O cinema em Portugal está de parabéns. Apesar da crise, do aumento do preço dos bilhetes e da pirataria, o número de espetadores, em 2010, aumentou para 16,6 milhões. É o primeiro ano em que o número de espetadores aumenta desde 2005. O filme português mais visto foi A Bella e o Paparazzo (98 792 espetadores), de António-Pedro Vasconcelos, seguido de Contraluz (83 724) , de Fernando Fragata, Filme do Desassossego, e José & Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes (14 846). O cinema português teve mais de 315 mil espetadores, correspondendo a uma receita de 1,3 milhões de euros. Avatar foi o filme estrangeiro mais visto (781 875), seguindo-se de Shrek Para Sempre (742 914) e Eclipse (522 890). A Revista americana New Yorker, por seu lado, colocou quatro filmes portugueses entre os melhores de 2010. A saber: O estranho caso de Angélica, de Manoel de Oliveira (8º), Aquele querido mês de Agosto, de Miguel Gomes (10º), Ne change rien, de Pedro Costa (11.º), e A religiosa portuguesa, de Eugêne Green (15º).
Entretanto, Sem Companhia, o filme de João Trabulo, ganha uma segunda vida, com a exibição em Serralves, dias 15 e 16, e a exposição no Centro Português de Fotografia, de 15 de janeiro a 27 de fevereiro, marcam a segunda vida. O filme fez um percurso pelos festivais e ganhou o prémio para a melhor fotografia da competição nacional do Indie Lisboa. O realizador e produtor optou por seguir as pisadas de João Botelho, que fez uma autêntica digressão por cine-teatros, apenas com uma cópia, e ultrapassou os 16 mil espetadores. Assim sendo, depois de Serralves, a partir do final de fevereiro, o filme circulará por outras salas do país. Sem Companhia é um documentário rodado numa prisão de alta segurança, que conta as histórias e as amarguras de alguns presidiários. Distingue-se também pela sua qualidade estética que assenta também no uso da câmara fixa.
Destaque-se ainda que a Zero e Comportamento, produtora do Indie Lisboa, convida-nos a conhecer um dos mais acutilantes realizadores europeus da atualidade. A retrospetiva integral de Sergei Loznitsa decorre, de 13 a 16 de janeiro, na Culturgest, em Lisboa. Passam três longas-metragens e oito curtas. O grande destaque é a ante-estreia de My Joy (dia 13, às 21 e 30), uma longa-metragem que faz um retrato avassalador da Rússia.