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Volta ao Mundo de Moto

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Perguntei ao meu amigo o que era aquilo e ele disse que são táxis conduzidos por mulheres e reservados ao transporte de mulheres. Pedi-lhe que o apanhasse para tirar uma fotografia e ele respondeu: "É muito difícil porque as mulheres guiam muito bem e desembaraçam-se melhor no trânsito

No Domingo fui finalmente buscar à Embaixada de Portugal, em Teerão, o "Carnet" que me enviaram de Portugal e sem o qual não podia entrar no país com a moto.

À tarde liguei para o meu amigo que tem uma espécie de táxi que tinha andado às voltas comigo na manhã em que cheguei a Teerão. Dessa vez o carro podre em que ele tira a placa a dizer táxi da mala e coloca no tejadilho, tinha ficado sem motor de arranque a meio da manhã e eu fiz-lhe uma revisão eléctrica à beira da estrada que deu os seus frutos. O motor de arranque nunca mais deixou de trabalhar, mas agora eram as luzes que de vez em quando se apagavam. Disse-lhe que não pegava no trabalho de noite e lá me levou com o carro a acender e apagar as luzes até ao terminal dos autocarros. No fim não me queria cobrar o transporte e paguei-lhe quase à força. Pelo caminho passou por nós um outro tipo de táxi que ainda não tinha visto. Era conduzido por uma mulher e por fora dizia "women's taxi".

Perguntei ao meu amigo o que era aquilo e ele disse que são táxis conduzidos por mulheres e reservados ao transporte de mulheres. Pedi-lhe que o apanhasse para tirar uma fotografia e ele respondeu: "É muito difícil porque as mulheres guiam muito bem e desembaraçam-se melhor no trânsito" Apanhei o autocarro para Urumia às dez da noite e às oito da manhã estava a chegar à cidade do Hossein, que me esperava na central de camionagem. Contei-lhe que vinha no caminho a sonhar com o pequeno-almoço que a mãe dele faz, com excelentes ovos mexidos e compota e iogurte feitos por ela e lá fomos "at Sheakhloo's for breakfast" antes de ele me levar à fronteira, a 50 Km dali, para levantar a moto.

Foi um processo complicado que durou perto de quatro horas com papeladas e mais papeladas a exigirem assinaturas de vários chefes perdidos ora no gabinete, ora no parque de estacionamento de terra, ora num outro edifício, sempre rodeados de um séquito de homens a quererem mais uma assinatura para conseguirem passar a fronteira.

No final o chefe principal já se ria para mim e pediu-me desculpa por aquele tempo. Fui levantar a moto ao parque de segurança da fronteira, um lamaçal de onde me vi aflito para sair com a "Crosstourer" com pneus de estrada e voltámos finalmente a Urumia.

Já era tarde para me fazer à estrada de maneira que aproveitei para ir a um mecânico amigo do Hossein colar as protecções plásticas dos punhos que tinha partido nas vezes em que deixei a moto cair e que fazem falta nestes dias de baixas temperaturas pois não deixam o vento frio bater directamente nas mãos.

A semana passada um espanhol foi assaltado na estrada que eu pretendia apanhar e que passa junto a Teerão e por isso o Hossein recomendou-me seguir por um trajecto perto das fronteiras com o Iraque que é uma estrada com pouco movimento, mas onde não tem havido problemas. Arranquei pelas dez e meia da manhã com o termómetro a marcar 5º. Ontem tinha tido uma surpresa agradável quando fui atestar o depósito: paguei o equivalente a 4 euros.

A gasolina de 95 octanas é vendida nas bombas a 22 cêntimos. Na província as bombas fora das cidades principais só têm gasolina de 85 octanas de maneira que foi a que tive que usar hoje. Essa custa 11 cêntimos o litro. A "Crosstourer" queixou-se um bocado, coitada, por lhe estar a dar de beber carrascão em vez de vinho de qualidade. Grilava em esforço a baixas rotações mas adaptou-se à situação. Que remédio. Também, a encher o depósito por 2 euros não se pode exigir muito. Nestas estradas secundarias outro dos problemas é que as indicações muitas vezes estão só nos caracteres Farsi da língua deles e por isso tenho que parar, por vezes em sítios estranhos, para perguntar o caminho. Se em Teerão é difícil encontrar alguém que fale inglês aqui é quase impossível de maneira que lhes tenho que mostrar o mapa que consegui arranjar com as duas línguas para lhes explicar para onde quero ir. Quando parei de uma das vezes cinco homens de bigode rodearam a moto e começaram todos a falar ao mesmo tempo sem que eu percebesse o que queriam.

O problema é que um deles não saía da frente da moto. Por fim fui arrancando devagarinho a dizer que sim e mais também e a empurrar o homem com a moto até que ele lá se afastou. Não faço ideia o que quereriam. Pelas quatro da tarde cheguei a uma cidade maior e perguntei a duas miúdas e um rapaz que vinham num carro, radiantes a acompanhar a moto, onde havia um Hotel. Eles ficaram satisfeitíssimos e trouxeram-me até um óptimo Hotel, quase novo, que pertence ao tio de uma das miúdas.