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DOMINGO VIBRANTE

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GOOD VIBRATIONS, UMA ODISSEIA MUSICAL SOBRE O PUNK.

'Good Vibrations', é uma odisseia musical que conta a história do empresário Terry Hooley, um ícone do movimento punk dos anos 70, em Belfast. O realizador italiano Matteo Garrone ('Gomorra') apresentou 'Reality', um ensaio sobre os efeitos perversos do chamado telelixo, sobre os espectadores mais ingénuos. 'Holy Motors' do francês Leos Carax é uma espécie de pedrada no charco que provoca o cinema de autor mais convencional.

José Vieira Mendes

'Good Vibrations', do casal Glen Leyburn e Lisa Barros D'Sa (ela de nacionalidade brasileira) não é um musical no verdadeiro sentido da palavra, embora o título remeta para o tema dos Beach Boys. No entanto, o som ocupa grande parte do filme, sempre muito bem complementado com imagens de concertos inesqueciveis para quem os viveu, coreografados, com muito realismo. Conta ainda com uma extraordinária banda sonora de David Holmes. A propósito o músico e DJ proporcionou ontem no Palacio Monasterio, (ao que consta) uma das after hours, até agora mais cool e ao mesmo tempo mais nostálgicas do SEFF'12. Em relação ao filme, este conta a história de Terry Hooley (Richard Dormer), fundador da Good Vibrations, a etiqueta que lançou diversas bandas no cenário muisical punk dos anos 70, como: The Outcasts ou The Moondogs. O dinamismo militante de Hooley, contribui e de que maneira para a divulgação dessa música vibrante e dessa expressão musical que funcionava como um verdadeiro grito de revolta da juventude. E em Belfast tem uma expressão única, alinhando com a angústia e a falta de perspectivas de futuro, dos jovens marginalizados pela 'Era Tatcher', mas apesar de tudo nada interessados em alimentar ódios e rivalidades entre católicos e protestantes, na Irlanda do Norte. O mais surpreende no filme é a nostalgia de um tempo e da música, associadas à extrema fidelidade dos realizadores, ao estilo do movimento punk e ao rigor plástico da época, sempre bem justificado com material documental. Um dos momentos mais contagiantes é quando Hooley escuta pela primeira vez o fabuloso 'Teenage Kicks', dos Undertones, um tema que se vai tornar num hino da juventude, na transição dos 70's para os 80 e da própria New Wave, como se viu em 'Control' de Anton Corbijn. O italiano Matteo Garrone parece ter seguido a máxima que depois da tragédia ('Gomorra') vem a comédia, com 'Reality'. E desta vez numa comédia à italiana que reflecte, nem sempre de uma forma muito original,  as perversões mediáticas do telelixo e dos reality shows. Não só em Itália mas em todo o mundo, e os efeitos que estes programas podem ter, nos ingénuos espectadores, à procura dos tais 'cinco minutos de fama'. O cineasta francês Leo Carax ('Pola X') apresentou 'Holly Motors', um filme raro protagonizado pelo seu actor fetiche Denis Lavant e com duas estrelas: Eva Mendes e a cantora australiana Kylie Minogue. 'Holy Motors' começa com uma revisitação da nouvelle vague, passa pelo musical, vageia pela poesia de um 'Meia Noite em Paris', de Woody Allen e culmina na frieza fantástica frieza de 'Matrix'. Depois é uma estranha viagem pela Cidade das Luzes, transformada num mundo em vias de extinção, onde homens, bestas e máquinas (motores sagrados) se confudem numa realidade virtual e sem sentido, personificada num protagonista mutante. 'Holly Motors' é uma espécie de elogio da loucura nos modelos clássicos do cinema de autor. <#comment comment="EndFragment">