Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

'GRAVIDADE' : UM ENSAIO SOBRE O SUSPENSE

Imagens de Fundo

  • 333

Gravidade, de Alfonso Cuaron.

A nossa existência no universo (ou na Terra) é a metáfora de 'Gravidade' do mexicano Alfonso Cuarón com Sandra Bullock e George Clooney  a brilharam no espaço, num grande filme de suspense em 3D, que é ainda um curioso ensaio sobre a natureza humana e a sua dimensão universal. 

José Vieira Mendes

 

O cineasta mexicano Alfonso Cuaron ('Os Filhos do Homem'), com 'Gravidade, parece ter realizado de certa maneira, o seu sonho de um dia ser astronauta. Protagonizado por Sandra Bullock e George Clonney este filme de ficção-científica é talvez um dos mais íntimos e pessoais de Cuaron, depois de 'E a Tua Mãe Também...'. 'Gravidade' (www.youtube.com/watch?v=VlhJm_KkKEg‎)  é uma fantasia sobre uma das últimas utopias do mundo capitalista do século XX:  a conquista do espaço, pois os norte-americanos, russos e chineses, estão agora mais preocupados com coisas  terrenas. Bullock interpreta Dra. Ryan Stone, uma cientista que faz a sua primeira missão (e uma das últimas) no vaivem Voyager, com o veterano austronauta Matt Kowalsky (Clooney). As rotinas de um passeio especial e manutenção da nave, são quebradas por uma tempestade de lixo espacial (um dos maiores riscos, para uma continuação das viagens espaciais), que destrói o 'space shuttle', deixando os dois astronautas em risco, completamente à deriva no silêncio na escuridão do espaço, com as reservas de oxigénio a terminarem e sem comunicações. O medo transforma-se em pânico, ao passo que as esperanças de salvação e de regresso à Terra, vão-se tornando cada vez mais ténues. A história é muito simples e minimalista, foi escrita pelo realizador e pelo filho Jonas (da curta-metragem 'Doutrina do Choque',) faz lembrar à primeira vista um episódio de 'Espaço 1999. No entanto, a acção e o suspense, que prendem o espectador do início ao fim, revelam um outro significado, que vai para além da vulgar fantasia espacial: uma metáfora existencial, sobre as dificuldades da vida, superação individual e a nossa condição de humanos (apesar da tecnologia) num universo que continua ser inóspito e perigoso. Sandra Bullock é notável e Clooney (em Matt Kowalsky como Marlon Brando em 'Um Eléctrico Chamado Desejo' ou Clint Eastwood em 'Gran Torino'), mantêm o seu estilo 'nespresso', isto é de gajo porreiro, sempre disposto a colaborar. Notáveis ainda neste filme são, a extraordinária fotografia do 'mestre' Emmanuel Lubzeki ('O Novo Mundo'), os efeitos especiais de Tim Weber ('Batman-O Cavaleiro Negro') e a força da banda sonora de Steven Price, que cria os excelentes momentos deste filme que vai entusiasmar o espectador e fazê-lo saltar da cadeira. Algo na verdade cada vez mais raro. O 3D quase como sempre acrescenta muito pouco à história, embora reforçe a escuridão do espaço, num filme que é sem dúvida, um dos melhores produtos da indústria de Hollywood e da Warner, nos últimos tempos. <#comment comment="EndFragment">