme cruza dois temas e dois dispositivos narrativos, recorrentes dos filmes anteriores do realizador: um road movie como 'Sideways' e a paternidade como em 'Os Descendentes', que lhe valeram ambos dois Óscares de Melhor Argumento. É um filme simpático, passado no interior rural dos EUA em decadência e com uma população envelhecida, que é aliás o tema central da história de um velho que está convencido que ganhou uma lotaria por correspondência e vai com o seu filho recuperá-la. Notáveis interpretações do veterano Bruce Dern e de Will Fort no papel de filho.

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