Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A DOCE VIDA...

Imagens de Fundo

  • 333

Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh

A Cidade Eterna e os clássicos do cinema italiano são homenageados com 'La Grande Bellezza', de Paolo Sorrentino ('The Must Be the Place'), protagonizado por Toni Servillo, o melhor actor italiano da actualidade. Absolutamente delirantes são as interpretações de Michael Douglas e Matt Damnon, em 'Behind the Candelabra', de Steven Soderbergh, um biopic sobre Liberance, um exuberante pianista de music hall das décadas de 50 a 70, da indústria do entretenimento americano, mas pouco conhecido na Europa.

José Vieira Mendes

O italiano Paulo Sorrentino regressou pela quinta vez à competição da Croisette, com 'La Grande Bellezza', depois de 'As Consequências do Amor' (2004), 'L'amico di Famiglia' (2006) e 'Il Divo', (Prémio do Júri em 2008), e o percurso americano de 'The Must Be the Place' com Sean Penn, (Prémio do Júri Ecuménico em 2001). 'A Grande Bellezza' é uma homenagem à cidade de Roma e aos romanos, como o título exalta literalmente e o filme comprova nos planos de 'grande beleza' da cidade e dos seus lugares. Bilhete postal de Roma, 'La Grande Bellezza' é uma parábola sobre a eterna juventude e por oposição a dificuldade em envelhecer. A inspiração de Sorrentino vem dos filmes clássicos de Federico Fellini, como 'La Dolce Vita': o charme de Jep Gambardella (Toni Servillo), jornalista e escritor mundano, faz lembrar Marcelo Mastroianni. 'La Grande Bellezza', é ainda pela forma como retrata os romanos, um revisitaçõa de 'Gente di Roma' (2003), a última longa-metragem de Ettore Scola.

Steven Soderbergh esteve pela primeira vez em Cannes em 1989 e ganhou uma Palma de Ouro com 'Sexo, Mentiras e Video'. 'Behind the Candelabra' tem igualmente um pouco dos ingredientes, do seu filme de estreia no Festival de Cannes. Antes de Elvis Presley, Elton John ou Madonna, houve Liberace, uma grande figura da música popular norte-americana, que apesar de ter sido director musical de Cerimónias dos Óscares, ter aparecido em filmes como 'Sincerely Yours', de Gordon Douglas (1955) ou 'The Missing Caro' de Tony Richardson (1965), é algo esquecido na Europa. Liberance era um talentoso pianista de music hall, um artista exuberante, que teve um enorme sucesso tanto nos palcos, como na televisão: colocava sempre um candelabro (daí o título), sobre o piano, usava froufous e fatos de brilhantes no palco. Era um apaixonado pelos excessos e pelo kitch, tanto nos palcos, como fora deles. O filme 'Behind the Candelabra' foi escrito por Richard LaGravenese, (Oscar de Melhor Argumento em 1992 com 'O Rei Pescador' de Terry Gilliam) e relata a agitada ligação deste pianista, caprichos, excêntrico e gay, com o jovem Scott Thorson, que conheceu no verão de 1977 no seu camarim. Apesar da diferença de idade e do ambiente social, tiveram uma relação secreta que durou cinco anos. 'Behind da Candelabra' narra as cenas do relacionamento tempestuoso num período em que Liberace estava nos palcos do Las Vegas Hilton e em que se dá a dolorosa ruptura pública. No entanto, Liberance morre de Sida, dez anos mais tarde. Michael Douglas e Matt Damon imortalizam estas duas figurss, a de Liberance e do jovem amante numa delirante composição de actores e de grande risco para as suas figuras de pais de familia estáveis e felizes.  Apesar da distância são interpretações que os devem levar quase de certeza a nomeação aos Óscares 2013, apesar da polémica centrada nos meios mais conservadores da opinião pública norte-americana, terem tentado um boicote a esta produção. O filme conta ainda com excelentes interpretações de secundários famosos como: Dan Aykroyd, Rob Lowe e Debbie Reynolds.

<#comment comment="EndFragment">