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DO CLÁSSICO ÀS POSSIBILIDADES DO 3D

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The Immigrant, de James Gray

O norte-americano James Gray ('Duplo Amor') regressou a Cannes com 'The Immigrant', um melodrama clássico e morno, com Joaquin Phoenix e Marion Cotillard, novamente sobre o amor e as relações familiares, temas que aliás têm sido uma constante nas suas obras anteriores. A Semana da Crítica', fechou cntem com '3x3D', um trípitico evocativo das memórias e das possibilidades da estereoscopia, produzido no âmbito de Guimarães 2012.

José Vieira Mendes

Assumido como o grande classicista de uma geração de realizadores (onde se inclui, entre outros Paul Thomas Anderson), o nova-iorquino James Gray regressou com 'The Immigrant', um dos filmes mais ansiosamente aguardados desta competição 2013, que está quase a findar. No entanto, Gray não consegue dar o salto e deixar de ser a eterna esperança do cinema norte-americano. Voltou a desiludir com este conto romântico e meloso, que cheio de boas intenções, procura dilacerar a alma e a história da imigração, para a América, na década de 20. Marion Cotillard é Ewa uma enfermeira polaca que se torna prostituta, no decadente bairro de Five Points (onde se desenrolou 'Gangs de Nova Iorque), com a promessa de Bruno (Joachim Phoenix) lhe ajudar a libertar a irmã Magda (Angela Sarafyan), dos trâmites legais da imigração, no porto de Ellis Island. Entretanto, Ewa conhece Orlando (Jeremy Reiner) que se propôe a ajudá-la a deixar de se submeter a Bruno. Apesar do comportamento pouco recomendável, a atitude moral da ferverosa católica Ewa, permanece pura: o seu objectivo é libertar a irmã e realizar o sonho americano de ter uma vida melhor no outro lado do Atlântico. Um conto moral sobre a culpa e o perdão, que ao contrário dos filmes anteriores de Gray, é construído numa perspectiva feminina. Ewa representa a heroína trágica e romântica, dos filmes americanos e eurpeus das décadas de 30 e 40, com fortes influências dos clássicos da literatura do século XIX (Tolstoi). O filme remete aliás também um pouco para os clássicos e para os silêncios do cinema mudo. 'The Imigrante' é um filme bem feito, mas demasiado redondo e sem grandes surpresas. Desenrola-se num ritmo muito lento e tedioso, sem que nada de especial aconteça, até a uma conclusão final, essa sim emocionalmente catártica e lírica. A interpretação de Phoenix está ao nível da sua instabilidade habitual. Ao contrário de Cotillard, que parece sentir mal no papel e pior em Reiner, um actor de filmes de acção, que se torna num completo peixe fora de água, interpretando um mágico, inspirado na figura de Ted Annemann. Aliás Anneman é uma figura lendária das cinzas do Lower East Side, onde se passa 'Era Uma Vez na América' ou de 'O Padrinho II', onde o filme parece ter alguma inspiração também, pela sua dimensão trágica e operática. A Semana da Crítica fechou ontem com '3X3D', trípitico dirigido pelos prestigiados realizadores, Peter Greenway, Jean-Luc Godard e Edgar Pêra, produzido pelo vimaranense Rodrigo Areias, no âmbito de Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012. Esta é na verdade e incluindo a participação de Edgar Pêra, (um dos poucos representantes portugueses em Cannes 2013), para figurar uma nota a este filme sem grande história apesar do seu tema das memórias. O ponto de partida foi aliás cruzar a memória da cidade (a ideia da memória, esteve sempre presente na programação de cinema do crítico João Lopes para Guimarães 2012) e o futuro do cinema em plena mutação, explorando todas as possibilidades do 3D. O filme tem na verdade a forma de três curtas-metragens: 'Just à temp', de Peter Greenway apresenta-se sob a forma de um longo-plano sequência, que explora, um tempo e figuras relacionadas com a cidade, que mais parece uma visita a um museu interactivo; 'Les Trois désastres', assinado por Jean-Luc Godard, tenta fazer uma história do cinema em 3D, na sua habitual captura de imagens comentadas pelo proprio realizador como em 'Filme-Socialiste'; e por último 'CineSapiens', dirigido pelo mais experimental dos realizadores portugueses, que apresentou uma espécie de comédia musical, com Nuno Melo como protagonista, que questiona de uma forma divertida a relação do espectador com o cinema, as suas memórias e géneros. De todos os filmes, 'CineSapiens' embora seja um pooco longo demais e insista repetir algumas ideias é o melhor dos '3X3D', que vai chegar muito brevementes às salas nacionais.

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