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Da Albânia para a Grécia

Volta ao Mundo de Moto

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As estradas são como as nossas e a construção, sem ser brilhante, dá dez a zero aos Albaneses. Mas as cidades e vilas parecem desertas. Ninguém sai à rua nestes tempos de crise 

Ontem à noite, depois de me instalar naquele Hotel saído do nada, como que miragem no deserto, fui jantar ao único sítio que havia por perto. O miúdo recomendou-me o frango que era criado no próprio jardim e perguntou se não os queria ir ver. Preferi vê-lo já no prato e era excelente.

Hoje de manhã saí pelas 9,30 h com vento e chuva fortes. Por sorte, a estrada a partir desta vila de Tepelene era boa e só tive que me aperceber, aos poucos, dos limites de aderência da "Sport Tourer" naquelas condições. O único percalço eram as quedas de pedras para a estrada, vindas da escarpa e que me obrigavam a máxima atenção.

Fui em direção a uma suposta estância balnear no sul da Albânia, sempre debaixo de chuva intensa, porque tinha curiosidade de saber se, ao menos nestes locais supostamente mais turísticos, o tipo de construção era melhor que no resto do país. Cheguei à conclusão que a melhoria não é significativa e que a Albânia, além da paisagem natural, só se aproveita porque tem um povo encantador. Quando entrei no país não tinha a mínima ideia do que me esperava e fiquei assustado com a primeira impressão: as mulheres eram bonitas mas os homens que via naquelas vilas e cidades sinistras de feias tinham todos cara de assassinos. Depois, aos poucos, fiquei a saber que é uma gente fantástica, extremamente simples e simpática. Mas as estradas não são melhores que o resto da construção e, mal tive que sair da estrada principal, apanhei uma estrada de montanha, cheia de ganchos, pedras no caminho e extremamente escorregadia, talvez por serem as primeiras chuvas depois do verão. 

Quando saí da estância balnear de Sarante, decidi cortar caminho por uma via secundária e voltei a apanhar daquelas estradas albanesas inacreditáveis em que parte é em terra, parte em alcatrão esburacado e a terceira parte tão estreita que mal se cruzam dois carros. Pelo meio uma travessia de rio numa barcaça movimentada por cabos.

Passei para a Grécia e o panorama muda radicalmente. As estradas são como as nossas e a construção, sem ser brilhante, dá dez a zero aos Albaneses. Mas as cidades e vilas parecem desertas. Ninguém sai à rua nestes tempos de crise e mau tempo. Desci cem quilómetros junto à costa ocidental para depois rumar ao interior a caminho da costa oriental. Tinha decidido não visitar Atenas por já a conhecer bem. Acabei por ficar numa aldeia no alto de uma serra, com um barulhento riacho a correr junto ao quarto. Acho que vou dormir bem.