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ARGO Tirem-me deste filme!

Estado Crítico

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A melhor má ideia para resgatar reféns no Irão  

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Apostado em mostrar que não é apenas cabeça de cartaz de blockbusters medíocres, esta é a terceira vez que Bem Affleck passa para o outro lado (ou permanece em ambos), depois de Gone Baby Gone (2007) e The Town (2010). Esta história, demasiado verídica para ser tão louca, é, sem dúvida, a mais impactante por ele realizada, e não estranhem que compareça nos óscares, com uma nomeação qualquer (e que depois, justamente, não ganhe nenhuma). Estamos em 1979, o pico da revolução iraniana, e mais uma vez os EUA envolvem-se desastradamente em política alheia, por terem apoiado o Xá deposto. O filme é muito pedagógico, a colagem entre imagens reais e ficcionais muito funcional, e lá estará uma voz off e uns desenhos, a ver se percebemos bem as circunstâncias históricas. A embaixada americana é invadida pelas turbas fundamentalistas, fazem 52 reféns, o presidente Carter trata do assunto, primeiro com pinças depois com tenazes de caterpillar, porque ao fim de quase dois anos, com a pressão da opinião pública e de umas eleições que se anunciavam (de onde o republicano Reagan sairia vencedor), a operação de resgate tentada revela-se catastrófica. Mas, o filme é sobre um episódio muito menos mediatizado, dissimulado nos cofres fortes da CIA, (aliás só foi liberalizado muito recentemente por Clinton). É que, durante a invasão à embaixada, seis norte-americanos conseguiram fugir e encontraram abrigo na casa do embaixador canadiano. Nas catacumbas da CIA congeminam-se esquemas para os retirar de lá, era uma questão de dias até serem apanhados: arranjar-lhes umas bicicletas e uns mapas para irem até à fronteira, fazerem-se passar por professores de inglês... Até que um operacional (Affleck), especialista em "extracções" (chama-se mesmo assim ao resgate de pessoas em perigo como de um dente em mau estado), tem "a melhor das piores ideias", enquanto assiste ao Planeta dos Macacos. Fazerem-se passar por um equipa de filmes canadiana que vem ao Irão fazer a "repérage" de um filme ridículo de ficção científica, e por isso necessitam de "décors" exóticos e desertos como os um planeta distante. Com a ajuda de gente de Hollywood montam uma produtora falsa, arranjam um guião que se chama Argo, com cartaz, figurinos e apresentação à imprensa: este vai ser "um hit fake movie". O esquema é rebuscado e estúpido, mas aconteceu mesmo, e os guerreiros da revolução entusiasmam-se com os croquis dos monstros espaciais- o que faz um estranho "raccord" com os desenhos do princípio do filme para nos convencerem a nós. Bem... Affleck passa o filme inteiro com a mesma cara: quando está aflito, apreensivo ou indeciso e há um problema com a verosimilhança, o que impede um filme mediano de subir de categoria. A mais pura das verdades não é necessariamente boa para a ficção. Mas agora não temos mais espaço para questões aristotélicas.   

De Bem Affleck. Argo, com Ben Affleck, Bryan Cranston, Clea DuVall, John Goodman, Kyle Chandler, Taylor Schilling. Thriller. 120 min. EUA. 2012