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A Advogada: A (des)culpa serve-se fria

Encontros Imediáticos

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conviction

Um drama verídico em grau aumentativo; um filminho... em diminutivo



Costuma dizer-se que o pior de tudo é ser tarde demais. Mas ainda se pode piorar mais: é levar com um composto químico na veia, uma combinação de tiopentato de sódio, de brometo de pancurônio e cloreto de potássio. A pena de morte por injeção letal existe em 36 dos 50 estados americanos. A primeira sorte do protagonista desta história verídica dos anos 80 é ela passar-se em Massachusetts, estado em que a pena de morte não é admitida no sistema penal. A segunda sorte é a de ter tido uma irmã persistente, que, apesar da pouca escolaridade, conseguiu licenciar-se em Direito só para, 18 anos depois,  livrá-lo da prisão perpétua, a que estava condenado por homicídio de primeiro grau. A terceira sorte do homem foi o poder de absolvição do ADN, que já pôs fora de grades 254 inocentes, injustamente condenados. E isto é basicamente o que interessa reter no filme do ator e realizador Tony Goldwin. De resto, já vimos este filme dezenas de vezes. Tudo muito esquemático, correctinho e honestinho. E estes dois diminutivos até servem, neste caso, para sugerir uma tela abreviada à dimensão televisiva.  Haveria, porventura, uns laivos de "interesse" no facto do preso não ter de facto "interesse" nenhum. Nem a mãe, nem os amigos, nem a mulher, a ex-namorada e a filha, nem os sobrinhos ou o cunhado demonstram ter algum "interesse" nele. Pior: nem o espetador. Exceto a irmã, que parece gostar e até achar graça a um tipo arruaceiro, um bocado boçal e semi-analfabeto (Sam Rockwell). Em nome dos velhos tempos, em que eram miúdos negligenciados, arrobavam casas, roubavam doces e eram encarcerados em reformatórios. Mas mesmo assim este tópico não consegue força suficiente. Outro potencial do filme é ser protagonizado por Hiilary Swank, uma das raras actrizes duplamente oscarizadas - a primeira por Os Homens não Choram (1999) e a segunda por Million Dollar Baby (2005). Mas nunca mais (muito menos aqui) Hillary Shank atingiu o fulgor de outrora. É pena. Mas viva o ADN, claro.      

A Advogada

De Tony Goldwyn. Drama, com Hilary Swank, Sam Rockwell, Thomas D. Mahard. Conviction. EUA. 2012