Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

BUCARESTE FORA DE HORAS

Imagens de Fundo

  • 333

’The Necessary Death of Charlie Countryman’

O filme espanhol 'La Plaga', de Neus Ballus apresentado no Forum, é uma bela combinação entre o documentário e a ficção, que cruza as vidas difíceis de cinco pessoas de diferentes origens, na periferia de Barcelona. Na competição estreou-se 'The Necessary Death of Charlie Countryman', de Fredrik Bond uma alucinada comédia negra pulp, com Shia LaBeouf, Evan Rachel Wood, uma obra que se pode tornar um filme de culto, apesar das suas enormes fragilidades. 

José Vieira Mendes

'The Necessary Death of Charlie Countryman', é uma adaptação ao cinema do de um excelente romance pulp, escrito por Matt Drake ('Project X'), baseado na sua experiência como professor em Bucareste. O filme dirigido pelo estreante Fredrik Bond (veio da publicidade e do videoclipe) não é tão bom como o livro e até foi muito mal recebido, mas pode tornar-se um objecto de culto, pela sua 'extasiada' e incoerente viagem a Bucarest, uma cidade, onde tudo pode acontecer. Ao contrário dos filmes de Woody Alen sobre as cidades, este é uma pode se dizer um alucinado bilhete postal, que se colocaria entre 'Nova Iorque Fora de Horas' e 'Diva e os Gangsters'. Depois da morte da mãe, Charlie (Shia LaBeouf) numa visão, esta diz-lhe que terá de fazer uma viagem a Bucareste para libertar a mente e o coração. Mas logo no avião morre, no banco ao seu lado, o passageiro, que acabou de conhecer. Charlie em mais uma visão promete-lhe entregar um presente e um segredo à sua filha Gabi (Ewan Rachel Wood). Charlie apaixona-se perdidamente por Gabi. Mas o seu ex-companheiro (Mads Mikkelsen), um psicótico chefe de um cartel de drogas não está disposto a perde-la para um americano qualquer. Charlie está determinado a conquistar Gabi e provar seu amor. Perseguido por assassinos romenos, passando por sujos albergues da juventude e clubes de strip, tudo se precipita para Charlie, numa Bucareste fora de horas, onde vive uma autêntica experiência alucinatória com muitas drogas e pouco sexo. Pelo contrário 'The Necessary Death of Charlie Countryman' é uma comédia romântica e otimista que se digere num instante e que brinca laconicamente com as desvairadas experiências de muitos 'americanos certinhos', que extravazam quando chegam à Europa, como por exemplo em 'Simon Killer', de António Campos.

'La Plaga', a estreia da realizadora catalã Neus Ballus, na longa-metragem de ficção não podia ser mais acertada num filme mosaico sobre cinco pessoas muitos diferentes que trabalham e lutam desesperadamente para sobreviver.  Iurie, é um praticante de luta livre da Moldávia que espera conseguir a legalização para trabalhar legalmente e poder entrar em campeonatos na União Europeia. Enquanto isso trabalha na quinta de Raul, que deixou tudo para tomar conta da fazenda que era dos seus pais idosos. A situação torna-se complicada, pois além do calor, chega uma praga de insectos, que ameaça a colheita. Problemas respiratórios afectam a sua vizinha Maria, uma agricultora de quase 90 anos de idade, que tem de mudar-se para um lar de idosos. Lá conhece Rosemarie, uma imigrante e auxiliar de geriatria das Filipinas, que faz o seu caminho para o trabalho todos os dias a pé; nessa estrada de terra está Maribel, uma veterana prostituta, sentada numa cadeira de praia, tentando ganhar a vida para si e para seu filho desempregado. 'La Plaga' mostra ao detalhe esse verdadeiro 'combate de luta livre' e pela sobrevivência dessas cinco personagens na metrópole globalizada de Barcelona. Mas as rotinas diárias deste conjunto de personagens (formadas por actores-profissionais e não-profissionais) pode ser o relato da vida de muitas pessoas (agricultores, emigrantes, idosos), que vivem em Barcelona, em Lisboa ou por essa Europa globalizada que vive numa verdadeira crise económica e de valores.<#comment comment="EndFragment">