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A VOLTA AO MUNDO EM (MAIS DE) 180 FILMES

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Cartaz Oficial Festival de Cannes 2013

Existem grandes eventos de cinema no mundo, mas um festival maior que o de Cannes, não há. O romântico, carinhoso e invulgar beijo de Paul Newman à sua esposa e actriz Joanne Woodward, começa agora a marcar mais esta 66ª edição do maior festival de cinema do mundo, que arranca amanhã, com 'O Grande Gatsby', de Baz Luhrmman e com Leonardo Di Caprio, mas ainda fora da competição. Essa começa ao fim da tarde, mas para nós portugueses, os olhos vão estar em Amsterdão. 

José Vieira Mendes

À primeira vista ficamos logo com pena de não haver uma oportunidade de revisitar 'New Kind of Love', e ver Paul Newman e Joanne Wodward, nessa magnífica comédia romântica de Melville Shavelson, que creio passou muito despercebida da crítica e até permanence quase inédita em Portugal. Contudo o Festival de Cannes 2013 tem muito mais atractivos até para recordar as memórias do cinema clássico de todo o mundo. Neste momento (estamos a meio da tarde) já chegaram a maioria dos festivaleiros que vão cobrir o maior evento mediático logo a seguir a uns Jogos Olímpicos. Começaram as longas filas para já para a entrega das acreditações, mas está quase tudo pronto para que amanhã, quarta (15), a cidade de Cannes estenda a sua enorme passadeira vermelha do Palácio dos Festivais (e de outras salas da cidade e as demais dentro do Palácio) e se inicie a maratona de filmes, competições, secções paralelas, sessões especias, cinema na praia e por aí fora, numa corrida stressante que só termina a 26 de Maio. Às 10h da manhã a única folga da jornada, para a imprensa (as sessões começam geralmente às 8h30, da manhã), abre com 'O Grande Gatsby', a versão do clássico da literatura, desta vez encenado pela extravagante visão esteroscópia do australiano Baz Luhrmman. A seleção anunciada quase na totalidade, no mês passado, é forte e diversificada, embora tenham mesmo assim chuvido muitas críticas à direcção artística, onde se mantêm uma velha raposa da programação: Thierry Frémaux, que se defende com os critérios da qualidade exigida sempre em Cannes, no equilíbrio entre as obras dos novos talentos e veteranos consagrados. No entanto, e à partida a competição principal, parece menos interessante e arriscada do que a secção Un Certain Regard (Um Certo Olhar, que belo título! para esta segunda mais importante mostra competitiva), que vai apresentar tanto os novos filmes de novos cineastas-autores como Sofia Coppola, James Franco, da actriz italiana Valeria Golino, Lucia Puenzo, Lav Diaz ou de radicais consagrados como Clare Denis, Hany Abu Assad ou Rithy Panh, entre outros. Embora não sejam candidatos à Palma de Ouro, a maioria pode disputar ainda a Camâra de Ouro (para novos realizadores até segunda obra). Não vai haver muitas e grandes estrelas a apresentar os filmes e a imprensa até se está a queixar da dificuldade em conseguir entrevistas. No entanto, atrações não vão faltar. O Júri Oficial da Palma de Ouro é presidido pelo realizador Steven Spielberg. As críticas à mostra competitiva têm que ser obviamente relativizadas e aferidas. Afinal, estão grandes nomes na disputa à Palma de Ouro 2013: Arnaud Desplechin, Asghar Farhadi, James Gray, Jia Zhangke, Hirokazu Koreeda, Takashi Miike, Paolo Sorrentino, Roman Polanski, Abdellatif Kechiche, entre outros. Há uma enorme curiosidade e espectativa à volta de dois filmes realizados por duas actrizes: Valeria Golino em estreia e Valeria Bruni Tedeschi (É mais Fácil um Camelo') que regressa à realização. Como todos os anos,  a secção Cannes Classics exibe versões restauradas de filmes clássicos, na esperança que em breve cheguem de novo às salas de cinema. Na lista de projecções restauradas estão, 'Cleópatra' de Joseph L. Mankiewicz; 'Hiroshima, Meu Amor', de Alain Resnais; 'Os Guarda Chuvas de Cherbourg', de Jacques Démy; 'A Grande Farra', de Marco Ferreri, 'Charulata', de Satyajit Ray; 'Tarde de Outono', de Yasujiro Ozu; 'O Deserto dos Tártaros', de Valerio Zurlini; 'Lucky Luciano', de Francesco Rosi; 'A Mulher Que Viveu Duas Vezes', de Alfred Hitchcock; e 'O Grande Vigarista', de Ted Kotcheff. É muito difícil ir a todas mas haverá ainda duas homenagens: a Jerry Lewis ('Max Rose') e outra a Stanley Kubrick, seguida da habitual master class, desta vez com o actor Malcolm McDowell, ('A Laranja Mecânica'). Quanto aos portugueses e dadas as circunstâncias, a participação não é extraordinária, mas bastante significativa, embora com apenas um único filme verdadeiramente português: a curta-metragem 'Gambozinos', de João Nicolau (Quinzena dos Realizadores). No entanto há mais presenças portuguesas se contarmos com: 'Até Ver a Luz', do sempre surpreendente luso-suiço Basil da Cunha, que se estreia na longa-metragem, igualmente na Quinzena dos Realizadores; o filme de encerramento da Semana da Crítica, intitulado '3x3D', um trípitco estereoscópico dirigido por Jean~Luc Godard, Peter Greenway e pelo português Edgar Pêra, sobre as memórias e no âmbito de Guimarães Capital da Cultura 2012; e ainda a curta-metragem 'O Cheiro das Velas', de Adriana Martins da Silva, misturada entre muitas curtas para visionamento, na Short Film Corner do Mercado do Filme. No entanto, o reconhecimento do cinema português aqui em Cannes é marcado principalmente pela presença e participação simbólica de dois realizadores: Miguel Gomes, como presidente do Júri da Semana da Crítica e de João Pedro Rodrigues igualmente como presidente do júri da Queer Palm. E esta é já a terceira vez que o realizador é júri em Cannes depois de ter sido membro do júri da Cinéfondation e da Palma de Ouro de curta-metragem em 2011 e Presidente do Júri das curtas na Semana da Crítica em 2012. É bem possível que os dois realizadores portugueses passem por Steven Spielberg e digam: Olá colega! Amanhã também vai haver uma pausa na disputa cinematográfica e por sorte sem coincidência de horários das sessões. Os olhos de quase todos os portugueses aqui em Cannes, vão estar a seguir pela televisão a final da Liga Europa: Benfica-Chelsea em Amesterdão.

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