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A VERDADE DA MENTIRA

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TRÊS IRMÃS, DE WANG BING, VENCEDOR DO DOCLISBOA 2012.

Mais do que a política foi uma inspirada contaminação da realidade com a ficção que marca os principais premiados desta edição: 'Três Irmãs', do chinês Wang Bing, na Competição Internacional: e nas Competições Nacionais de 'Terra de Ninguém', de Salomé Lamas ou 'Aux Bains de la Reine', da dupla Maya Kosa e Sérgio da Costa. De qualquer modo a grande vencedora é a jovem realizadora Salomé Lamas, que leva para casa quatro prémios, numa edição onde os filmes premiados são mais artísticos e menos activistas. As sessões foram como sempre entusiásticas, mas com menos espectadores, pois nesse aspecto sentiu-se como é óbvio a recessão.

José Vieira Mendes

O realizador chinês Wang Bing tornou-se conhecido internacionalmente, com o fabuloso 'Tie Xi Qu: West of the Tracks', um documentário épico-trágico de nove horas, sobre a deslocalização e falência de um próspera cidade (ou grande bairro) industrial, que se transformou num deserto, atirando para a miséria uma multidão de trabalhadores e famílias, que ficaram sem qualquer esperança no futuro. Neste 'Três Irmãs', (Melhor Longa-Metragem da Competição Internacional e Prémio Orizzonti na Mostra de Veneza 2012), um documentário de cerca de 2h30 (153'), Wang Bing continua a manifestar ao pormenor, a sua grande preocupação com os pobres e com todos aqueles que não se encaixam na imagem de abertura neo-capitalista e de super-modernidade que a 'economia emergente' da China, tenta 'vender' no exterior. 'Três Irmãs' é pelo contrário filmado numa aldeia perdida da montanha na província de Yunnan, China, onde cerca de 80 famílias criam gado e cultivam batatas, a uma altitude de 3.200 metros. É um documentário muito bem feito e muito terno, onde Wang segue a vida de uma dessas famílias, quase ao ritmo de uma ficção, capturando o seu dia-a-dia com uma surpreendente intimidade. Três miúdas Ying (10 anos), Zhen (6 anos) e Fen (4 anos) vivem praticamente sozinhas no pequeno vilarejo no alto das montanhas. O pai trabalha na cidade algumas centenas de quilómetros abaixo da montanha. A mãe abandonou-as já há algum tempo. As miúdas não vão à escola e passam os seus dias a trabalhar no campo ou a vaguear brincando pela aldeia. Bastante e paciente, a mais velha Ying cozinha e cuida das suas irmãs, além de fazer a maior parte do trabalho no campo. Às vezes, ajuda o seu avô e a tia em troca de uma refeição. Um dia o pai volta da cidade. Preocupado porque as suas filhas iriam crescer sem ninguém a cuidar delas decide levar consigo as duas mais jovens para a cidade e deixar Ying sozinha com o avô. A pobre Ying vai ter de se adaptar a uma vida ainda mais solitária. Com um controle magistral sobre as situações como se a câmara estivesse lá sem se ver, Wang constrói uma surpreendente crónica fílmica sobre os ritmos da vida cotidiana das crianças e da humilde familia. As imagens e a estética são quase de um pintura, contrastando as cores suaves das belas paisagens da montanha com os contraluz escuros dentro dos espaços desta humilde familia. 'Três Irmãs' é um triunfo do cinema observacional, (que não deixa ao mesmo tempo de ser político) abre uma janela à denúncia e o activismo, mas é ao mesmo tempo estranhamente mágico e artístico. A competição nacional foi ganha por 'Terra de Ninguém', de Salomé Lamas, que havia igualmente vencido o 'Curtas de Vila do Conde 2012, com 'A Comunidade'. Para além de melhor longa-metragem, 'Terra de Ninguém' venceu o prémio de Primeira Obra, Prémio Escolas e Prémio do Público. 'Terra de Ninguém', regista uma longa e bem organizada (através da montagem numerada) confissão de Paulo, um sem-abrigo lisboeta (entretanto falecido),  sobre as suas acções como comando na guerra do ultramar, que depois se torna mercenário. Um registo que vive das terríveis histórias do 'personagem', contadas com uma natural espontaneidade. Mas pouco a pouco o espectador mais atento começa  a oscilar nas contradições e na veracidade dos factos. Isto é, questionando-se se está perante um falso herói e assassino ou apenas um simples alcoólico aldrabão e mitómano. A melhor curta-metragem a concurso foi a excelente 'Aux Bains de la Reine', onde os luso-suiços Maya Kosa e Sérgio da Costa exploram com algum humor a história das Caldas da Rainha e das suas termas, num curioso misto de realidade e ficção. Foram ainda atribuídas entre os mais diversos prémios duas importantes menções honrosas: 'Amanhecer a Andar', de Sílvia Firmino, sobre as vidas dos habitantes do antigo Grande Hotel da Beira em Moçambique, nas curtas metragens a 'A Nossa Casa', de João Rodrigues, sobre o modo como os Açores eram vistos há cem anos por expatriados ingleses que também ajudaram a desenvolver as ilhas.

 

 

PREMIADOS 2012

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Competição Internacional

 

Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa-metragem da Competição Internacional: 'Três Irmãs' (San Zimei), Wang Bing

 

Prémio Especial do Júri: The Anabasis of May and Fusako Shigenobu, Masao Adachi and 27 Years without Images, Eric Baudelaire

 

Menção Especial: Sofia's Last Ambulance, Ilian Metev

 

Prémio Siemens para melhor curta-metragem da Competição Internacional: Dusty Night, Ali Hazara

 

Menção Especial: Relocation, Pieter Geenen

 

Prémio Revelação - Fast Forward/Prémio para a melhor primeira obra transversal à Competição Internacional, Investigações e Riscos: Espoir Voyage, Michel K. Zongo

 

 

 

Prémio Universidades

Prémio Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa para melhor longa-metragem da Competição Internacional: Babylon, Youssef Chebbi, Ismaël, Ala Eddine Slim

 

Investigações

 

Prémio RTP2 para melhor documentário de Investigação: Un Mito Antropologico Televisivo, Alessandro Gagliardo, Maria Helene Bertino, Dario Castelli

 

Competição Portuguesa

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Prémio Liscont para melhor longa-metragem da Competição Portuguesa: Terra de Ninguém, Salomé Lamas

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Menção Especial: Amanhecer a andar, Sílvia Firmino

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Prémio Jameson para melhor 1ª obra (primeira ou segunda longa-metragem) da Competição Portuguesa: Terra de Ninguém, Salomé Lamas

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Prémio Canon para melhor curta-metragem da Competição Portuguesa: Aux Bains de la Reine, Maya Kosa, Sérgio da Costa

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Menção Especial: A Nossa Casa, João Rodrigues

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Prémio Escolas

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Prémio Restart para melhor longa-metragem da Competição Portuguesa: Terra de Ninguém, Salomé Lamas

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Prémio do Público

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Prémio Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias para melhor longa-metragem Portuguesa: Terra de Ninguém, Salomé Lamas

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Prémio C.P.L.P/Prémio para a melhor longa-metragem dos Países de Língua Portuguesa: Cativeiro, André Gil Mata<#comment comment="EndFragment">

 

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