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A partir de Angola, África é diferente

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Manolo e Glória contam-nos no seu blogue Rituais de Passagem a diferença que sentiram entre uma África francófona numa espiral de corrupção e violência e uma África lusófona a fazer pela vida

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Escapamos por um triz às manifestações sangrentas, em Bamako; fugimos a tempo da revolta nos Camarões; passamos revés Campo de Ourique aos tumultos provocados pelos resultados das eleições no Gana. No Congo Brazaville, desviamos a rota a tempo de não cair na boca do lobo do sanguinário Pasteur Ntumi e saímos a tempo da Republica Democrática do Congo, país que está na iminência de uma guerra civil sem saída previsível. Entretanto, o governo do ditador Joseph Kabila já ordenou o encerramento de algumas fronteiras, cortes de estrada e o bloqueio das redes sociais incluindo Facebook, Twitter e Whatsapp, na tentativa de impedir que se organizem manifestações contra si. Quando entramos em Angola, África ficou diferente.

A passagem da fronteira para Angola foi a passagem para a outra margem. Numa margem, a África francófona numa espiral de corrupção e violência. Na outra, a África lusófona a fazer pela vida. Bastou dar dois passos no território angolano, ou melhor, quando passamos os portões da fronteira para perceber logo que estávamos numa África diferente.

Controvérsias politicas à parte, a minha visão sobre Angola é a de um viajante, Overland, que num Ritual de Passagem, escuta, absorve toda a informação possível e está atento ao que vê. E o que vi gostei.

Dias antes, em Kinshasa, conhecemos o Padre Clement, num hotel de missionários onde estivemos hospedados. O Padre advogado fala corretamente português, ouviu falar a língua de Camões e apresentou-se. Falamos de tudo menos de religião, e a certa altura utilizou uma expressão sobre o domínio do MPLA de José Eduardo dos Santos que achei muito curiosa: “Angola tem uma democracia monopartidária”.

Existem muitas ideias pré-concebidas sobre Angola que não têm qualquer cabimento. Existirão outras, que como viajante me passam ao lado. Mas, não o posso negar, Angola, fascinou-me, tocou-me e enfeitiçou-me. Quer pela paisagem, pela força da paisagem verdejante e poderosa; pelo infindável “mundo” a explorar até à linha do horizonte. Pela simpatia das pessoas, pelos infindáveis recursos naturais, paisagísticos e turísticos.