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Os atletas estão cada vez mais velhos. Qual o segredo da longevidade no desporto?

Rio 2016

A americana Kristin Armstrong foi campeão olímpica em ciclismo de estrada aos 43 anos

Bryn Lennon / GettyImages

Mais rápido, mais forte, mais alto e... mais velho. A idade média dos atletas olímpicos aumentou dois anos, de 1988 para 2016.

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Kristin Armstrong ficou em primeiro lugar na prova de ciclismo de estrada, tem 43 anos; Anthony Ervin venceu o ouro nos 50 metros livre, tem 35 anos; a ginasta Oksana Chusovitina já participou em sete competições olímpicas, despediu-se no Rio, aos 41 anos. Das Olímpiadas de 1988 até 2016, a idade média dos atletas olímpicos passou de 25 para 27 anos, calculou o historiador olímpico, Bill Mallon.

A que se deve esta longevidade no desporto? António Veloso, professor na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), onde é responsável pelo Laboratório de Biomecânica e Morfologia Funcional, aposta no conhecimento, como explicação. "Hoje em dia faz-se um enorme trabalho de prevenção das lesões, o que permite prolongar a carreira."

As lesões sempre foram o 'calcanhar de Aquilies' da alta competição. Quer as agudas, como a que aconteceu a Cristiano Ronaldo na final do campeonato da Europa, quer as de esforço, resultantes da sobrecarga dos treinos, como é o caso da fratura do pé que sofreu Nelson Évora. "A acumumulação de carga vai causando microlesões, a nível muscular, do tendão, dos ossos. A maior parte do problemas são as lesões crónicas", nota o especialista.

Para as evitar, é preciso otimizar o treino, conhecer as pequenas fragilidades de cada atleta e individualizar o treino. Tudo isto se tornou possível graças à evolução do conhecimento no desporto, com a ajuda das sofisticadas técnicas de imagiologia, como a ressonância magnética.

O tratamento das lesões também se tornou muito mais eficaz e célere, com a possibilidade de se usar fatores de crescimento que aceleram a regeneração de tecidos.

O especialista, que conhece bem o funcionamento dos gigantes do futebol mundial, dá o exemplo do clube Manchester City, em que cada jogador tem o seu próprio frigorífico, repleto de uma dieta ajustada às suas necessidades específicas. refere ainda aposta numa dieta direcionada para as necessidades de cada jogador. "Fazem-se análises ao sangue dos jogadores para se perceber que nutrientes lhes fazem mais falta. O que permite definir a alimentação mais adequada."

O fator económico também não será de desprezar nesta quetsão. Principalmente no que toca às olimpíadas. Uma maior profissionalização dos atletas também terá o seu peso no prolongamento das suas carreiras, permitindo-lhes continuar a viver do e para o desporto, pela casa dos vinte, dos trinta e até dos 40 adiante.