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Costa abre ronda de reuniões com forças de esquerda com Livre e fecha com BE

Legislativas 2019

Diana Tinoco

O secretário-geral do PS faz na quarta-feira a primeira série de reuniões com as forças parlamentares de esquerda, começando com o Livre logo de manhã e terminando ao fim da tarde na sede do Bloco de Esquerda

Além de António Costa, a delegação será constituída pelo presidente do PS, Carlos César, pela secretária-geral adjunta socialista, Ana Catarina Mendes, e pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

Desta vez, será António Costa a deslocar-se à sede dos partidos com quem vai dialogar sobre condições de estabilidade governativa a partir do novo quadro parlamentar saído das eleições legistas de domingo.

António Costa começa o périplo às 10:00 na sede do Livre, deslocando-se depois à sede do PAN.

Ao início da tarde, pelas 14:00 o líder socialista estará na sede do PEV, seguindo depois para as do PCP, pelas 16:00, e do Bloco de Esquerda às 18:00, onde termina a série de encontros.

Os Verdes "caso a caso"

"Os Verdes" manifestaram esta terça-feira disponibilidade para aprovar propostas de um futuro Governo PS e Orçamentos "caso a caso", remetendo uma posição sobre a reedição da atual solução de apoio parlamentar para depois da reunião com os socialistas.

O deputado José Luís Ferreira, do Partido Ecologista "Os Verdes", indicou ainda que não haverá "qualquer documento escrito" que estipule os contornos de uma eventual solução governativa, porque o Presidente da República não o exige, ao contrário de Cavaco Silva.

"Nós não vamos fazer qualquer documento escrito porque isso, como disse, há quatro anos foi uma exigência do então Presidente da República, Cavaco Silva", exigência "que agora não está presente", afirmou o ecologista aos jornalistas no final de uma audiência com o atual chefe de Estado no Palácio de Belém, em Lisboa.

José Luís Ferreira notou, então, que "o cenário também não é idêntico a 2015".

"Em 2015 houve, de facto, um documento escrito, que nós chamamos a posição conjunta do Partido Ecologista "Os Verdes" com o Partido Socialista, porque isso decorreu de uma exigência do então Presidente da República, Cavaco Silva. Agora sabemos que não vai haver qualquer exigência dessa natureza porque foi inclusivamente dito pelo senhor Presidente da República que não haverá qualquer exigência dessa natureza", insistiu.

Assim, e concordando com a indigitação do secretário-geral do PS, António Costa, como primeiro-ministro, o PEV assinala que tem "a mesma disponibilidade e disposição para aprovar todas as propostas" que "venham promover a justiça social e o equilíbrio ambiental".

"Mas naturalmente, tal como aconteceu no passado, quando considerarmos que não são justas certamente que não acompanharemos", ressalvou o dirigente, numa referência a medidas que não constaram dos compromissos assumidos pelo partido ecologista.

No caso dos orçamentos do Estado, serão vistos "caso a caso", e "nessa altura a decisão ocorrerá", assinalou o também deputado, lembrando que na legislatura que agora termina o PEV não acompanhou o governo em todas as propostas.

PAN não está disponível para coligações ou acordos

Já o porta-voz do PAN, André Silva, mostrou-se favorável a que António Costa seja indigitado primeiro-ministro, caso consiga garantir "um Governo de estabilidade", mas descartou coligações partidárias ou acordos para a legislatura.

"O PAN transmitiu que não se opõe a que António Costa seja indigitado como primeiro-ministro. Trata-se do líder partidário do partido mais votado e também, a avaliar por aquilo que são as declarações quer do Partido Socialista quer de outros partidos à sua esquerda, e partindo do princípio que António Costa, logo à tarde, junto do senhor Presidente da República, garantirá um governo de estabilidade, e partindo de todos estes pressupostos, o PAN não se opõe a esta indigitação", disse André Silva aos jornalistas no final da audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém.

O partido Pessoas-Animais-Natureza "não está, à partida, disponível para fazer um apoio de governo, de coligações partidárias para os próximos quatro anos", mas não descarta "acordos pontuais".

"Queremos contribuir para a estabilidade governativa, mantendo o relacionamento que temos tido com o Partido Socialista, como com outros partidos, e estamos disponíveis para, sendo vontade do Partido Socialista ou de outros partidos, fazermos acordos pontuais, seja em processo legislativo ordinário, seja ao nível do orçamento de Estado", vincou André Silva, notando que o objetivo do PAN é continuar o trabalho "feito ao longo dos últimos quatro anos" mas de "forma mais aprofundada, mais madura".

O PAN, continuou o líder, "tem um compromisso forte com os eleitores, que é fazer cumprir o seu programa".

"Esse é o nosso caderno de encargos e, nos próximos quatro anos, fazer avançar essas propostas. O PAN não está à partida disponível para estabelecer coligações partidárias e acordo de legislatura", insistiu.

De acordo com André Silva, "isso não impede que continuemos a ter uma postura sempre proativa e muito construtiva de diálogo e de pontes com o Partido Socialista, assim o Partido Socialista o pretenda".

Livre de fora de uma coligação

A deputada eleita Joacine Katar Moreira considerou, por seu lado, "fundamental que haja um entendimento" entre os partidos que apoiaram a solução governativa em 2015, esclarecendo que o Livre está disposto ao diálogo mas não pretende entrar numa "coligação partidária".

Falando aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, no final de uma audiência com o Presidente da República, Joacine Katar Moreira começou por notar que "deu entrada aqui hoje a verdadeira esquerda verde".

"Nós consideramos fundamental que haja um entendimento mas, inicialmente, entre os partidos que constituíram esta união nestes últimos quatro anos", afirmou a deputada, assinalando que "é necessário que haja uma responsabilização e um entendimento entre os que efetivamente começaram isto".

Apesar disso, os dirigentes do Livre mostraram-se "completamente disponíveis para conversar, dialogar com todos partidos políticos", e a deputada eleita pelo círculo de Lisboa defendeu ser "útil e necessário que houvesse uma espécie de entendimento multilateral".