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A ciência demonstra que o sexo fraco não é, afinal, aquele que se pensa

Estudo do Dia

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Sob o olhar de diversos especialistas, não há como negar: A nível genético (e não só) o sexo feminino é superior

No que toca a longevidade, sobreviver a doenças e lidar com situações traumáticas, as mulheres parecem dar alguns passos de avanço ao sexo masculino. Angela Sanini, jornalista científica e autora do livro Geek Nation: How Indian Science is Taking Over the World (2011), conversou com diversos especialistas que revelam algumas pistas de uma incógnita que a ciência continua por desvendar totalmente.

De acordo com os últimos dados do Gerontology Research Group, dos 43 centenários que atualmente vivem com mais de 110 anos, 42 são mulheres. Apesar de existirem poucas pesquisas que explicam esta longevidade, os especialistas acreditam que essa vantagem não surge na vida adulta - está lá desde o momento em que se nasce menina.

Os bebés do sexo masculino têm mais 10% de probabilidade de morrer no nascimento. O que torna as raparigas tão resistentes, ainda está por apurar. Mas um estudo de 2014, realizado por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, sugere que a placenta da mãe pode funcionar de forma diferente, dependendo do sexo do bebé. Por razões desconhecidas, as meninas podem receber uma dose extra de sobrevivência ao útero.

Mas não só no momento do nascimento. Ao longo da vida, as mulheres revelam mais capacidade para sobreviver a doenças. “A doença cardiovascular ocorre muito mais cedo nos homens do que nas mulheres. A idade em que se desenvolve hipertensão também ocorre muito mais cedo nos homens. E há uma diferença de sexo na taxa de progressão da doença”, revela Kathryn Sandberg, diretora do Centro para o Estudo das Diferenças de Sexo na Saúde, Envelhecimento e Doença, da Universidade de Georgetown, nos EUA.

“Uma explicação para isso pode estar nas hormonas. Níveis mais elevados de estrogénio e progesterona podem proteger as mulheres de alguma forma, não só tornando os sistemas imunológicos mais fortes, mas também mais flexíveis”, acrescenta Sandberg. Por outro lado, uma resposta imune demasiado alta pode tornar as mulheres mais susceptíveis a doenças auto imunes, como reumatóide e esclerose múltipla.

Historicamente mais resistentes

“Praticamente em todas as épocas, as mulheres parecem sobreviver melhor do que os homens”, diz Steven Austad, especialista em envelhecimento e presidente do departamento de biologia da Universidade de Alabama, nos EUA. Seja por robustez, tenacidade ou “poder inato”, a base de dados de longevidade do sexo feminino demonstra que existe uma capacidade de sobrevivência superior à dos homens.

Mas não só os fatores genéticos que proporcionam uma vida mais longa ao sexo feminino. A forma como as mulheres lidam com as doenças é diferente, por exemplo, porque são mais propensas a procurar ajuda médica. Os homens também têm mais tendência a ter regimes alimentares menos saudáveis e a realizar trabalhos mais perigosos. No entanto, Austad e Sandberg acreditam que os fatores genéticos são o elemento chave.

Mas o fundo da questão mantém-se: Porque é que, ao longo dos tempos, os corpos das mulheres desenvolveram um sentido de sobrevivência mais apurado que os homens? Alguns estudos sobre tribos atuais oferecem algumas pistas. “Quando as mulheres de Martu [uma tribo na Austrália Ocidental] caçam, uma das suas presas favoritas são os gatos selvagens. Não é uma atividade muito produtiva, mas é uma oportunidade para as mulheres mostrarem as suas habilidades”, diz a antropóloga Rebecca Bliege Bird, professora da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA.

Adrienne Zhilman, da Universidade da Califórnia, dedicou a sua carreira à anatomia humana e, em particular, à evolução dos corpos das mulheres e realça a capacidade do sexo feminino em se adaptar a condições extremas: “As mulheres têm de se reproduzir. Isso significa estar nove meses grávida. Têm de amamentar. Têm de carregar os seus filhos. Há qualquer coisa nem ser mulher que foi moldada para a evolução.”

“Há algo na forma feminina, no psicológico, no conjunto todo, que foi aprimorado durante milhares e milhares (mesmo milhões) de anos para sobreviver”, acrescenta.