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A CANTIGA É UMA ARMA

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‘Inside Llewyn Davis’, de Ethan e Joel Cohen

Os Irmãos Cohen, a dupla de realizadores mais habituée de Cannes regressou à competição com 'Inside Llewyn Davis', uma evocação da cena da música folk na Nova Iorque dos anos 60 pós-beatnick e antes da pop. O holandês Alex Van Warmerdam apresentou uma insólita parábola sobre o regresso da luta de classes às sociedades ocidentais.

José Vieira Mendes

'Inside Llewyn Davis', marcou um esperado regresso de Ethan e Joel Cohen, a Cannes, seis anos depois de 'No Country For Old Men'. Vencedores da Palma de Ouro em 1991 com 'Barton Fink', e mais dois Prémios de Realização: 'Fargo', em 1996 (que lhes valeu um Oscar de Melhor Argumento e está a ser agora transformado em série de TV) e O Barbeiro, em 2001, os Irmãos Cohen, são uns dos filhos predilectos do Festival de Cannes. Este  seu novo filme, 'Inside Llewyn Davis', uma obra menor, mas muito bem cuidada e musical, que evoca a cena folk nova-iorquina dos anos 1960, antes da pop e através da autobiografia do cantor Dave Van Ronk: um verdadeiro talento e um resistente à tendência, que se avizinhava, mas nem por isso uma grande influência para Bob Dylan. O controverso personagem é brilhantemente interpretado pelo actor latino Oscar Isaac, (no filme parece uma combinação de Martin Scorcese quando era novo e John Turturro), conhecido pela sua composição em 'Balibo' do australiano Robert Connolly e depois por uma gato. Na história do cantor e do gato estão no elenco ainda, Justin Timberlake, Carey Mulligan, a protagonista de 'O Grande Gatsby' de Baz Luhrmman, F. Murray Abraham (o Saliery de 'Amadeus') e John Goodman, um dos intérpretes de fétiches dos irmãos Cohen. Insólito e estranho é o mínimo que se pode dizer de 'Borgman', do realizador holandês Alex van Warmerdam. Com oito filmes realizados na sua carreira, que passaram nomeadamente pelos festivais de Veneza e Berlim, o holandês chega agora a Cannes. 'Borgman' é um drama psicológico e anarquista, carregado de humor negro. Uma história, marcada pela implosão de uma família burguesa, que acaba vapirizada por um sem-abrigo e por um bando sem escrúpulos. 'Borgmam' é uma parábola um pouco passada no tempo, sobre a estratificação nas sociedades ocidentais. Mas também pode ser uma metáfora para as consequências desta crise, alertando para: o regresso da luta de classes, as fracturas sociais, a violência e desvastação humana. Dois filmes nada a ver um com o outro, mas a cantiga ainda pode ser uma arma para a revolução!

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