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ROSE, de Wojtek Smarzowski, um filme memorável.

O polaco Wojtek Smarzowski e o seu filme 'Rose' merecem destaque nesta jornada de abertura do festival sevilhano. No entanto, foi 'Fin', do jovem cineasta espanhol Jorge Torregrossa, o escolhido para fazer as honras da casa na gala de abertura, com grande parte do elenco presente. O britânico Mike Newell abriu a série de Sessões Especiais com 'Great Expectations', uma inspirada e equilibrada adaptação do drama de Charles Dickens.  

José Vieira Mendes

Violento, brutal, fascinante e incrivelmente romântico, 'Rose', do polaco Wojtek Smarzowski (Selección EFA) revelou-nos mais um capítulo dramático e pouco conhecido da História da Europa, angustiadamente recente:a perseguição pós-II Guerra Mundial, dos Mazurianos, os habitantes de origem e língua alemã do nordeste da Polónia. 'Rose', de Wojtek Smarzowski é sem dúvida um drama poderosíssimo e arrepiante, passado no final da Segunda Guerra Mundial e ao qual é impossível ficar indiferente em qualquer programação (foi premiado no Fantasporto 2012). Em pleno Verão de 1945, Tadeusz, um jovem soldado polaco, a quem a guerra tirou tudo, chega a Masuria, território alemão antes do conflito e oferecido depois pelos russos à Polónia. É neste lugar massacrado pela guerra e pela violência étnica e cultural, exercida principalmente sobre as mulheres, que Tadeusz, encontra a desgastada viúva Rose. É na sua quinta, que esta mulher masuriana aparentemente frágil, luta pela sobrevivência e a quem Tadeusz começa por dar protecção e apoio laboral. 'Rose' é um filme magnífico marcado por uma brilhante reconstituição histórica, onde se enquadra uma extraordinária e trágica história de amor, de luta pela sobrevivência, com excelentes interpretações (Marcin Dorocinsk e Agata Kulesza) uma realização impecável. Um filme que deve colocar, esperemos, o quase desconhecido Wojtek Smarzowski, mais exposto aos olhares da crítica e distribuições internacionais depois da anunciada pré-nomeação para os Óscares de Melhor Filme em Língua Estrangeira, de Hollywood. 'Fin', a estreia do jovem realizador espanhol Jorge Torregrossa, na longa-metragem é uma boa ideia que parte da profecia Maia e um razoável thriller apocalíptico, passado nas belas e imponentes paisagens e picos dos Pirinéus. Remete curiosamente para alguns dos filmes de J.J. Abrahams ('Cloverfield'). O que não favorece em nada a originalidade do seu argumento. A alegoria apocalíptica de um grupo de amigos (com algumas grandes estrelas espanholas Maribel Verdú, Clara Lago e o manequim transformado em actor, Andrés Velencososo, entre outros) que não se encontravam à quinze anos, acaba por tornar-se um exercício de estilo e género. O enredo vai-se desenvolvendo (apesar de algumas lacunas), com uma incansável construção do suspense, um pouco também à custa da música. Os protagonistas são complexos e parecem bem enquadrados num passado e num segredo comum a todos, mas essencialmente no seu drama que apela para o desconhecido. Todos de uma forma ou de outra vão-se confrontando com uma realidade inexplicável e contra a própria natureza representada pelas imponentes e magestosas paisagens das montanhas, sem neve. Só que Torregrossa parece querer transcender erradamente os limites do género, oferecendo ao espectador não o implacável terror de um final apocalíptico, (talvez para fugir aos pesados recursos dos efeitos especiais) variando antes para uma leve meditação new age, sobre a velha questão filosófica fundamental: qual o valor da existência e dimensão da humanidade neste universo grandioso.Destinado certamente às grandes audiências, verdadeiro produto da criatividade e talento da indústria europeia de cinema, que sabe fazer muito mais do que a saga Henry Potter, este 'Great Expectations', do britânico Mike Newell é uma excelente adaptação do romance de Charles Dickens. Depois é uma história de superação pessoal, que incorpora em primeira instância e como cabeças de cartaz, um elenco de luxo: Ralph Fieness e Helena Bonham Carter. Se não é propriamente um grande filme (não chega aos calcanhares da famosa adaptação de David Lean) é uma obra correcta, sólida e despretensiosa, sobre um jovem ambicioso e uma dama decadente, daquelas que neste momento o mundo e nós todos precisamos para aliviar as angústias do dia-a-dia.

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