Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

FILMES DESCONECTADOS

Imagens de Fundo

  • 333

Disconnect, de Henry Alex Rubin

A diversidade (ou a desconetividade) marcou este sexto dia de competição com a apologia da revolução de 'Après Mai', do francês Olivier Assayas, o segundo filme da saga de yakuzas 'Outrage Beyond', de Takeshi Kitano e uma descoberta, fora de concurso com 'Disconnect', de Henry Alex Rubin ('Murderball'), sobre os perigos da internet.

José Vieira Mendes

'Outrage' de Takeshi Kitano deixou dúvidas em relação ao final de uma complexa trama inspirada na guerra entre as mafias japonesas (yakuzas): Othomo (Beat Takeshi), o mais honrado de todos os yakuzas, era uma espécie de peão nas maquinações e nas intrigas dos líderes das duas organizações rivais e da própria polícia. Por isso, 'Outrage Beyond', começa mais ou menos quando Otomo, que todos pensavam que tinha morrido na prisão é resgatado pela Sanno-kai para demonstrar a sua lealdade contra Hanabishikai, um gang rival. O cineasta-actor Takeshi Kitano, abandonou novamente o seu habitual experimentalismo e os solilóquios dos seus últimos filmes, que quase pareciam o seu harakiri artístico como realizador. Em 'Outrage Beyond' dá energicamente vida a este Othomo, um anti-herói e um bandido de segunda linha (faz lembrar Dirty Harry de Clint Eastwood) envolvido numa guerra de poder que está acima das suas capacidades, mas que luta para sobreviver. Só que novamente a trama é tão complexa que nos perdemos na rapidez da acção e dos personagens marcados por infindáveis atentados e traições. No entanto, funciona como uma espécie de compromisso de Kitano (como o de Othomo) para a recuperar a sua honra um pouco perdida, como cineasta e para se manter à tona na galeria dos melhores festivais do mundo. 'A revolução está viva' é o mote de 'Après Mai', do cineasta francês Olivier Assayas, que conta a história de um grupo de jovens, que vivem as utopias dos anos 70. Assayas, parte do seu habitual cinema sentimental e intimista para dizer subtilmente que a revolução ainda é possível. Estas aventuras utópicas e (auto) biográficas, são vividas por Gilles (Clément Métayer) um jovem activista (e terrorista urbano) que nas ruas de França se envolve nos tumultos estudantis e nos comícios politicos pós-Maio 68. Mas ao mesmo tempo Gilles quer afirmar-se na pintura e no cinema e ao passo que a sua amada Christine (Lola Creton) quer crescer na política. O filme é um retrato de uma geração que com as suas escolhas na altura mudou o mundo. Apresentado fora da competição, 'Desconnect' de Henry Alex Rubin, não deixa de ser um filme surpreendente. Henry Alex Rubin é igualmente o realizador do documentário 'Murderball', sobre os atletas deficiente que esteve nomeado para os Oscar 2006. Mas na verdade, o ponto de partida e a narrativa 'Desconnect' têm mais de útéis do que originais:  Estamos cada vez mais ligados à internet e às redes sociais, mas cada vez mais frios nas relações humanas; a internet é um recurso, mas também uma ameaça no mundo moderno. 'Desconnet' conta três histórias cruzadas (faz lembrar 'Colisão', de Paul Hagins) que procuram links reais e não-efêmeros, entre uma diversidade de personagens à procura de redenção e um sentido para a vida. O elenco é igualmente muito interessante: Alexander Skarsgård, ( da série 'True Blood'), Jason Bateman, Andrea Riseborough, (W.E. de Madonna). Um filme que bem poderia estar na Competição.

<#comment comment="EndFragment">