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NA QUINTA COM XAVIER DOLAN

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Tom à la Ferme, de Xavier Dolan.

'Tom à la Ferme', o novo filme do jovem realizador canadiano Xavier Dolan ('Os Amores Imaginários'), um triller psicológico sobre o desejo e a obsessão, tornou-se na mais refrescantes novidade, entre os filmes da competição, marcada pela regularidade. Duas décadas depois de ter ganho um Leão de Prata por 'O Rei Pescador', Terry Gilliam, voltou ao Lido com 'The Zero Theorem', uma fantasia futurista protagonizada pelo oscarizado Christoph Waltz. A surpresa do dia veio com 'Locke', do londrino Steven Knight, com Tom Hardy, sozinho dentro de um carro numa auto-estrada a caminho de Londres. Só que este filme notável foi apresentado extra competição.

José Vieira Mendes

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Xavier Dolan, o menino-prodígio do cinema canadiano, apresentou-se na Mostra pela primeira vez, com 'Tom à la Ferme', uma obra madura e excitante, que não rompe (ao contrário do que diz) difinitivamente com a sua trilogia sobre os amores impossíveis: 'J'ai Tué ma mère', 'Os Amores Imaginários' e 'Laurence para Sempre'. E quem gosta de Dolan, mesmo com aquele ar imbirrante, gosta mesmo. À partida não parecia fácil gostar de 'Tom à la Ferme', um filme que tem como base a peça de teatro, com o mesmo título, de Michel Marc Bouchard e que chega à competição por um dos mais jovens realizadores em actividade. Doalna tem 25 anos. No entanto, 'Tom à la Ferme' é um sólido e brilhante thriller psicológico. Parte de um doloroso drama familiar e transforma-se rapidamente num pesadelo para o seu protagonista: depois da morte do namorado Tom (Xavier Dolan), um exuberante criativo de publicidade, atravessa amargurado, o Canadá para ir ao funeral e conhecer os familiares do seu falecido parceiro e cumplíce profissional. O destino é uma grande quinta agrícola no interior rural, onde a mãe do seu companheiro, está longe de conhecer (e reconhecer) a relação homossexual do seu filho falecido. Ao contrário, abrutalhado irmão Francis (Pierre-Yves Cardinal), sabe de tudo e força Tom a não revelar a sua relação com o irmão. So que a tensão (ou será a tesão) entre os dois vai-se desenvolvendo de uma forma brutal e violenta, ao ponto de Tom ficar preso na quinta. Rodado no interior do Quebec, 'Tom à la Ferme' revela em primeiro lugar as discrepâncias, que existem entre a cidade e o campo ao nível dos preconceitos e mentalidades das pessoas, numa cultura desenvolvida, como a canadiana. Depois é ensaio sobre a obsessão, desejo, a verdade e a mentira, a brutalidade e a doçura, centrada na estranha relação desenvolvida por uma vítima em relação ao seu raptor. Tudo associado ao infeliz drama de uma mãe (brilhante Lise Roy), que perdeu um filho demasiado cedo e finge não conhecer as suas opções e identidade. Protagonizado apenas por quarto actores, como na peça, o ambiente fechado da quinta e dos seus locais é reforçado pela música de Grabriel Yared, que se aproria das cenas, criando, momentos de suspense e pânico, nos espectadores, quase como nos filmes de Hitchcock. 'Tom à la Ferme' é a maior explosão de exuberância e adrenalina, nesta competição até agora monótona e muito convencional. O realizador de 'Brazil', Terry Gilliam, regressou ao Lido de Veneza, com 'The Zero Theorem', (http://www.moviezine.se/video/205177), um filme protagonizado por Christoph Waltz em Qohen Leth, um solitário génio da informática, encarregado pela sua empresa de resolver o teorema zero. Neste seu percurso alienante, Qohen pensa ter encontrado um amor (a bela Mélanie Therry) e Bob, um jovem amigo, que por sinal é filho do seu poderoso patrão (Matt damon). Rodado em Bucarest (em vez de Londres), 'The Zero Theorem', é um regresso à estética plástica do Gilliam, numa alegoria futurista, muito palavrosa e filosófica, sobre as sociedades modernas, as novas tecnologias e as redes sociais, que tornam os homens em parte cada vez mais sós.  Surpreendente foi sem dúvida, 'Locke' (www.youtube.com/watch?v=I1SoUDGL5G4 ), uma noite na vida de Ivan Locke, dirigido pelo britânico Steven Knight ('Redemption' e argumentista de Stephen Frears em 'Estranhos de Passagem'). O engenheiro civil, Ivan Locke (brilhante regresso de Tom Hardy de uma saída do inferno das drogas e alcool), viaja sozinho no seu carro numa auto-estrada para Londres. Ao mesmo tempo que as chamadas que vai recebendo em 'alta-voz', vão revelando em ritmo de rodagem em tempo real, o que este protagonista vai fazer para salvar, o que tem de mais valioso na sua vida pessoal e profissional. Um grande filme, que é pena que não tenha integrado a competição.

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