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Os números não mentem: corrente afetou mesmo os resultados das provas olímpicas de natação

Rio 2016

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© Michael Dalder / Reuters

Para já, a prova é apenas estatística. Mas parece já não haver dúvidas de que uma corrente misteriosa inquinou os resultados na piscina olímpica do Rio de Janeiro

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

As primeiras suspeitas surgiram há três anos, após o campeonato do mundo de Barcelona, foram ganhando força à medida que os cronómetros iam marcando os tempos, no Rio de Janeiro, e agora, feitas as contas à milésima de segundo, a todas as provas de natação olímpica, parece não haver dúvidas: uma corrente favorece os nadadores das pistas com os números mais altos (quatro à oito) da partida até à parede do lado contrário, enquanto as pistas mais baixas têm vantagem no percurso de volta.

A princípio ninguém deu muito crédito à tese dos investigadores da Universidade de Indiana. O fabricante das piscinas, quer de Barcelona, quer do Rio, a empresa italiana Myrtha, lançou uns flutuadores à água e mostrou que nada lhes acontecia. A Federação Internacional de Natação, FINA, aceitou a explicação e a competição presseguiu sem grandes questões.

Só que agora a evidência já começa a ser muita e a FINA está a ser pressionada a tomar uma posição. Dois estudos independentes mostram uma clara vantagem consoante o sentido e a pista em que os atletas nadam.

Um analista de dados e ex-nadador do MIT, Barry Revzin, estimou que passar de uma pista central para duas mais acima dá uma vantagem de um centímetro por segundo. Numa prova olímpica de 50 metros, isto traduz-se numa diferença de um décimo de segundo.

Nos estudos da Universidade de Indiana, quer para o campeonato do mundo, quer para as Olimpíadas, a conclusão foi a de que os nadadores eram meio segundo mais rápidos num sentido do que no outro - e isto de uma forma consistente, para todos os atletas em prova, homens e mulheres.

Como a maior parte das provas implica que os atletas façam um número par de piscinas, presume-se que os efeitos se anulem, mantendo-se a justiça desportiva. Quem beneficiou de um empurrão num sentido, sofre o efeito de uma corrente desfavorável no sentido inverso.

Para já, não há qualquer explicação física para o fenómeno, que só acontece em piscinas temporárias. Uma hipótese avançada aponta para as suas paredes menos rígidas, fletindo de forma assimétrica.

O que importa agora é encontrar uma explicação e pôr um fim nesta injustiça, instiga o grande fã da natação, Barry Revzin. Até ver, a resposta da FINA é que os padrões encontrados são meramente baseados em análise matemática, sem ter em conta qualquer evidência científica. Mas a história não vai ficar por aqui.