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Capitão Philips PIRATAS AO FUNDO

Estado Crítico

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Uma história verídica da pirataria do século XXI, sem sentimentalismos nem heroísmos

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O cinema americano sempre vampirizou os medos americanos. Da mesma maneira que todas as fobias americanas serviram para manter a população sempre de dedo no gatilho. Ora eram os índios, ou as abelhas assassinas, ou os marcianos, ou as epidemias, ou os comunistas ou o terrorismo islâmico ou, agora, os piratas da Somália. Tudo isto não invalida que este seja um filme muito equilibrado, no sentido em que não envereda pela exploração gratuita do medo do desconhecido. Ou melhor, dá uma no cravo, outra na ferradura. Por um lado, não deixa de salientar que o cargueiro veridicamente assaltado por piratas da Somália, em 2009, até transportava ajuda alimentar para populações africanas subnutridas. Mas por outro, dá oportunidade ao pirata somali de dizer que não tem outra alternativa senão ser ladrão dos mares: na América talvez, não na Somália. Sobretudo o que é louvável no filme e muito desintoxicante é o facto de conseguir manter um ritmo inquebrável, sem recorrer aos habituais artifícios cinematográficos já tão estafados. Como recorrer ao sentimentalismo - a personagem, um fabuloso, muitíssimo versátil Tom Hanks (mais do que certo nomeado a óscar), é um comandante competente e cauteloso, não um herói desumanamente corajoso, daqueles que têm sempre uma tirada sarcástica nas alturas mais críticas. Nem se abriga sob o embelezamento do mar ou das artes de mareação (aqueles cargueiros parecem escritórios por dentro e são geridos com tal, embora haja sempre a hierarquia do comandante), nem se demoniza os piratas, nem se endeusa as equipas especiais de resgate (que são tratados como profissionais, competentes também, e não com o estardalhaço do "vem aí o sétima da cavalaria!"), nem sequer se diz mais do que o necessário acerca do protagonista: apenas que é um pai de família, vagamente preocupado com a adolescência dos filhos, cumpre regras de segurança e do resgate, aguenta-se, vai-se a baixo, recupera, e nem parece saber manejar uma arma. Enfim, um caso raro no cinema de acção americano.