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Monstros, Vampiros, Zombies - tudo boa companhia

Encontros Imediáticos

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Conheça as novas tendências Outono/Inverno do Terror, com a ajuda do Motel X, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, e saiba quais os (sub)géneros dentro do género

Às  vezes, Pedro Souto e João Monteiro, dois dos cinco organizadores da 6ª edição do Motel x (Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, de 12 a 16 de Setembro) põem-se a olhar para o espelho. Que tipos são estes, questionam-se, que gostam de ver sangue a jorrar, cabeças decapitadas, criaturas medonhas... "É quase a mesma coisa do que ler o Correio da Manhã ou parar para ver um acidente. O princípio é o mesmo: uma necessidade primária de violência. Só que um bom filme de terror tende a problematizar, obriga a pensar, não apenas a explorar", concordam. São da geração da TV e do vídeo-clube, muitas vezes escolhiam os filmes pela capa mais atraente (neste caso, aterradora) e frequentavam prateleiras já muito próximas dos porno. "O primeiro susto é quando nascemos, toda a natureza é violenta, o sol é violento, com milhões de explosões nucleares a ocorrer... O bom nos filmes, é que no fim dos sustos e do medo, tudo acaba bem.". Depois, há um lado do ritual: "A partir do momento em que se consegue ver filme de terror e dormir è noite, já somos homens", riem-se. O medo faz parte da vida, "o nosso sistema nervoso precisa deste teste", "mais vale ter medo do que não existe: no cinema. Passamos pela experiência mas não nos acontece nada". É verdade que pode resvalar para a exploração e choque gratuito - "mas também para a meditação...".Os organizadores vêem cerca de 200 filmes de terror por ano, para seleccionarem  cerca de meia centena para o festival (quase todos inéditos em Portugal e que nunca passarão no circuito comercial), já conhecem os truques, os tiques do realizadores, mas quando algum filme ainda os faz estremecer na cadeira... "isso é um êxtase".

O género tem um passado provecto, já Meliés ou Griffith realizavam filmes de terror, mas foi sempre mal-estimado, "bode expiatório, acusado de incitador da violência". "O Silêncio dos Inocentes era um filme de terror, depois de ganhar os Óscares passou a filme policial ou thriller".  A recente vaga de vampiros que ensanguentou telas e telinhas, desde o cinema à televisão, a reboque da saga Twillight pode ter uma explicação: "No seguimento do entusiasmo Harry Potter talvez se tenha aproveitado o interesse criado pelo fantástico e sobrenatural". Por outro lado, gerou-se um puritanismo nunca visto em filmes de vampiros, sempre envolvidos em climas sexuais e eróticos. "No Twilligh o par romântico não faz sexo, e apenas há um beijo". Aos vampiros sucedeu-se um enorme interesse por outras criaturas sempre vorazes e de andar trôpego: os zombies. "No Terror, a moda dos subgéneros é mais ou menos cíclica". Estes, ao contrário dos vampiros ou dos monstros criados por homens, ou lobisomens (que tiveram a sua origem na literatura, em Bram Stoker ou Mary Shelley, e na tradição dos contos populares), são criações puramente cinematográficos. E os cânones que Romero lhes introduziu, em A Noite dos Mortos Vivos, 1968, continuam a ser respeitados, com poucas variações. Existe sempre a lógica da epidemia e do canibalismo. "Romero criou um dogma do terror que ainda ninguém se atreveu a mudar". Aliás, a simpatia do autor vai todas para estes não-seres; apesar do seu aspeto deplorável, e apetite insaciável, eles são os bons da fita. Os temíveis humanos, esses sim - os ainda vivos- é que" acabam por se tramar uns aos outros- é a metáfora social que subjaz". Quanto aos fantasmas continuam com a popularidade de sempre, ainda mais agora com todos estes suportes eletrónicos, os rastos que vamos deixando por aí nos e-mails, "nas redes sociais em que mesmo os mortos continuam por lá". A pairar.

 

 

GIALLO

Deep Red, de Dario Argento (1975)

Foi Dario Argento, o convidado  presente nesta edição, que criou o sub-género com este filme. Uma espécie de policial italiano, só que em vez do "noir" há cor, música e uma violência explícita, barroca, excessiva, sem que o realizador se preocupe em se auto- impor limites. Daí haver uma série de cópias censuradas (a organização fará um esforço para encontrar as cópias mais intocadas)... Além da "glamourização da violência", a história pouco importa, o ritmo "desacelera-se" em planos curtos e close-ups de uma  gota de sangue a escorrer na parede.

VAMPIROS

Midnight Son, de Scott Leberecht (2011)

Um  dos sub-géneros mais remotos,  ganhou uma nova dimensão nos últimos anos: "adolesceu" e "desexualizou-se" com Twillight, ganhou um design nórdico com o filme sueco Deixem-me  entrar, e voltou a entrar no estado adulto com esta primeira obra americana: a história de registo realista, de um homem que vive de noite porque tem uma doença de pele e alimenta-se de sangue nos lixos tóxico de um hospital.

 

SLASHER

Urban Explorer, de Andy Fetscher (2011)

Este sub-género é mais contemporâneo, nasce nos anos 80. Há sempre um assassino, perseguições e vítimas. No início consideraram-no sexista porque as vítimas eram sempre mulheres e depois evoluiu num sentido mais gore, com abundantes cenas de desmembramentos... Neste filme alemão, um grupo decide explorar os subterrâneos do Metro em Berlim e contrata um guia.

FOUND FOOTAGE

V/H/S, de Matt Bettinelli-Olpin (2012)

Tem a ver com a cultura do reality show e da câmara de filmar sempre à mão. É claro, confirmam os organizadores do Motel X, que "esta lógica havia de chegar ao Terror". "Em 98% dos filmes começa-se com alguém a afastar a câmara com a mão e a perguntar se não vai estar o tempo todo a filmar". Blair Witch Project foi o primeiro a avançar, com as filmagens à mão, tremidas, assumidamente caseiras e amadorismos simulados. Nesta obra conjuga-se o skype com a estética analógica, porque um grupo encontra uma casa com um morto rodeado de cassetes VHS de filmes macabros.