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CERTIDÃO DE HOBITT

Estado Crítico

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Mero trocadilho de gosto duvido, para a muito vivificante primeira parte da segunda trilogia do autor do Senhor dos Anéis

Certidão de Hobbit

 

E foi desta que os anões, os sete, aqueles de 1937, com nomes  fofinhos e muito cantadeiros, foram definitivamente destronados. Por estes 13, também muito dados à garimpagem, mas sujos  e com poucas maneiras à mesa, e que se chamam Thorin, Bifur, Bofur, Bombur, Balin, Dwalin, Fili e Killi (distinguíveis pelas barbas e pelos adereços bélicos), e por aí fora... E esta sequência só não seria importante senão se antevisse, desde já, a frebre Tolkien/Peter Jackson a rebentar não tarda nada, e que, com ela, cheguem, por arrasto, pazadas de merchandising: todos os meninos vão querer a coleção completa dos "anoezões" (pequeninos mais mauzões), os três feiticeiros (Gandalf e Saruman que já compareciam na anterior trilogia, e ainda Radagast, o feiticeiro dos animais, que vive na floresta  com pássaros a fazer-lhe ninho no cabelo), e ainda o Hobbit tio, o muito british Bilbo, e a estranha criatura bipolar, sibilante e agachada, das profundezas: o Gollum. Curiosamente de todas as terríficas criaturas que Tolkian criou e Jackson recriou, lá na terra média, e são muitas (dragões, aranhas gigantes, necromantes, orcs e trolls, nazgulls...), a que arrepia de verdade é a mais parecida com um humano, de olhos dilatados, como o gatinho das botas do Shreck, os seus nove dentes afiados, e as suas maneiras viscosas. Ainda não é nesta prequela que vamos conhecer o segredo do estranho ser (apenas assistimos a um duelo de adivinhas), nem assistir à lendária luta com o dragão que se apropriou dos reinos dos anões, nas entranhas da montanha, com todo o seu ouro. Mas quem se encantou com as paisagens neozelandesas (o filme está cheio de panorâmicas aéreas), com as casas enterradas dos hobbits, com aquele amistoso povo baixote, com pés enormes e peludos, vai poder matar saudades, e emocionar-se com as primeiras notas da conhecida banda sonora. Talvez Jackson neste seu regresso, carregue mais no lado das trevas (os alegres hobitts e os solares elfos têm aqui muito pouco protagonismo, Cate Blanchett só veio cumprir a única quota feminina), e se acentue imenso as cenas de penhascos e precipícios. Volta e meia, vemos anões a despenharem-se de árvores, pontes suspensas, ou abismos. Também se dá mais atenção à questão gastronómica, os anões têm muito apetite, e há também imensas cenas em que uns pretendem devorar outros. Mas depois existem as habituais espadeiradas, claro: estamos no reino da idade média fantasista. Mas quem se indaga sobre o que ainda falta fazer no cinema, fica a sensação de que não é desta que se pode dizer: ficamos por aqui.         

O Hobbit: Uma Viagem Inesperada

De Peter Jackson. The Hobbit: An Unexpected Journey, com Martin Freeman, Billy Connolly, Cate Blanchett, Christopher Lee, Elijah Wood. Aventura. 169 min. EUA. 2012