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Joven y alocada, da chilena Marialy Rivas

O jovem cineasta colombiano Gabriel González Rodríguez estreou mundialmente o seu filme 'Estrella del sur', um duro drama social passado numa favela  de Bogotá, que conheceu por ter sido aí professor. 'Jovem y Alocada', da realizadora chilena Marialy Rivas é uma extraordinária e poderosa viagem iniciática de uma adolescente em busca do prazer sexual. A competição onubense encerra com um drama politico e agridoce, intitulado 'Infancia Clandestina', de Benjamín Ávila, um filme sobre os desaparecidos durante a ditadura militar, que foi proposto pela indústria argentina aos Óscares de Hollywood.

José Vieira Mendes

O jovem argumentista, realizador e produtor de 'Estrella del Sur', Gabriel González Rodríguez (tem apenas 25 anos) era o espelho da felicidade, com o Gran Teatro de Huelva, completamente à pinha para acolher este aparente filme-sensação. De facto viver em Estrella del Sur não é fácil, tal como fazer um filme sobre o drama dos massacres da Mano Negra, ainda é mais complicado. Vale sobretudo a nobre intenção de contar uma história passada (e vivida pelo realizador enquanto docente) num bairro problemático de Bagotá e numa escola secundária pública: quatro adolescentes cruzam as suas vidas num ambiente violento, carente de esperança e ameaçado pela organização clandestina Mano Negra, que faz justiça pelas suas próprias mãos. O filme algo imperfeito ao nível da realização, com interpretações muito frágeis (a maioria são não-actores),  aborda com muita nobreza, mas com alguma ilusão e romantismo, os sonhos, frustrações, conflitos e duros golpes dessa triste realidade social. Quatro dramas juvenis que acabam por ser partilhados por um nova professora de literatura recém-chegada à escola, no momento em que uma limpeza social ameaça o bairro, acabando com as vidas de alguns deste jovens tendencialmente delinquentes. Ficam as boas intenções de um filme frágil em todos os sentidos. As primeiras e belas 'imagens pixilizadas' de 'Joven y Alocada', da chilena Marialy Rivas despertaram de imediato uma enorme curiosidade e funcionam como uma espécie de síntese do que vai acontecer: uma adolescente olha um rapaz que dorme ao seu lado. Com leveza para não acordá-lo e ser surpreendida e começa a masturbar-se. Começa assim nem mais nem menos o filme de Marialy Rivas, uma excitante viagem sexual de uma adolescente que busca desenfreadamente o prazer e conhecimento do seu corpo que lhe é vedado por circunstâncias sociais, familiares e sobretudo religiosas: um natural despertar da sua sexualidade sem dramas e complexos de culpa. O caminho não vai ser fácil para Daniela (uma excente interpretação de Alicia Rodríguez), uma miúda que nasceu numa familia burguesa, conservadora e evangélica e estuda num colégio religioso. A jovem procura livrar-se desse ambiente opressivo, explorando as suas fantasias, certezas e dúvidas através de um blog intitulado 'Joven y alocada' (jovenyalocada.blogspot.com), onde se expressa em total liberdade e interage com outros jovens. O blog é o centro temático do filme e o motor dramático das inquietações sociais de todos os jovens. Sendo que a sexualidade no filme é vivida exclusivamente segundo o ponto de vista de alguém com a idade de Daniela (17 anos). E a internet aparece como um novo modo de relacionamento. 'Joven y alocada' é uma espécie de 'Emmanuele', mas desta feita personificado por uma adolescente do século XXI. Por isso é um filme quente (roça por vezes o estilo soft core), mas é ao mesmo tempo fresco e novo, tem um lado experimental, mas sobretudo é muito bem realizado. O filme 'Infância Clandestina', dirigido pelo argentino Benjamín Ávila, aborda o drama dos cidadãos desaparecidos durante a ditadura militar, mas visto através do olhar de uma criança. É um filme lento e intimista mas muito bem interpretado pela atriz uruguaia Natalia Oreiro e pelo argentino Ernesto Alterio. A história centra-se na vida de uma criança de 12 anos, filho de um casal de militantes da organização guerrilheira Montoneiros. O filme passa-se durante a ditadura militar argentina, entre os anos 1976-1983. O filme apesar de ser de época tem uma carga muito realista já que o argumento baseia-se em factos reais e parte da experiência pessoal do realizador como filho de militantes e neto das Avós da Praça de Maio.<#comment comment="EndFragment">