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Qualidade e não quantidade: o que, realmente, importa se quer perder peso

Estudo do Dia

Uma nova investigação sugere que fazer uma dieta durante um ano com foco na qualidade dos alimentos e não na contagem das calorias pode ajudar a perder mais peso

Quem tem o objetivo de perder peso não precisa de se preocupar com a quantidade de calorias ou limitar as porções dos alimentos que ingere, como muitos especialistas afirmam, mas sim comer com mais qualidade, evitando os alimentos altamente processados e o açúcar, por exemplo. Esta é a conclusão de um novo estudo, publicado recentemente na revista científica Journal of the American Medical Association, que descobriu que quem consome muitos vegetais e alimentos integrais, sem se preocupar com a contagem de calorias, consegue perder quantidades mais significativas de peso num período de 12 meses.

A investigação, realizada no Stanford Prevention Research Center, nos EUA, envolveu mais de 600 pessoas com excesso de peso ou obesidade, que foram divididas em dois grupos e submetidas a dietas com baixo teor de gordura ou com poucos hidratos de carbono.

Os dois grupos tiveram consultas com nutricionistas e começaram a ingerir alimentos integrais ricos em nutrientes e minimamente processados, principalmente caseiros.

No grupo da dieta com baixo teor de gordura, refrigerantes, sumos de frutas variadas e pão e arroz brancos não estavam incluídos, apesar de não conterem muita gordura. Pelo contrário, foi recomendado às pessoas do grupo alimentos como arroz integral, cevada, aveia, lentilhas, carnes magras, quinoa, frutas frescas e legumes.

Já o grupo que participu na dieta baixa em hidratos de carbono ingeriu mais alimentos nutritivos como azeite, salmão, abacate, vegetais, nozes e sementes.

Além disso, os dois grupos foram aconselhados a praticar exercício físico, não aumentando, no geral, a sua intensidade. De acordo com Cristopher Gardner, investigador que liderou a pesquisa, esta descoberta é diferente de todas as anteriores relacionadas com a perda de peso, já que não estabelece limites muito restritivos de hidratos de carbono, gorduras ou calorias, mas foca-se na ingestão de alimentos de qualidade.

Este estudo tem limitações, já que não consegue, por exemplo, garantir que os participantes vão ser capazes de respeitar e seguir com exatidão os novos hábitos alimentares, ou se vão recuperar o que perderam, o que acaba por acontecer muitas vezes.

Apesar de terem perdido, em média, uma quantidade significativa de peso, houve grandes diferenças entre grupos: os membros do grupo com baixo teor de gordura perderam cerca de 11,7 quilos e o grupo pobre em hidratos de carbono teve uma perda média de pouco mais de 13 quilos. Além disso, algumas delas ganharam peso.

O investigador afirma, ainda assim, que este estudo conseguiu alterar a relação das pessoas com a comida e mudar hábitos incorretos, como comerem dentro dos carros ou à frente da televisão.

Além disso, nos dois grupos foram registadas outras melhorias, como a redução do tamanho da cintura, dos valores de gordura corporal, dos níveis de açúcar no sangue e pressão arterial.