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Uma Família com etiqueta: Acima das Nossas Possibilidades

Estado Crítico

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the joneses

Mas muito abaixo das possibilidades da story line: agentes de vendas que se fazem passar por família feliz



Bem... o que não fariam os nossos provectos e despigmentados actores cómicos de estimação, Vasco Santana, Ribeirinho e António Silva, se apanhassem pela frente uma premissa como esta? Uma suposta família perfeita, todos bonitos, ricos e sexys, vai viver para uns subúrbios muito abonados, mas afinal, tanto o casal, como os dois filhos teenagers, não passam de funcionários de um departamento comercial cuja missão é fomentar o consumismo nos vizinhos, que invejam o seu estilo e popularidade e então vá de adquirirem as mesmas marcas, os gadgets, os plasmas, os fatos de treino, os carros, os tacos de golfe e as maquilhagens... Dava para uma típica comédia de situação, cheia de mal-entendidos e qui-pro-quo... Porque afinal o pai e a mãe nem sequer dormem juntos, e ela é a chefe dele, o rapaz é gay e a miúda tem um fraquinho por homens mais velhos. Bem... O que não faria Peter Weir, numa lógica de Truman Show (1998), com esta família falsa, manequins vivos, com etiquetas nas roupas, e que fazem da casa montra? Mas nada disso. Ficou um filme inodoro, insípido e incolor, que são boas qualidades para a água, mas não para uma comédia. Quase nada do potencial humorístico que o "what if" encerra é explorado, as máscaras são retiradas logo no início do filme, não há factor surpresa, não há sátira ao consumismo, nem nenhuma crítica mordaz ao endividamento, e à vida acima das "nossas possibilidades" (o filme chega-nos ao fim de quase quatro anos). Tudo é banal e desinteressante. E até bastante deprimente para uma comédia: há um suicídio, um desastre de automóvel, e no peito de um vendedor também bate um coração...

Uma Família com Etiqueta

De Derrick Borte. The Joneses, com Amber Heard, Bem Hollinsworth, David Duchovny, Demi Moore, Gary Cole. Comédia. 96 min. EUA. 2009