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DOZE DIAS DOURADOS

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O Grande Gatsby

Com um Júri Oficial presidido por Steven Spielberg, o Festival abre hoje e prolonga-se por doze longos dias, dourados para uns, desgastantes para outros. Nicole Kidman, Leonardo Di Caprio, Ryan Gosling e outros grandes nomes do cinema americano já chegaram. No entanto, o casting de convidados para esta 66ª edição do maior festival de cinema do mundo vai engrossar até ao próximo 26 de Maio. À entrada para a sessão de imprensa de 'O Grande Gatsby' a chuva caiu.... 

José Vieira Mendes

Depois da presença de certo modo austera de Nanni Morreti, no ano passado, o Festival de Cannes regressou à escolha de cineastas-autores norte-americanos, para presidentes do júri oficial: Clint Eastwood, David Lynch, Tim Burton, Robert De Niro, só para referir alguns dos mais recentes. Spielberg é um 'presidente', muito especial, talvez com mais poder que o 'Homem do Eliseu' aqui em França, pois o realizador norte-americano é um dos empresários mais ricos e poderosos do negócio do entretenimento mundial. Entretenimento e política não estão exactamente no mesmo patamar, mas enfim às vezes o efeito é o mesmo! A presença de Spielberg no Júr, que promete ser um 'presidente democrata', nas decisões em relação à Palma de Ouro 2013, é muito bem complementada, pelo seu colega sino-americano Ang Lee, recente oscarizado com 'A Vida de Pi' e por três realizadores 'enfants terribles', do cinema mundial: o romeno Cristian Mungiu (Palma de Ouro 2007 por '4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias'), a japonesa Naomi Kawase ('Chiri') e a escocesa Lynne Ramsay ('We Need to Talk About Kevin'). Nicole Kidman, uma verdadeira mega-estrela, aceitou igualmente fazer parte deste Júri Oficial 2013, juntamente com mais três ilustres colegas de profissão: Daniel Auteuil (França), Christoph Waltz (Austria) e Vidya Balan (Índia). Quanto a estrelas, estão (ou vão estar ainda) na Croisette: Leonardo de Caprio, Carey Mulligan, Benicio del Toro, Ryan Gosling, Marion Cotillard, Emma Watson, Matt Damon, Michael Douglas, James Franco, Robert Redford, Justin Timberlake, Forest Whitaker, Berenice Bejo, Orlando Bloom, Garret Hedlund e Joaquin Phoenix. Isto além de consagrados colegas de Steven Spielberg, como Roman Polansky, os irmãos Coen ou Steven Soderberh, que é preciso correr para conseguir uma entrevista. Este ano não está facil já que as nomeações estão muito limitadas, pelo cachet que as distribuidoras ou produtores dos filmes têm de pagar aos publicistas por cada jornalista-entrevistador. Este ano, o Festival de Cannes, renunciou a uma tradição: escolheu como filme de abertura uma longa-metragem estreada nos EUA (e já vista pela maioria da crítica nacional) que estreia já na preóxima quinta, em Lisboa: 'O Grande Gatsby', de australiano Baz Luhrmann. Poder-se-ia imaginar melhor escolha, para uma abertura, com um filme que é um ultra glamour de vedetas? Trata-se de um regresso de Luhrman a um Festival onde foi feliz com 'Moulin Rouge' em 2000. Curiosamente a 30 Km onde Fitzgerald escreveu uma parte do romance. Baseado no clássico de Francis Scott Fitzgerald este remake em 3D da versão de 1983 de Jack Clayton, garante pelo menos uma cerimónia de abertura com muito glamour e uma subida à passadeira vermelha que será um grande desafio para os fotógrafos e repórteres de imagem: Leonardo Di Caprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Joel Edgerton, lado a lado com o rapper Jay-Z, autor da banda sonora e a sua companheira Beyoncé. Estreou fora da competição e teve uma reacção muito fria e sem um único aplauso na sessão de imprensa desta manhã. Mas 'O Grande Gatsby' não é tão mau quanto isso. Apoiado nos belos sons anacrónicos de Jay Z e de Lana Del Rey, entre outros, Luhrmman criou um espectáculo visual moderno e bonito sobre uma história muito plastificada e superficial, que a própria narrativa em flashback não ajuda, aliás como os  actores-protagonistas (Muligan, DiCaprio, Maguire). O filme tem muito pouco do original de Fitzgerald, pois procura enquadrar-se mais nos ambientes festivos e loucos de uma América dos anos 20. O pior para o mundo da altura, veio logo a seguir. O filme esse, até pode ter uma mensagem subtil, para a crise dos dias de hoje, mas não passa de pura diversão e romance à Hollywood.

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