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A AFIRMAÇÃO DAS COMÉDIAS

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‘Workers’, de José Luis Valle, o vencedor de Huelva.

Um palmarés muito acertado marca o final da competição onubense. A comédia negra mexicana 'Workers', de José Luis Valle, na verdade um dos melhores filmes a concurso, foi um justo vencedor do Colombo de Ouro e vencedor do Prémio de Argumento. O júri concedeu ainda, com alguma surpresa um Prémio Especial ao filme argentino 'Vino para robar', de Ariel Winograd, uma comédia romântica policial, e a Caravela de Prata a 'Las analfabetas' do chileno Moisés Sepúlveda, uma primeira obra, baseado num excelente drama teatral, para duas actrizes (ver crítica no último texto).

José Vieira Mendes

Costuma-se dizer que a melhor colheita vem para o final. Na verdade este ano os programadores de Huelva, lançaram o melhor no início e os prémios mais importantes foram sem dúvida, para filmes estreados, nos primeiros dias do festival. Os últimos dias não foram penosos, mas foram menos interessantes que em anos anteriores. Também é curioso que tenham sido duas comédias a arrecadar alguns dos prémios principais. O júri constituído pelo programador Denis DeLaRoca, o produtor J. Pablo Gugliotta, a maquiladora Sylvie Imbert; a actriz María Cecilia Sánchez e Christian Sida, diretor do Festival Latino Americano de Vancouver, atribuíram e bem o Colombo de Ouro a 'Workers (México/Alemania, 2013) a longa-metragem do realizador salvadorenho, (radicado no México) José Luis Valle, que até agora dirigiu documentários e curtas-metragens. O filme tem feito uma carreira internacional admirável, para uma pequena produção intimista e algo experimental na forma como lida com o humor e a ironia, mas igualmente com a luz e os planos, quase todos algo estáticos e uma narrativa muito lenta. Depois da participação a concurso no Festival de Roterdão, obteve os Prémios de Melhor Filme no Festival de Cinema da América Latina de Biarritz e em Guadalajara (México). Trata-se de duas visões da imigração ilegal e o que isso pode acarretar, para o bem e para o mal: um trabalhador salvadorenho exemplar e eficiente, depois de trinta anos de trabalho duro nas limpezas de uma fábrica, a sua empresa mexicana nega-se a dar-lhe a reforma; uma empregada doméstica ao serviço de uma senhora muito rica, tem uma grande surpresa, com  a abertura do testamento depois da morte da sua patroa. São duas histórias paralelas (que valeram também o Prémio de Argumento), que mostram no início que entre os dois personagens parece ter havido no passado uma história de amor. Só que o futuro vai-lhes trazer uma reviravolta no destino. No início estamo perante um drama social e duas situações adversas em que vivem os dois protagonistas, que vai evoluído, para uma notável comédia negra, carregada de ironias, (como o destino) narrada a um muito ritmo lento, mas com subtilezas e detalhes, que apelam à cumplicidade com o espectador e a um final aparentemente feliz. Notáveis igualmente em 'Workers' são as interpretações dos protagonistas e dos actores secundários, quase todos eles não-profissionais. O Prémio Especial do Júri foi para outra comédia: o filme argentino 'Vino para robar', de Ariel Winograd (Mi primera boda, 2011). O género do filme, inspiradamente hollywodesco, não é muito habitual nos filmes latino-americanos. 'Vino para robar', consegue combinar de uma forma soberba a comédia romântica e o policial. E essa graciosa combinação de certos clichés do cinema americano é talvez o seu grande mérito. Trata-se de um thriller que mistura a acção de James Bond, com um certo suspense de Alfred Hitchcock, num filme sobre um casal de ladrões de colarinho branco (a atraente Valeria Bertuccelli e o arrogante Daniel Hendler), feito com a mais pura das despretensões e fórmulas dos filmes de entretenimento. Se não é habitual este género de filmes ser premiado em festivais, mas ainda bem que o foi, certo é que vai agradar muito aos espectadores.   O Colombo de Prata para a Melhor Realização foi curiosamente para a chilena Alicia Scherson pela sua obra 'El futuro' (Chile/España/Alemania/Italia, 2013), o filme, baseado na novela de Roberto Bolano, passada nos luxuosos arredores de Roma, recebeu ainda o Prémio de Melhor Actriz para a sua protagonista Manuela Martelli, que estava em Huelva. O colombiano Marlon Moreno pelo sua excelente interpretação 'Cazando Luciérnagas' (Colómbia, 2013), de Roberto Flores Prieto, recebeu o Prémio de Melhor Actor, levando a melhor sobre um dos favoritos o peruano Fernando Bacilio de 'El Mudo. O filme colombiano recebeu ainda o Prémio pela Melhor Fotografia para Eduardo Ramírez. Os espectadores atribuíram o Prémio do Público ao tocante drama de redenção familiar, 'La distancia más larga' (Venezuela/España, 2013), de Claudia Pinto. Palmarés completo e prémios paralelos em: www.festicinehuelva.com <#comment comment="EndFragment">