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Lawless: Jeremias, os-fora-da-lei

Estado Crítico

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Uma fusão entre o filme de gangsters e o western em que os heróis são os campónios de suspensórios

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 Já vimos muitos filmes passados nos EUA dos anos 30, nos tempos das lei seca e da grande depressão, em que gangsters e Al Capones, prosperavam à conta do contrabando e da corrupção policial, e faziam opulentas e muito loucas festas. Já viemos assistindo (faz quase um género) a obras de época em que a empatia se dirige automaticamente para os "bons gatunos", como o clássico Bonnie and Clyde e o mais recente Inimigo Público - ambos coincidem na época, na circunstância de os vilões estarem um bocadinho mais próximo da lei do que os heróis e na excelente banda sonora. Este filme também tem uma excelente banda sonora (assinada por Nick Cave, também autor do guião) e é, mais uma vez a história da América, dos bons e dos maus e da lei da bala. E da dinamite. Só que aqui conta-se uma vertente menos explorada: não a dos grandes gangsters, não a dos fora-da-lei com estilo, mas a dos pacóvios das montanhas, aqueles que, durante a lei seca, tinham destilarias clandestinas e fabricavam o mais letal das aguardentes, a partir do que estivesse ao seu alcance: nabo, beterraba ou maçã. E que tanto podia servir-se num copo como num depósito de gasolina. Marchava tudo. Estes eram aqueles que usavam suspensórios e chapéu, palhinha na boca e ficavam a assistir às festas alcoolizadas pelas frestas das portas dos fundos. A história de três irmãos (que ao que parece existiram mesmo) que se julgavam invencíveis e defendiam a sua negociata até às últimas consequências, nem que para isso tivessem de levar um balázio (vernáculo de faroeste), umas facadas ou uma carga de dinamite. O filme tem as várias modalidades de violência - até aquela que quase se tornava cómica nos livros de Lucky Luke, mas que aqui se demonstrava ser uma medonha tortura de morte lenta: a cobertura de alcatrão quente com penas. O bando dos super-irmãos das montanhas, "corleones-campónios" é protagonizado por outro bando de um super-elenco. E o filme muito energético, cheio da sedução transgressiva (é também para isso que serve o cinema), com uma boa caracterização de personagens (embora um tanto lineares), um prólogo que só vale pela ironia,  parece fundir dois géneros num só: o filme de gansters e o western. Só faltam os cavalos e as perseguições fazem-se naquelas carripanas dos anos 30, de resto há xerifes, rapariguinhas de saloon e fora- da-lei - uns mais índios que outros.