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TABU, de Miguel Gomes

Aconteça o que acontecer no final, hoje foi um grande dia para a internacionalização do cinema português. Graças ao filme 'Tabu', de Miguel Gomes, muito apreciado pela crítica aqui na Berlinale, pelo seu radicalismo estético e revivalista e até agora considerado uma das poucas lufadas de ar fresco, numa competição sem obras que constituissem grandes surpresas. O filme de Miguel Gomes é uma extraordinária viagem a preto e branco pelas memórias do colonialismo português, inspirada no cinema mudo americano e nas fotonovelas de revista da década de 50. É um pequena obra-prima que se destaca pela sua estética antiga e que está na onda das novas têndências revivalistas do cinema contemporãneo. Neste momento não dá para criar grandes expectativas quanto a qualquer tipo de favoritismo, mas, pelos comentários que ouvimos das eminências da crítica como Michael Simon ('Positiv') é bem possível que 'Tabu', possa sair daqui com um prémio. Embora para o palmarés final a crítica acabe por contar muito pouco, para valorizar esta história passada na África portuguesa e muito bem revisitada por Miguel Gomes.  

José Vieira Mendes

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Em primeiro lugar e ironicamente um prémio para 'Tabu', funcionaria como uma espécie de extensão à homenagem hoje realizada a Meryl Streep (com a estreia do filme 'A Dama de Ferro'), a protagonista de 'África Minha'. Mas a África de Miguel Gomes não tem nada a ver com a de Karen Blixen ou de Sidney Pollack. Contudo é uma África romântica e a comparação entre os dois filmes acaba por ser quase inevitável, aliás como 'Tabu' recorda o clássico de Friederich Wilheim Murnau. Totalmente filmado a preto e branco, 'Tabu' é uma novelesca e romântica história de amor, passada em dois tempos. A complexidade e grande mérito do filme está no dispositivo que Miguel Gomes, utiliza para desconstruir todo o processo narrativo clássico, aliás comum às suas obras anteriores como 'Aquele Querido Mês de Agosto'. Tudo começa com um Prólogo, com uma história documental de um explorador africano, obcecado por uma mulher e um crocodilo. Não são lágrimas de crocodilo, mas antes funciona como uma iniciação simbólica para o drama que vem a seguir. A primeira parte intitulada 'Paraíso Perdido', passa-se na actualidade, num registo quase teatral, nos planos fixos e limitados e nuns diálogos que se aproximam ironicamente do cinema de Manoel de Oliveira: Aurora (Laura Soveral) é uma idosa em perda das suas faculdades, que vive aos cuidados de Santa, uma criada cabo-verdiana (Isabel Cardoso). Em frente delas vive Pilar (Teresa Madruga), uma beata solitária e intrometida, que acaba por se tornar o anjo da guarda das duas outras mulheres. Pouco antes de morrer, Aurora pede a Pilar que lhe traga a vê-la um homem chamado Gian Luca Ventura (Henrique Espirito Santo), um velho amante dos tempos de África. A partir daí viajamos para o passado e para o 'Paraíso', assistindo a um longo flashback apenas com som ambiente e à narração em voz off de Ventura, que conta ao pormenor essa aventura amorosa e um crime partilhado pelos amantes, algures na África portuguesa, antes da Guerra Colonial. Factos esses que acabara por marcar para sempre o destino dos protagonistas, encarnados e interpretados apenas pela expressividade (e com diálogos mudos) de Ana Moreira e Carloto Cotta. 'Tabu' é na verdade um filme surpreendente e  uma obra das obras mais originais do cinema nacional que dalguma forma só comparável a 'As Recordações da Casa Amarela', de João Cesar Monteiro. Alem disso pode ser ainda um grande regresso do cinema português às grandes telas e das co-produçoes internacionais (Alemanha, França, Brasil e Portugal). Uma das grandes tendências do cinema contemporâneo passa por um regresso ao passado e aos primórdios da Sétima Arte (até já chegou aos Óscares) e sobre aspecto 'Tabu0, está na linha da frente. Quanto aos Ursos não vamos cair em falsas expectativas, porque no festival mais militante do mundo a primazia vai sempre para a política em detrimento da arte. Mas ainda falta alguns dias para a competição terminar. 'Jayne Mansfield's Car', de Billy Bob Thorthon, trata-se de um curioso regresso do actor-realizador, atrás das câmaras, com uma inteligente tragicomédia sobre uma familia disfuncional, que vive as emoções e os sentimentos do momento, onde contracenam um extraordinário grupo de actores: Robert Duvall, John Hurt, Kevin Bacon, entre outros. Mais uma vez as grandes questões familiares do mundo ocidental, são expostas com dureza pela jovem realizadora e argumentista suiça Ursula Meier ('Home'), em 'L'Enfant d'en Haut'. Trata-se de mais um sólido e revoltante drama sobre a adolescência que pisca o olho aos filmes dos Irmãos Dardenne. Rodado num famoso resort de esqui dos Alpes suiços, 'L'Enfant d'en Haut'  é um perturbante retrato de um miúdo (Kacey Mottet Klein) que sobrevive por conta própria roubando equipamentos de esqui, para sustentar ainda uma 'irmã' mais velha (Lea Seydoux) com uma vida duvidosa. Um filme longe de qualquer favoritismo, mas com fortes possibilidades, de poder fazer uma razoável carreira nas salas de cinema.