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ERA UM VEZ EM HONG KONG

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A Berlinale - Festival Internacional de Cinema de Berlim abriu hoje com 'The Grandmaster', um melancólico épico de artes marciais, dirigido pelo chinês Wong Kar Wai ('My Blueberry Nights') a quem caberá igualmente presidir ao júri internacional que vai decidir o Urso de Ouro 2013. 

José Vieira Mendes

 

Depois do êxito da crítica e de público na sua estreia chinesa 'The Grandmaster' de Wong Kar Wai abriu o Festival de Berlim 2013, embora fora dos filmes a Competição. Esta versão (um pouco mais curta em cerca de 13 minutos) sofreu algumas mudanças de estrutura, para agradar às audiências e crítica ocidentais: é menos linear e intemporal. Também não é a primeira vez que Wong Kar Wai que aborda as artes marciais: 'Cinzas do Tempo' (1994), era um filme fantástico de fortes impressões visuais, mas marcado por uma profunda sensação de melancolia. 'The Grandmaster' não é tão impactante como o anterior, mas trata-se de um épico, que mistura cenas de acção e artes marciais, com impressionantes coreografias (do mestre Yuen Woo-ping de 'O Tigre e 'Dragão, Kill Bill, Matrix), novamente com essa marca melancólica, de Wong Kar Wai. A história agora, é um relato sobre várias figuras lendárias das artes marciais interpretadas por grandes estrelas chinesas da actualidade: Ip Man (Tony Leung Chiu-wai), o mestre de Bruce Lee, Gong Er (Zhang Ziyi), seu pai Gang Baotian (Wang Qingxiang), The Razor (Chang Chen) e Ma San (Zhang Jin), personagens essas que cruzaram as suas vidas nas incertezas politicas e na instabilidade social da invasão japonesa durante a II Guerra Mundial, da China do século XX. 'The Grandmaster' é um conto sobre a traição, honra, e destino, onde a história de amor entre os dois protagonistas Ip Man e Gong Er, funciona contra um cenário caótico de guerra e da ocupação japonesa. Um épico onde os confrontos acrobáticos, as lutas, a acção e o ambiente externo, são quase inseparáveis dos sentimentos dos protagonistas, com os belos movimentos da camara do director de fotografia francês, Philippe Le Sourd, a transformarem-se quase em emoções, para o espectador. Foi o glamour oriental na abertura da Berlinale 2013.

No entanto, incontornável 'engajamento' político da Berlinale, está mais uma vez em força este ano. E até com grande sentido de oportunidade, com os temas da corrupção, da política e negócios e da Europa Oriental. A Europa do Leste está assim em foco na Competição Oficial, com filmes como 'Child's Pose', de Calin Peter Netzer, que aborda precisamente a corrupção na Roménia, através da história de uma mãe da classe alta e endinheirada que tenta comprar a liberdade do filho condenado a uma pena. 'Harmony Lessons' é uma estreia na ficção do cineasta do Cazaquistão, Emir Baigazin, enquanto 'In the Name of...', de Malgoska Szumowska, da Polónia, (o filme que abre amanhã a Competição, a sério) trata o delicado tema da homossexualidade no sacerdócio católico. O ator norte-americano Shia LaBeouf interpreta Charlie em 'The Necessary Death of Charlie Countryman', de Frederik Bond, sobre um jovem que viaja para a Roménia e envolve-se sem querer com uma organização de tráfico de droga. Entre os filmes que giram à volta destas temáticas estão 'Promised Land', de Gus Van Sant, sobre a polémica técnica de escavação para extrair gás natural, conhecida como 'fracking', com Matt Damon como protagonista. 'Side Effects', de Steven Soderberg, joga em parte igualmente na denúncia de irregularidades da indústria farmacêutica, embora se destaque como um thriller policial, com Jude Law, Channing Tatum e Catherine Zeta-Jones. No entanto, o filme mais político deste festival chama-se 'Closed Curtain', co-dirigido pelo realizador iraniano Jafar Panahi, que continua desde 2010 em prisão domiciliária, mas que novamente desafia a proibição de 20 anos de trabalhar como cineasta, imposta pelas autoridades em seu país, acusando-o de propaganda anti-governamental.

Portugal faz-se representar no Festival de Cinema Berlim com três realizadores e quatro filmes. João Viana integra a competição oficial de curtas-metragens, com 'Tabatô e na luta por um Urso de Ouro (tal como o ano passado João Salavisa) e apresenta a longa metragem 'A Batalha de Tabatô', na secção Fórum. Na Berlinale está também Salomé Lamas, com a curta-metragem 'Terra de Ninguém' (vencedora do DocLisboa) que foi selecionada para o Forum e Pedro Pinto, que participa na secção infanto-juvenil Generation, com o filme 'Um Fim do Mundo'. Portugal está de certo modo igualmente representado ainda pelo filme 'Comboio Nocturno para Lisboa', de Billie August, uma co-produção da Costa do Castelo de Paulo Trancoso e Cinemate, com o actor Jeremy Irons no papel principal, e que foi rodado em parte em Portugal. <#comment comment="EndFragment">