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Prometheus: No espaço não te ouvem gritar

Estado Crítico

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O mais esperado filme futurista de Ridley Scott, desde Blade Runner. 30 anos depois, os replicantee andróides continuam com ressentimentos existenciais e os origamis agora são em 3D

Se Deus existe é bom que tenha uma boa desculpa, dizia Woody Allen. No novo e tão aguardado regresso ao espaço e aos ambientes futuristas de Ridley Scott, também se vai à procura do principal suspeito, do criador destas criaturas, às vezes tão indignas que somos nós, os humanos. Depois de Alien- o Oitavo Passageiro (1979) e de Blade Runner (1982), também Scott faz uma inversão na sua marcha para regressar às origens - às suas e às do próprio género que, com estes clássicos, ele ajudou a cristalizar para sempre. E podemos garantir que o que vamos encontrar nesta viagem de dois anos até à galáxia distante não vai ser agradável. O mal está dentro de nós - pois claro. O filme é absolutamente extraordinário, apesar de arrasar com mais de uma centena de anos de Darwinismo, num história que remete para o mito de Prometeu, proscrito por Zeus por se atrever a dar fogo ao homem (ou seja, a técnica), e para inúmeras caixas de pandora - que, como se sabe, é uma imprudência abri-las. Scott não foge dos clichés do género espacial: a tripulação multi-étnica, as personagens tão perfeitas (Charlize Theron e Fassebender) que podem não ser reais, os códigos luminosos que se teclam para abrir as portas dentro das nave, os countdowns para as evacuações, as hibernações por crio-perservação... Há qualquer coisa de Kubrick na forma como utiliza Chopin no espaço e em certos ambientes estilizados (não  há como fugir-lhe)  A obsessão pela claustrofobia está lá, a opção de abdicar de cenas de sexo também, assim como aquela questão "bladerunniana" da angústia existencial das criaturas, replicantes, cyborgs ou robots (que, afinal, seremos todos nós). Ah, e também aqui o papel preponderante é de uma mulher: Noomi Rapace - e este é talvez o ponto mais fraco do filme. Ela não enche o espaço sideral quanto mais o ecrã, como o fazia Sigourney Weaver... Pena. De resto, tem a melhor auto-cirurgia da história do cinema e um múlusco extraordinariamente viscoso e gigante, cheio de tentáculos e ventosas. Bem, e um Alien sozinho, numa nave espacial abandonada. E isto faz soar a campainha...