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METÁFORAS DA EXISTÊNCIA HUMANA

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Via Castellana Bandiera, de Emma Dante

A nossa existência no espaço ou na Terra parece ser a metáfora dos filmes deste primeiro dia da Mostra. Sandra Bullock e George Clooney brilharam no espaço, em 'Gravidade', (extra-competição), um filme em 3D, que é uma belíssima fantasia espacial, além de um curioso ensaio existencial sobre a natureza humana. A competição arrancou muito bem, primeiro com um drama irónico sobre um confronto entre duas mulheres: 'Via Castellana Bandiera', da directora teatral italiana Emma Dante; e depois com 'Tracks', do novaiorquino John Curran, baseado na história publicada na NG, sobre a 'mulher dos camelos', que atravessou sózinha o deserto da Austrália em 1977.

José Vieira Mendes

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O cineasta mexicano Alfonso Cuarón ('Os Filhos do Homem'), realizou de certa maneira, o seu sonho de um dia ser astronauta em 'Gravidade'. O filme sobre uma das últimas utopias capitalistas, que é a conquista do espaço (norte-americanos, russos e chineses estão agora preocupados com coisas mais terrenas) e protagonizado por Sandra Bullock e George Clonney é talvez dos seus filmes mais íntimos e pessoais, depois de 'E a Tua Mãe Também...'.  Bullock interpreta Dra. Ryan Stone, uma cientista que faz a sua primeira missão (e uma das últimas) no vaivem Voyager, com o veterano austronauta Matt Kowalsky (Clooney). As rotinas de um passeio especial e de manutenção da nave, são quebradas por uma tempestade de lixo espacial (um dos maiores riscos actuais para uma continuação das viagens espaciais), que destrói o 'space shuttle', deixando os dois astronautas em risco: completamente à deriva no silêncio e na escuridão do espaço, com as reservas de oxigénio a terminarem e sem comunicações. O medo transforma-se em pânico, ao passo que as esperanças de salvação e de regresso à Terra, se vão tornando cada vez mais ténues. A história é muito simples, foi escrita pelo realizador e pelo filho Jonas (autor da curta.metragem 'Doutrina do Choque',) faz lembrar à primeira vista um episódio de 'Espaço 1999. No entanto, a acção e o suspense, que prendem o espectador do início ao fim, revelam um outro significado, que vai para além da vulgar fantasia espacial: uma metáfora existencial, sobre as dificuldades da vida, superação individual e a nossa condição de humanos (apesar da tecnologia) num universo que continua ser inóspito e perigoso. Sandra Bullock é notável e Clooney (em Matt Kowalsky como Marlon Brando em 'Um Eléctrico Chamado Desejo' ou Clint Eastwood em 'Gran Torino'), mantêm o seu estilo 'nespresso', isto é de gajo porreiro, sempre disposto a colaborar. Contudo, há que valorizar a extraordinária fotografia do e 'mestre' Emmanuel Lubzeki ('O Novo Mundo'), dos efeitos especiais de Tim Weber ('Batman-O Cavaleiro Negro') e a força da banda sonora de Steven Price, que ajuda a criar os excelentes momentos de tensão e suspense. O 3D quase como sempre acrescenta muito pouco à história, embora reforçe a escuridão do espaço, num filme que é sem dúvida, um dos melhores produtos da indústria de Hollywood e da Warner, nos últimos tempos. Existencial e metáforico é também o espaço e o ambiente de 'Via Castellana Bandiera', na estreia cinematográfica da actriz, encenadora, dramaturga 'palermitana' Emma Dante, que se baseou no seu romance e faz uma das protagonistas. O filme dá vida a um coreográfico e teatralizado 'duelo ao sol', entre duas mulheres de diferentes idades Rosa (Dante) e Samira (Elena Cotta), numa rua estreita (será mesmo que é estreita?), num domingo quente, de um favelado bairro de Palermo: quem tira primeiro o seu carro do sentido contrário. O plano final é notável (e não deve ser por acaso) faz lembrar um espectáculo de Pina Bausch. Rodado na Austrália, pelo norte-americano John Curran, 'Tracks' recorda a epopéia, (transformada primeiro em livro) da australiana Robyn Davidson, durante nove meses de 1977: percorreu a pé, 2700 Km, do deserto australiano, até à costa do Oceano, acompanhada de uma cadela e quarto camelos. Para interpretar Robyn está brilhantemente a jovem actriz australiana Mia Wasikowska, por sugestão da propria Robyn. Desde a década de 80, que havia outras potenciais candidatas, como Julia Roberts e Nicole Kidman. Enquanto Adam Driver ('Lincoln'), veste a pele de Rick Smolan, o fotógrafo da National Geografic, que acompanhou esta louca expedição e um bela história de superação pessoal, com uma realização algo convencional, mas limpinha, que deve ter dado bem cabo do físico da bela Wasikowska.  Ontem há noite, entre muitas coisas ao mesmo tempo, passou 'Venezia 70 Future Reloaded', o colectivo de homenagem em que participaram e assinaram dois dos melhores segmentos, os cineastas portugueses: João Pedro Rodrigues, com 'Alleguria della Prudenza', uma tripla homenagem à Mostra, a Mizouguchi e a Paulo Rocha e Teresa Villaverde com 'Amapola', uma instalação visual interpretada pelo seu actor fétiche Alexandre Pinto ('Os Mutantes'), sobre um poema de Pablo Neruda.

Trailers:

Gravidade:

http://www.youtube.com/watch?v=aMUOOC5uNUM

Via Castellana Bandiera:

http://www.primissima.it/cinema_news/scheda/via_castellana_bandiera_-_il_trailer/

Tracks:

http://www.ivid.it/trailer/9977/TRACKS/Clip+Originale

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