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MUDANÇAS VIOLENTAS

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Le Passé, de Asghar Fahardi

O realizador chinês Jia Zhang-Ke, apresentou ontem na competição 'A Touch of Sin', um mosaico de quarto destinos na China contemporânea, onde apesar das mudanças económicas há um crescente da violência física e moral. Depois de 'A Separação', o realizador iraniano Asghar Fardhi, regressou ao tema dos conflitos familiares com 'Le Passé', um filme todo rodado em França. Por último na secção 'Un Certain Regard', foi apresentado 'Fruitvale Station', a primeira longa-metragem de Ryan Coogler, uma história verídica sobre a violência policial, que foi Grande Prémio do Júri e do Público no último Festival de Sundance.

José Vieira Mendes

O realizador Jia Zhang-Ke, com 'A Touch of Sin', regressou ao tema das vertiginosas mudanças na China contemporânea, mas agora de uma forma algo épica. Desta feita com quarto excelentes histórias cruzadas, ambientadas em regiões do país muitos diferentes do ponto de vista social e económico: atravessa a China, das zonas rurais, ao potencial económico de grandes metrópoles como Cantão (Guangdong). As histórias são particularmente trágicas e aterradora para um ocidental: Dahai, exasperado com a corrupção dos líderes da sua aldeia, decide tomar uma atitude. Saner, um trabalhador migrante nas minas de carvão, descobre as possibilidades oferecidas pela sua arma de fogo, para mudar de vida, nem sempre da forma mais legal. Xiao Yu, (interpretada pela famosa actris Zhao Tao de 'I Sono Li'), recepcionista de uma sauna reaje violentamente ao assédio de um cliente rico. O jovem Xiao Hui vai de um emprego para outro, em condições cada vez mais degradantes até à tragédia. São quatro personagens, quatro províncias, mas uma única reflexão sobre uma sociedade brutal, atormentada pelo desenvolvimento económico e pela violência crescente. As influências de 'A Touch of Sin' são várias e vão da literatura chinesa, aos romances histórico e às tradicionais óperas chinesas, mas também ao cinema de Takeshi Kitano, aos filmes de artes marciais e aos filmes-mosaico de Paul Thomas Anderson ou Alejandro González Iñarritu. Um filme que apesar da sua duração (2h30) tem material para uma audiência mais abrangente. O pressuposto de 'Le Passé', de Asghar Fahardi, não anda muito longe e até parece um complemento de 'A Separação', o filme que o transformou no mais internacional e premiado dos cineastas iranianos. Depois de quatro anos de separação, Ahmad (Ali Mossafa), chegou a Paris vindo de Teerão, a pedido de Marie (Berenice Berejo), sua ex-esposa francesa, para precederem às formalidades do seu divórcio. Durante sua breve estada, Ahmad descobre uma relação conflituosa de Marie com Lucie (Pauline Burlet), a sua filha mais velha, de um primeiro casamento e aparentemento porque a mãe arranjou um novo companheiro (Tahar Rahim). No esforço para Ahmad tentar melhorar essa relação vai acabar por levantar o véu sobre um passado secreto e recente. 'Le Passé' é um drama íntimo e kafkiano, mas vai mais longe que os seus filmes anteriores, já que a trama dispara em várias direcções: a relação com os filhos nas famílias reconstruídas, a imigração clandestina, a eutanásia. Drama familiar por excelência 'Le Passé' é também um filme de suspense, com muitos segredos e reviravoltas (talvez demais) que se vão desenrroscando como uma boneca russa. O resultado é um filme sério, mais pesado que 'A Separação', talvez menos autêntico e sem a frescura do anterior. Fahardi é no entanto um grande dialoguista, um extraordinário diretor de actores, como se pode ver em vários momentos do filme, como: a conversa na estação do metro de Tahar Rahim, com o miúdo que faz de seu filho. 'Fruitvale Station', a estreia do realizador californiano Ryan Coogler, desembarcou directamente de Sundance, para desenrolar uma brilhante crónica social, assente na história do jovem Oscar, um mártir da violência e da injustiça da polícia sobre os negros, ainda hoje nos EUA. O filme conta a história de Oscar Grant, um jovem de 22 anos, abatido a tiro por um agente da polícia na noite de Ano Novo de 2009, em Oakland na Califórnia. A injustiça desta morte e o trágico acontecimento foi muito mediatisado pois foi filmado no telémóvel por várias testemunhas e posteriormente divulgado na internet. O protagonista é Michael B. Jordan que aparece em várias séries televisivas ('Parenthood') e sua mãe a oscarizada actriz Octavia Spencer.

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