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Jorge Quintela: Cinema de bolso

Encontros Imediáticos

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Depois de Rapace (2006), de João Nicolau, um filme português voltou a ganhar a competição internacional do Curtas de Vila do Conde. Carosello, de Jorge Quintela, é um filme de bolso, como lhe chama o próprio realizador, feito com a câmara fixa (com dois planos sobrepostos) e uma narração em voz off. O JL falou com o realizador de 21 anos que também apresentou Ausstieg, na Competição Experimental do Curtas.

Depois de Rapace (2006), de João Nicolau, um filme português voltou a ganhar a competição internacional do Curtas de Vila do Conde. Carosello, de Jorge Quintela, é um filme de bolso, como lhe chama o próprio realizador, feito com a câmara fixa (com dois planos sobrepostos) e uma narração em voz off. O JL falou com o realizador de 21 anos que também apresentou Ausstieg, na Competição Experimental do Curtas.



Já tinha sido selecionado para Vila do Conde com o filme O Amor é a Solução para a Falta de Argumento, mas acaba por vingar com Carrosello, uma ideia bastante mais simples, quase minimal.

Carossello e Ausstieg são filmes de bolso, trabalhados com o argumentista Pedro Bastos, que obedecem a premissas. Há um trabalho com a imagem e a palavra. Estabelece-se como regras o uso de um só plano e a narração através de uma personagem. Os filmes partem de uma imagem registada sem a pretensão de transformar em filme. Só ao rever as imagens captadas surge a necessidade de construir uma narrativa.



O conceito de filme de bolso tem que ver apenas com a produção ou também com a forma como os filmes são recebidos? São filmes a pensar em telemóveis e tablets?

Não necessariamente. O conceito originário de filme de bolso é do meu amigo Paulo Abreu, que tem há alguns anos umas séries chamadas pocket movies, numa lógica de produção reduzida, mas sem as mesmas premissas. A ideia tem a ver com a contenção na estrutura de produção e não com o seu visionamento. O filme foi feito a pensar na sala de cinema.



Temos falado em cinema experimental, mas contudo o seu filme não é abstrato, há uma personagem concreta que nos fala da sua vida...

A narrativa não é de todo experimental. Até é bastante linear. A experiência está no processo e no artefacto. Mas a barreira entre a ficção convencional e o experimental, em geral, é cada vez mais ténue, vai-se quebrando.



Optou por estes filmes de bolso por uma questão estética ou por necessidade financeira, devido à falta de financiamento?

É um conjunto de fatores. Comecei a fazer estes filmes de bolso em 2010, porque era a única forma de satisfazer o meu desejo de realizar, na ausência de uma estrutura que me apoiasse. Mais tarde acabei por contar com o Bando à Parte e o Rodrigo Areias. E a verdade é que essa estrutura existe porque já foi financiada.



Por que motivo o filme é falado em italiano?

A imagem do carrossel foi filmada na Praça da República, em Florença. Só mais tarde, ao ver esse plano, tive a ideia de filmar uma narrativa. O Ausstieg foi filmado em Berlim e é falado em alemão. Um dos desafios destes filmes de bolso é tentar construir uma personagem dando uma visão sobre a cultura do país em causa.



Que perspetivas se abrem com este prémio?

Dado o seu caráter experimental, surpreendeu-me logo á partida que o filme fosse selecionado para a Competição Nacional. Por isso, o prémio foi uma grande surpresa. Vai permitir que este e os próximos filmes tenham mais visibilidade. O meu próximo projeto não é um filme de bolso, mas uma curta-metragem, com os meios normais de produção, que recebeu apoio do ICA em 2011.



Destaque : A barreira entre a ficção convencional e o experimental, em geral, é cada vez mais ténue, vai-se quebrando.