Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A MALTA COM O CINEMA EUROPEU

Imagens de Fundo

  • 333

MEDITERRANEAN CONFERENCE CENTRE, EM MALTA.


'A melhor arma que um cineasta pode usar contra a crise é a coragem' Roberto Rossellini, 1977 A indústria europeia de cinema reune-se este fim de semana em Malta para premiar os melhores do ano com os Prémios EFA. A cerimónia terá lugar no sábado à noite no Mediterranean Conference Centre. O favorito a ganhar mais prémios é 'Amor', uma co-produção europeia dirigida pelo austríaco Michael Haneke (estreia para semana em Portugal). 'Tabú' de Miguel Gomes era um dos filmes que estava na pré-nomeações, mas infelizmente não chegou à corrida final. A Portugal resta a esperança da representação de 'Manhã de Santo António', de João Pedro Rodrigues, candidata a Melhor Curta-Metragem Europeia.

José Vieira Mendes

O momento que vivemos na Europa de uma profunda crise económica, a que se junta muitas divergências ao nível de uma verdadeira identidade europeia, nada melhor que nos refugiar-mos no espaço cinematográfico que nos oferecem os filmes nomeados para os European Film Awards 2012. E a ver cinema também se aprende a ser tolerante e a amar a Europa. Independentemente do número de nomeações de cada um dos filmes, a cerimónia de sábado constitui em primeiro lugar um grande exemplo das potencialidades da indústria europeia de cinema, embora estejam lá essencialmente os 'pesos pesados' e a afirmação do Norte em detrimento do Sul. Os mais pequenos como 'Tabú', de Miguel Gomes, apesar de ser uma co-produção Portugal-França-Alemanha-Brasil, ficaram de fora. No entanto, trata-se mesmo sem a forte representação portuguesa do ano, de uma grande celebração do cinema e da contaminação cultural. No fundo, a essência fundamental deste espaço comum, chamado Europa. Um espaço que aos poucos se tem deixado atravessar por múltiplas influências culturais exteriores, principalmente vindas da poderosa indústria de Hollywood. Mesmo assim, apesar do peso de filmes de algumas indústrias maiores, as nomeações dos EFA 2012, são bastante díspares entre si. Os nomeados estão longe de representarem uma linguagem exclusiva do 'cinema de autor' ou possuíram uma leitura única da indústria e do panorama cinematográfico europeu. Pelo contrário, representam, no que diz respeito apenas aos candidatos a Melhor Filme, um amplo caleidoscópio de perspectivas, géneros, onde se destaca sobretudo o tema da tolerância: está implicita desde, 'Amor', de Michael Haneke, ao notável sucesso de público da comédia francesa 'Amigos Inseparáveis', de Olivier Nakache & Eric Toledano; passando pelo misterioso 'Barbara', do alemão Christian Petzold; ao teatralizado 'Cesar Deve Morrer', dos veteranos Irmãos Tavianni, rodado com os crimosos da prisão de alta segurança, dos arredores de Roma. Em relação a este tema da tolerância, podemos continuar em outros filmes, mais pequenos, menos conhecidos e que não circularam tanto, no espaço europeu: 'À Perdre la raison' do belga Joachim Lafosse (nomeia Emilie Dequeme, a Melhor Actriz Europeia), baseada numa história verídica de uma mulher europeia casada com um árabe que vê a sua independência limitada, por um matrimónio sujeito às regras do Islão. A questão da tolerância condiciona também a vida do protagonista (Mads Mikkelsen) de 'The Hunt', do dinamarquês Thomas Vintenberg, (com cinco nomeações), um professor injustamente acusado de ter abusado de uma menina. Contudo as temáticas universais europeias são muito muito mais diversas, do que a tolerância, tomando como exemplo dentro das várias nomeações grandes filmes como: o policial negro 'Era uma Vez a Anatólia', do turco Nuri Bilge Ceylan, (nomeado a Melhor Filme e Melho Direcção de Fotografia); o ensaio de espionagem, intitulado 'A Tupeira', do sueco Thomas Alfredson (que nomeia principalmente a extraordinária interpretação de Gary Oldman) ou drama no feminino,  'Paradies: Liebe', do austríaco Ulrich Seidl, (nomeia a actriz Margarethe Tiesel), sobre três mulheres austrícas de meia-idade, que viajam para fazer turismo sexual no Quénia. Aí estão as nomações aos EFA 2012, um conjunto de filmes de identidade múltipla, onde se gastaram felizmentealguns euros, mas que se esbatem em termos de fronteiras geográficas, nacionais, políticas, dramáticas, estéticas, linguísticas e narrativas. Este é um dos grandes méritos do cinema europeu (e do cinema em geral) ter a capacidade de ultrapassar todas as fronteiras.

<#comment comment="[if !supportEmptyParas]"> OS MAIS NOMEADOS:

<#comment comment="[if !supportEmptyParas]"> 'Amor', de Michael Haneke (França) - (6)

'The Hunt', de Thomas Vintenberg (Dinamarca) - (5)

'Vergonha', de'Steve McQueen (Reino Unido) - (5)

<#comment comment="[if !supportEmptyParas]"> Nomeações em: http://www.europeanfilmacademy.org/Nominations.52.0.html

<#comment comment="EndFragment">